Vou explicar como um único acordo comercial representa um golpe múltiplo. Num primeiro momento, o Brasil cede ainda mais no sector industrial (e de serviços), onde reside qualquer esperança para o seu povo e está o pilar da soberania, em troca de umas migalhas no decadente mercado agrícola europeu. Quanto à União Europeia, se acelera a destruição da agricultura familiar local. As grandes corporações agrícolas ficam bem nessa história, e aguardam pelo esvaziamento do campo europeu para comprar terras abandonadas.
Ao mesmo tempo, Bruxelas vai lançando suspeitas sobre a produção agrícola brasileira, e do Mercosul em geral, preparando futuras restrições que vão beneficiar as empresas de trading europeias. Para exportar para a Europa, devido à 'legislação sanitária', os agricultores locais terão de pagar o 'arrego sanitário' para estas corporações, que sabem como mexer os cordelinhos em Bruxelas.
Com o tempo, Bruxelas faz lobby para que o Brasil permita que as suas empresas possam comprar terras sem nenhuma restrição, em troca de promessas que nada mudam, mas dão esperança, e cria uma situação de crise sanitária que gere incentivo à venda de terras pelos agricultores e pecuaristas locais, inclusivamente lançando mão do terrorismo sanitário. Tão fácil lançar pragas e doenças num país indefeso como o Brasil, e seus vizinhos...
Estas terras em mãos de empresas europeias poderão exportar sem restrições, enquanto os agricultores brasileiros são impedidos e, caso consigam algum arranjo com uma empresa europeia, verão a uma parte crescente do seu lucro sendo comido pelo 'trader'.
No fim do processo, veremos a agricultura no Brasil e na Europa tomada por uma meia dúzia de corporações.
Enfim, nada de novo. Nosso agronegócio sempre entregou a indústria, em troca de migalhas, em todas as negociações comerciais. Um velho adágio romano, AVARITIA FACIT BARDVS, explica a mentalidade dos nossos 'cowboys'.
Não aprenderam nada, e jamais aprenderão. Caiado que o diga!
Delenda est Bruxelae!
Um dos aspectos que mais contribuíram com degeneração intelectual do país foi a destruição da língua portuguesa - bela e riquíssima -, que se transformou nessa repetição de gírias e simplificações recheadas de erros de pronúncia e concordância.
Quanto mais rica for sua capacidade de articular a língua, maior é a sua capacidade de pensamento abstrato para compreender aspectos complexos da realidade. Deixar que nossa língua seja aviltada e simplificada dessa forma só ajuda a condenar milhões de brasileiros à escravidão de suas circunstâncias pobres, opressivas e limitadas.
São muitos os sinais da decadência brasileira. Um dos principais é a incapacidade das elites intelectual, política e cultural em ver a ruína da Nova República. 40 anos depois, não sobrou nada, além da defesa abstrata da democracia, confundida com o sistema liberal-representativo
A Suíça enriqueceu copiando patentes alemãs.
Os EUA copiaram tecnologia britânica por décadas.
A Coreia copiou o Japão com apoio do Estado.
Mas o receituário para países pobres é: respeite a propriedade intelectual.
Fizeram o oposto do que pregam.