Às vezes eu me desgoverno.
Perco o prazo, choro com atraso.
O doído de outros tempos se avoluma e arromba a cerca dos meus olhos bobos.
A lágrima é antiga, porque a dor não prescreve. Um descuido da alma e eu volto a chorar pelos motivos das crianças.
Depois de um tempo, quando já não dispomos das facilidades da juventude, talvez por amor-próprio ou vaidade, não sei, as coisas que mais desejamos são as que mais fingimos desprezar.
De repente a desarmonia se estabeleceu. Um senhor invisível modificou nossas rotinas. E cá estamos nós, reaprendendo a viver em exíguos espaços, impedidos de ir e vir, como se tivéssemos sido reconduzidos ao ventre, esperando a hora de poder de renascer.
A solidão costuma ser insuportável porque desconstrói o vínculo que nos mistura aos outros.
A solidão não considera o medo que temos de nós.
Sem nenhuma piedade, sem culpa e sem receio, ela nos reduz a nós mesmos.