Foi nesta crônica abaixo que Nelson Rodrigues, pela primeira vez, chamou Pelé de Rei, poucos meses antes da conquista da Copa do Mundo de 1958.
O texto foi publicado na revista Manchete Esportiva em 8 de março de 1958, poucos dias após a vitória do Santos por 5 a 3 sobre o América-RJ, em 25 de fevereiro, no Maracanã, pela então tradicional edição do Torneio Rio-São Paulo.
Naquele dia, Pelé tinha apenas 17 anos e 8 meses e deu um espetáculo: marcou quatro gols e encantou o cronista Nelson Rodrigues, que escreveu "A Realeza de Pelé". A crônica, reproduzida a seguir na íntegra, registra o momento em que surgiu, pela primeira vez na imprensa, o título que acompanharia Edson Arantes do Nascimento para sempre: Rei do Futebol.
A Realeza de Pelé
Por Nelson Rodrigues
Depois do jogo América x Santos, seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura, que o meu confrade [Albert] Laurence chama de “o Domingos da Guia do ataque”. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: — dezessete anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — ponham-no em qualquer rancho e a sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.
O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias. Já lhe perguntaram: — “Quem é o maior meia do mundo?” Ele respondeu, com a ênfase das certezas eternas: — “Eu.” Insistiram: — “Qual é o maior ponta do mundo?” E Pelé: — “Eu.” Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção que ninguém reage, e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.
Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompeia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: — “Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!” De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para a frente, e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe, ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: — sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa. Ou por outra: — a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompeia e encaçapou de maneira genial e inapelável.
Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, de certeza, de otimismo que faz de Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível na formação de qualquer escrete. Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e, mesmo, insolente, que precisamos.
Sim, amigos: — aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas de pau. Por que perdemos, na Suíça, para a Hungria? Examinem a Fotografia de um e outro time entrando em campo. Enquanto os húngaros erguem o rosto, olham duro, empinam o peito, nós baixamos a cabeça e quase babamos de humildade. Esse flagrante, por si só, antecipa e elucida a derrota. Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós.
E vagabundo tá lá... Colocando Neymar entre os melhores da história da seleção e apagando o Garrincha. Mané, não perdoai os mentirosos, lobistas, vendidos, canalhas e patoteiros. Eles sabem o que fazem e ganham com isso.
Só um outro detalhe: O Neymar ter dado um sorrisinho de satisfação só porque fez o gol e "venceu" o Nyland, enquanto o Brasil era eliminado pela NORUEGA de forma vexatória, só provou que ele só se preocupa com seu próprio RAB0. Ele comemorou ali a sua vitória moment��nea, seu ego. Fez o gol no 'rivalzinho' que provocou. NÃO HAVIA MOTIVO PARA SORRIR.
E o seu choro no final não foi pela seleção, foi pelo encerramento fracassado de sua carreira sem um título sequer de Copa o Muno no currículo. TUDO FOI SOBRE ELE. F0DA-SE O BRASIL. #BRAXNOR
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O comentarista afirmou não entender como ser conservador pode significar obrigar uma criança a carregar no ventre o filho de um estuprador, lembrando que aprendeu em colégio de padres salesianos a importância de proteger a infância. Para ele, a decisão do Congresso beneficia o estuprador e pune a criança vítima, classificando a aprovação como uma decisão nojenta