FILHO DE GOLPISTA GOLPISTA É
Flávio conhece bem o manual do golpista moderno: lança dúvidas no ar, insinua que forças ocultas estão atuando para melar as eleições, para logo em seguida negar que esteja fazendo qualquer acusação. “Não estou questionando o sistema de votação brasileiro”, disse o senador, explicando que somente, ora vejam, aludia a um relatório da CIA. Não é difícil perceber a malícia. Bolsonaro também jamais assumiu abertamente as suspeitas que adorava espalhar. Para os golpistas, basta semear a dúvida – matéria-prima das teorias da conspiração que animam esses liberticidas.
Flávio é tépido como democrata, mas não deixa de ser lamentável o fato de que um cidadão que pretende liderar a Nação minta com tanto desassombro. O senador chegou a afirmar que Bolsonaro está preso por ter se reunido com embaixadores, em 2022, apenas para expressar “preocupação” com a segurança eleitoral. Convenientemente, o filho omite que a condenação do pai a mais de 27 anos de prisão, em caráter definitivo, decorreu de uma tentativa de golpe de Estado, e não daquela reunião – da qual adveio a inelegibilidade do ex-presidente, por abuso de poder político.
Com intervalo de poucos dias, o discurso golpista de Flávio ecoa o de Donald Trump, de mesmo teor, feito em rede nacional nos EUA, no qual o presidente americano voltou a alegar, mais uma vez sem provas, que a vitória de Joe Biden, em 2020, foi fraudada. Para autoritários como Trump e os Bolsonaros a verdade dos fatos é irrelevante: basta semear a dúvida para deslegitimar, no futuro, um resultado eleitoral desfavorável a eles. Eis o espírito de uma família que, a despeito de ter feito da política eleitoral um bem-sucedido empreendimento comercial, jamais admitirá a possibilidade de perder uma eleição limpa.
O ataque de Flávio às urnas eletrônicas não é deslize. É mais um ato de irresignação com o Estado Democrático de Direito. Lembremos que, em entrevista à Folha de S.Paulo, em junho do ano passado, o senador já havia admitido que um candidato à Presidência apoiado por seu pai teria de, necessariamente, garantir o cumprimento de um eventual indulto a Jair Bolsonaro, “mesmo que” o Supremo Tribunal Federal o considerasse inconstitucional. Indagado sobre a hipótese de ser este, de fato, o destino dado ao indulto pela Corte, Flávio admitiu abertamente o “uso da força”. Precisa mais? (Editorial do Estadão)
Tarifaço de Trump: EUA confirmam nova tarifa de até 12,5% sobre trabalho forçado para Brasil e outros parceiros comerciais | #g1 https://t.co/fCKta3txJ6
Desde que foi ungido pelo pai, preso por tentativa de golpe de Estado, como sucessor na disputa presidencial deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstra fidelidade aos preceitos de seu clã.
O padrão, que inclui mentira e dissimulação, é tão previsível que seria cômico, não fosse um perigo para a democracia, que o primogênito do apenado Jair Bolsonaro repetisse as estocadas do ex-presidente contra o sistema de votação eletrônica do país.
Ainda assim, não causa espanto que Flávio tenha copiado o seu progenitor ao chamar um grupo de embaixadores para espalhar mentiras sobre as urnas.
Ele disse que os aparelhos são os mesmos usados na suspeita Venezuela, deixando no ar a ideia de que são fraudulentos. A fabricante em questão não tem relação com os equipamentos.
Flávio mais uma vez incidiu na dissimulação, que tem sido corriqueira na sua caminhada eleitoral, e negou ter atacado todo o sistema, buscando vacinar-se contra eventuais punições. (Editorial da Folha)
A manchete da Folha foi cirúrgica: "Flávio Bolsonaro repete o pai e propaga dado falso sobre urnas em reunião com embaixadores". O presidenciável do PL tentou amenizar a fala, mas o estrago já está feito.
A repercussão nos meios político e econômico foi péssima para ele, e será maior quando começar a campanha eleitoral após as convenções partidárias.
Boa parte do PIB e do mercado financeiro, que nunca apoiou o presidente Lula e preferia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, no Palácio do Planalto, parece ter fechado as portas para Flávio.
Nem as reuniões que Daniella Marques, coordenadora do plano econômico da campanha e respeitada nas principais casas do setor financeiro, teve com representantes da Faria Lima ajudaram a reverter a situação.
Tudo leva a crer que esse PIB já olha para 2030 e "delegou" para Lula a tarefa de derrotar mais uma vez e diminuir os Bolsonaros.
Esses empresários também não têm esperanças de que Lula, se eleito, fará um bom mandato, com coragem para enfrentar os problemas crônicos da economia.
Mas depois dos dois tarifaços do governo Donald Trump para cima do Brasil, existe a percepção de que algo perigoso ronda a elite empresarial.
Eles passaram a considerar o risco de os Estados Unidos entrarem aqui para tomar conta dos negócios, como fizeram abertamente na Venezuela. Quem vai querer esse nível de interferência econômica?
Essa parcela do PIB, da qual faz parte o agro exportador, queria um perfil moderado e técnico como o da senadora Tereza Cristina, mas faltam garantias políticas e ela não iria contra Flávio. Nem Tarcísio foi.
O green card do irmão, Eduardo Bolsonaro, veio em péssima hora. Nas redes sociais, estão citando a decisão de Trump como recompensa pela defesa do tarifaço.
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, andou elogiando Lula nos encontros com prefeitos e eleitores nas cidades do Piauí. A reeleição é prioridade para o parlamentar.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, constatou que Flávio não estava preparado para concorrer à Presidência.
Assim como na economia, a política também é pragmática. (por Adriana Fernandes, na Folha)
Desde que foi ungido pelo pai, preso por tentativa de golpe de Estado, como sucessor na disputa presidencial deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstra fidelidade aos preceitos de seu clã.
O padrão, que inclui mentira e dissimulação, é tão previsível que seria cômico, não fosse um perigo para a democracia, que o primogênito do apenado Jair Bolsonaro repetisse as estocadas do ex-presidente contra o sistema de votação eletrônica do país.
Ainda assim, não causa espanto que Flávio tenha copiado o seu progenitor ao chamar um grupo de embaixadores para espalhar mentiras sobre as urnas.
Ele disse que os aparelhos são os mesmos usados na suspeita Venezuela, deixando no ar a ideia de que são fraudulentos. A fabricante em questão não tem relação com os equipamentos.
Flávio mais uma vez incidiu na dissimulação, que tem sido corriqueira na sua caminhada eleitoral, e negou ter atacado todo o sistema, buscando vacinar-se contra eventuais punições. (Editorial da Folha)