amor por você em nenhuma parte das minhas lembranças. Nada. ”
Deslizou as mãos pelas dobras do rosto, amassando a pele lenta e quase desesperadamente.
“ Vou enlouquecer. ”
“ Não, eu falo a verdade. ” Os óculos escuros libertaram os olhos para a luz, apertando-se em uma tentativa falha de recordar o que ocorrera antes de três dias atrás, mas nada lhe vinha à mente. Nem sequer um lampejo.
“ Acordei na casa do Demolidor. Quase o machuquei porque ⭌
O trem arrancou com um solavanco, e o movimento fez o vagão inteiro estremecer sob os pés. As luzes fluorescentes vacilaram por um instante, lançando sobre os dois uma sucessão de sombras pálidas. Do outro lado do vidro, a cidade desfazia-se em reflexos fragmentados, prédios ---
não o reconheci. Estou com memórias de Yelena Belova. 𝐸𝑙𝑒𝑠 … não sei quem podem ser, querem me fazer acreditar que não sou quem sou. Às vezes acho que sou ela, às vezes penso que sou eu … mas você não me reconhecer pelo toque confirma que não sou ela. Não existe ⭌
próximo quarteirão.
“ Você não vai conseguir nada de mim, porque não tenho nada para te dar além de pensamentos confusos e delírios … Solte minha mão. Eu não vou fugir. ”
Resistir. Não falhar.
A lembrança do coronel Starkovsky pairava sobre suas memórias como um eco de sua antiga vida, de seu antigo corpo. No entanto, como a Viúva poderia reagir diante de um homem que conhecia Natasha dos ossos até a alma? A língua umedeceu os lábios corados. ⭌
A resposta não o convenceu. O ex-militar sentiu os dedos dela se fecharem sobre os próprios antes mesmo de olhar para as mãos. O gesto era familiar na superfície — íntimo, quase provocativo —, mas havia qualquer coisa de minuciosamente calculada na maneira como ela o fez. ---
Perambulou de mãos dadas com ele, um disfarce carinhoso que mais parecia uma algema, até o último vagão do trem. Com a mão desocupada, fechou a pequena cortina que cobria a janela. Um trem para cair fora daquela cidade maldita—-provavelmente, agora, só iria até o ⭌
Entre o breve intervalo dos questionamentos mais cedo, na sede da shield, e aquele exato momento, Yelena havia estudado o que podia, devorando pequenos fragmentos de boatos perdidos no tempo e tudo aquilo de que tinha, de fato, conhecimento sobre a relação estranha e ⭌
Não sorriu. O nome pairou entre ambos, dissolvendo-se no estrépito da estação sem jamais ser verdadeiramente engolido por ele. Os azuis se moveram, percorrendo o rosto diante de si com a precisão de quem desmontava uma arma conhecida. Avançou em um único passo. A distância ---
ele a eliminaria ali mesmo, na frente de quem quer que estivesse disposto a assistir. A palma fria desceu até a mão masculina, já preparada para alcançar o gatilho, entrelaçando os dedos nos dele.
Foi então que parte do pequeno grupo de pessoas ali perto entrou no vagão. ⭌
Por trás dos óculos escuros, glóbulos esbugalharam-se em total e absoluta atenção. A caixa torácica aprumou-se, uma suave transição para a personalidade de seu receptáculo. Aquela voz, oh. Soldado Invernal.
A ruiva esfregou os olhos, cansada. O longo do dia fora um exaustivo ⭌
O som dos passos firmes atravessou o ruído da estação, cadenciado demais para se perder entre malas arrastadas, anúncios metálicos e o vaivém apressado dos passageiros. Surgiu entre duas colunas, o olhar imediatamente fixando-se nela. Não foi a expressão que denunciou e sim ---
teatro, e ela achou que teria ao menos um breve intervalo. Não— -não há tempo para respirar.
“ James. ” Lábios robustos cintilaram em um sorriso suave, expressões treinadas para uma cortesia ensaiada. Dobrou o papel e guardou-o no bolso do sobretudo. ⭌
Azulinas dilatadas por tamanho 𝙙𝙚𝙨𝙘𝙤𝙣𝙛𝙤𝙧𝙩𝙤 encaravam o mapa de Manhattan com confusão. O massacrante barulho da estação ferroviária a estressava mais do que ajudava.