O sonho comanda (mesmo) a vida, bem dizia o António Gedeão. Lembram-se da Juliana, a enfermeira de cuidados intensivos de Vila do Conde que um dia decidiu dar asas à paixão da sua vida e tornar-se piloto? Nunca vi uma coisa assim. Começou tarde, lutou, caiu, levantou, parou, recomeçou mas nunca desistiu. Uma vontade férrea. Durante a tragédia do Covid 19 saía dos cuidados intensivos e ia ver os aviões a Pedras Rubras (fantástico nome para um aeroporto) para tentar relaxar. Mais tarde arranjou trabalho no aeroporto só para estar perto daquilo que mais gostava, os aviões. O tempo foi passando com altos e baixos mas valeu a pena. Vale sempre a pena. Alguns anos e muitas lágrimas depois da grande decisão a Juliana tornou-se ontem piloto certificado em Airbus A320. Parabéns, Juliana, o céu é agora literalmente o limite. Se ajudei? Muito pouco. Limitei-me a dizer: vai em frente, Juliana, só temos uma vida para viver.
A fotografia da direita é de 2019, quando a grande aventura estava prestes a começar
Aeroporto do Porto com problemas de ordem meteorológica. Bancos de nevoeiro estão a obrigar alguns voos a seguir para aeroportos alternativos. O Porto dispõe de apenas uma aproximação de precisão para a pista 17 (aterragem de norte para sul). Trata-se de um ILS Instrument Landing System de Categoria II há muito a precisar de ser "promovido" a Categoria III como acontece com a pista 20 de Lisboa. Os aviões estão certificados para tudo e mais alguma coisa mas isso não adianta se as estruturas dos aeroportos não ajudarem. Da minha experiência como piloto e portuense quando este tipo de nevoeiro "agarra" é garantido que só vai aliviar com o aquecimento da manhã seguinte. Na minha juventude em Vila do Conde o nevoeiro só levantava às 11 da manhã. Depois, a partir das 14:00 começava a "nortada". Em resumo, havia um slot de 3 horas para ir à praia. Nada mau
Compareceram mais de 800 candidatos no concurso de pilotos que a TAP está atualmente a promover. Da lista de candidaturas constam pilotos com muitos milhares de horas de voo e outros com apenas algumas centenas ou nem isso. Além das horas de voo outros fatores tais como formação académica, qualificação em Airbus, domínio do inglês, condição física, aptidão psicológica, etc, contribuem para o resultado final. Não tenho inside information mas arriscaria dizer que o número de admissões poderá andar à volta dos 10%. Fico encantado por saber que a TAP continua a oferecer uma carreira atraente na aviação comercial e que a profissão de piloto continua a ser o sonho de muitos jovens.
Obrigado a todos quantos participaram na sondagem "Voaria num avião comercial com apenas um piloto?"
A amostra é muito significativa. Dos 3,400 votantes 79,9% responderam NÃO e 21,1% disseram SIM.
Corresponde às minhas expetativas: só os consumidores (todos nós) poderão travar esta ideia absurda.
A tecnologia tem dado um contributo enorme para a segurança de voo mas apenas enquanto ferramenta auxiliar dos humanos. Nesse aspeto podemos estar certos que dois pilotos pensam mais e melhor que um apenas.
Falta apenas a minha resposta à sondagem: NÃO, claro. Porquê? Porque fui piloto durante muitos anos e sei que a possibilidade de erro fatal está sempre presente nas nossas vidas. Ter a nosso lado alguém que nos corrija, mesmo que seja o mais principiante dos pilotos, é uma benção de que não podemos abdicar
Uma asa não basta para um avião voar. Da mesma forma um único piloto no cockpit não basta para um avião voar em segurança. É preciso combater esta ideia. A economia não é tudo, há coisas bem mais importantes. A vida, por exemplo.
@ALPAPilots
No Dia Mundial dos Pilotos venho aqui lembrar que a Segurança Começa com 2. Retirar um (ou dois) pilotos do cockpit pode comprometer seriamente a segurança de voo. Os automatismos são uma excelente ajuda mas não devem em circunstância alguma tornarem-se "donos" do avião. A segurança é muito mais importante que a economia, como os vários casos Boeing o vêm demonstrando. Se concordarem por favor façam retweet para que a mensagem se espalhe por esse mundo fora
Carlos Delgado, 36 anos, era instrutor de voo em Ponte de Sor. Morreu quando o avião que partilhava com um aluno se despenhou logo após a descolagem. Aluno sobreviveu muito ferido.
O Carlos deixa mulher e dois filhos menores. Querem ajudar? Por favor https://t.co/NG7HwZB4P0