Algo importante que tenho para dizer sobre UCPA, é que muito do que tenho escrito e que ainda vou escrever é sobre mim. A maioria dos meus textos é versos são sobre mim, mas esse livro é a coisa mais íntima e pessoal que já escrevi.
meus olhos molham o colchão, eu não sinto o ar, não sinto nada.
te sentir indo embora dói, faz meus ossos ficarem miúdos e o meu querer se esvair.
dói, porque se eu que te amo também te magoo, o que sobra?
dizem que o amor não machuca e não dói.
então o que eu sinto?
eu tento ignorar os sinais, fingir que não estou sendo usada, que não ocupo um lugar que nunca foi meu.
você espera por algo que está bem na sua frente e é triste, não ser vista por olhos tão bonitos.
você diz que me ama, mas só quando estou em cima de você, quando eu te olho nos olhos, quando me entrego.
mas você não gosta de mim, não é?
eu só sirvo pra você se esquecer das suas dores, pra fingir que ainda está vivo por dentro.
e você está?
você merece isso.
merece viver o ar dos seus sonhos, andar por uma cidade que te acolha, beijar bocas melhores.
você merece viver aquilo que seu coração clama.
não desiste, o outro lado do rio está perto.
você não gosta de mim, diz que me ama, que me apoia, que acredita em mim.
mas você não gosta de mim.
da pessoa que eu sou, dos desejos que tenho, do amor que vive nas minhas veias.
você gosta do que queria que eu fosse, mas não do que eu sou.
— mãe.
você sempre deixa a porta aberta, por isso é tão fácil voltar quando quero.
seus lábios não sabem me negar, seu peito me adora e a sua boca me ama.
por isso eu sempre volto.
não me rejeita porque diz me amar, mas será que você sabe o que é amor?
@4lana999 isso me enche de revolta, pq, por exemplo, pessoas trans, simplesmente, apanham e sofrem todos os dias nas ruas só por serem elas, mas uma palhaçada dessa é tratada com naturalidade?
ser lgbtqia+ nesse país é desgastante!
você disse que me amava.
e os olhos não mentem, não é?
mas você mentiu.
como quem sabe que o silêncio é sagrado nas igrejas, mas faz barulho mesmo assim.
você sabia que iria me ferir, mas fez, porque no fim das contas, eu não era de grande coisa pra tu.
eu tenho medo.
de ser a última a pessoa a ir embora, de não ter uma casa, de não ser amada, de correr muito, de acenar para o nada.
eu tenho medo de não conseguir.
e ser, de novo, um fracasso.
tenho medo de nunca mais parar de sentir medo.
você enfrevece o meu coração como ninguém.
pra mim, quando você está por perto,
tudo exala a energia mais efervescente e
contagiante de todos os blocos possíveis de carnaval.
o nosso enredo é lindo, meu amor.
e ele não se acaba com o findar da folia na quarta-feira de cinzas.
te faço uma poesia sobre amor e dedico Marília, enrolo minhas mãos no caos divino que é o teu corpo, imploro para ser amada por esse teu peito que não se envergonha de nada.
te eternizo nas minhas linhas e rezo para que eu viva em você, mesmo que não seja ao seu lado.
esse penhasco que cresce entre nós, mata, ao poucos, minha capacidade de se emocionar com a vida, com as pessoas, comigo.
o desafeto é rude e cruel, e carrega seu nome nas costas.