— O sujeito achou que prender um demônio numa garrafa, depois de matar um guri durante um exorcismo, seria um grande feito de magia. O idiota acabou na banheira do meu apartamento, infestando aquela merda com insetos. Então, sim, Zee... Estou atrasado e de mau humor. — resmungou
Acompanhou o movimento dela com o olhar, o sorriso torto e cínico ganhou um pouco mais de volume.
Ergueu o velho isqueiro e, com um estalo rápido, acendeu a chama, oferecendo para que ela acendesse o próprio cigarro.
Era hipocrisia da feiticeira tratar aquilo como um repreendimento. Então, dava de ombros. Puxava o próprio maço do bolso do sobretudo, pescando um dos malditos tubinhos com o lábio.
–––– Se essa é a idéia, existem formas mais efetivas de acabar com a vida. Então. Por que essa?
— Porque os métodos rápidos e eficientes não têm o mesmo charme, luv — respondeu, a voz soando quase divertida.
Recuou então o isqueiro, apagando a chama com o polegar antes de dar mais uma tragada.
Soltou uma risada seca pelo nariz, a fumaça escapando no ritmo do riso.
Era sempre engraçado ouvir avisos depois de já ter enganado os próprios senhores do inferno por causa daquele vício.
— Essa é a ideia, luv — ele respondeu, a voz soando como um resmungo.
Sem responder, ele apenas puxou o maço amassado, o batendo contra os dedos, até que o cigarro saltasse para fora do maço parcialmente, para que ela pegasse um deles.
Em seguida, ele acendeu seu Zippo, aproximando a chama do rosto dela.
— Sabe, parceiro, se respirar um pouco de fumaça passiva é o que tira seu sono... Sua vida deve ser um saco. Mas já que estamos ditando as regras de etiqueta, que tal não encostar nas minhas coisas da próxima vez?
Constantine encarou o toco esmagado do seu cigarro por um longo segundo, a expressão em um misto de tédio e irritação.
Um suspiro áspero arranhou sua garganta, sem que ele olhasse para Cael.
Sem pressa, enfiou a mão no bolso interno do sobretudo e sacou o maço amassado, colocando um novo entre os lábios. Com um clique metálico, seu Zippo cuspiu uma pequena chama e a brasa iluminou seu rosto novamente, acompanhada de uma nuvem de fumaça.
— Você vai ter que pegar uma senha e ir pro final da fila, garota. Tem uma boa quantidade de filhos da puta querendo fazer o mesmo... — respondeu em tom irônico.
Exalou a fumaça devagar, deixando-a pairar no ar entre os dois antes de soltar uma risada sem humor. Ele levou o cigarro aos lábios mais uma vez, os olhos claros a avaliando.
Deixou escapar uma risada curta ao soltar a fumaça.
Em seguida ele ergueu o cigarro diante do rosto, olhando para o papel amassado entre os dedos levemente manchados de nicotina.
— Esse já é especial o bastante, docinho. Mas agradeço.