Rapaz, ninguém toca mais no nome do Mário Frias, né? O cara tá foragido há mais de um mês recebendo dinheiro público e fica por isso mesmo. Falta quanto para ele perder o mandato?
Serena Joy é uma das personagens mais perturbadoras de O Conto da Aia porque mostra que o patriarcado nem sempre é sustentado apenas por homens.
Às vezes, ele também encontra mulheres dispostas a defendê-lo, desde que acreditem que ocuparão um lugar privilegiado dentro dele.
É por isso que tantas pessoas enxergam em Michelle Bolsonaro um símbolo semelhante.
Não porque ela viva a realidade de Gilead, mas porque seu discurso em defesa de papéis tradicionais para as mulheres e sua oposição a pautas feministas lembram a lógica representada por Serena, a de que a liberdade feminina pode ser sacrificada em nome da moral, da religião e da família.
O Conto da Aia deixa um alerta que continua atual, quando mulheres ajudam a legitimar projetos que restringem direitos de outras mulheres, não fortalecem a liberdade, fortalecem estruturas de poder que podem, um dia, limitar a liberdade de todas.
É essa reflexão que faz a personagem Serena Joy continuar tão presente no debate político e cultural.
METI O TEXTÃO
Sério que vocês caíram na isca da Michelle?
Para, gente. Respira. A mulher do réi pôdi gravou e publicou no Instagram VINTE E SETE MINUTOS ora de lábio trêmulo, ora de olhar esperançoso, falou em punhalada, em humilhação, em desrespeito e metade do Brasil correu pra abraçar a coitadinha. A esquerda comemorando a rachadura, a direita em pânico, todo mundo discutindo se o Flávio foi ríspido demais no telefone. E ninguém parou pra perguntar a única coisa que importa: por que agora?
Porque há uma cronologia bem clara.
Michelle Bolsonaro passou anos jurando de joelhos que só queria ser primeira-dama. Que protagonismo era coisa do homem da casa e que Jair era a cabeça e ela o corpo obediente, a auxiliadora, a que cuida. Aceitou o papel de moldura: estava ali pra apenas para adornar o quadro, nunca pra ser o quadro. Ficou caladinha anos a fio, segurando o teto de vidro por baixo pra não cair na cabeça de ninguém, engolindo as labaxúrias enquanto performava transe em culto sempre que dava voto. Foi organizar as mulheres, que, ela mesma diz, não tinham atenção do PL. Ela sabia onde tinha se metido e que jamais teria o lugar de cima. Isso tinha ficado escandalosamente claro, e ela tinha aceitado.
Até o Flávio abatumar.
Porque o filho 01 solou que nem bolo que deu errado. Foi flagrado pedindo cento e trinta e quatro milhões ao dono de um banco que a Polícia Federal liquidou por lavagem de dinheiro e que o senador chamava carinhosamente de “irmão” nos áudios. Negou conhecer o homem. Chamou repórter de militante. Botou camiseta dizendo que o problema era do Lula. E desmoronou em questão de horas quando os áudios vazaram, porque os áudios sempre vazam. A cada aparição pública uma contradição nova, a cada contradição uma trinca a mais no copo de cristal. Até bispo/pastor aliado já anda dizendo que evangélico não engole mentira e que tem debandada no rebanho.
E olha que coincidência: a espinha dorsal da boa moça com uma “missão” brotou exatamente aí.
Por que não um mês antes, quando ela ainda era a vice cogitada, a peça obediente do tabuleiro? A dignidade dela despertou no segundo exato em que a dignidade ficou eleitoralmente lucrativa, no instante preciso em que o nome que a atravancava começou a apodrecer no nicho que é dela, o evangélico, o feminino, o conservador devoto. Que timing divino, hein. Quase um milagre, uma daquelas missões que Deus, segundo ela, eventualmente lhe confia depois de muita oração e de uma conversa com o marido. Atenção à escolha de palavras: MISSÃO.
Aqui mora a parte que me diverte (e me dá ódio): a confissão escondida no meio da choradeira. Reparem em como ela se defende. Não diz “eu lidero as pesquisas, eu tenho mais de trinta por cento, eu mereço”. Diz que foi apunhalada, humilhada, que o enteado mandou ela ficar de fora das decisões do partido porque ela “chegou ontem e não entende nada de política”. A mulher mais bem posicionada da direita nas urnas se apresentando ao país como madrasta magoada. E mesmo a revolta ela ancora no macho: rompe com o filho jurando fidelidade ao pai, invoca a “ordem do líder”, denuncia “traição contra o Jair, venha de quem vier”. Até pra se rebelar precisa do aval do marido preso. A insubordinação dela é, ela mesma, um ato de obediência.
Mas essa palhaçadinha toda denuncia mais do que pretendia. Sem querer, Michelle legitimou uma narrativa que a esquerda repete há décadas e que o bolsonarismo nega de boca cheia: o conservadorismo não tem lugar pra mulher no poder. Não diretamente, não por mérito próprio, não sem um homem por trás assinando a procuração. E o detalhe trágico, quase bonito de tão cruel, é que a prova viva disso é ela. A mulher que fez carreira pregando a submissão feminina descobriu, ao vivo, em rede social, que a submissão também valia pra ela.
Oh! Que surpresa!
Como tem gente espalhando mentira, temos que lembrar que o Dia Nacional da Marcha para Jesus foi feito por nós em 2009, e que também fizemos a Lei da Liberdade Religiosa.
E o McDonald's que contratou Ronaldinho Gaúcho e o jogador mais caro do atualidade Lamine Yamal para fazer gol na logo da lanchonete. Advinha quem acertou o chute?
Como é? O Brasil tem um sistema melhor que o Zelle, que não é grátis e nem é a mesma coisa, e ele quer que o Brasil adote o Zelle e não o contrário? Pelo amor de Deus! Como alguém pode votar nestes canalhas?
A gente não tem um minuto de paz na desgraça desse país pós Bolsonaro! Senado aprovou criança ser mãe de estuprador. E a monstra dessa atrocidade é Damares Alves! As eleições desse ano precisam mudar esse cenário! É pelas nossas vidas e pelas vidas das nossas filhas
Antes de dormir: parabéns, @reporterthalys, pela sua postura ao abordar o Flávio Bolsonaro hoje e pegá-lo na mentira! Parabéns @opaulomm e toda a brava equipe do @TheInterceptBr por esse furaço que pode mudar os rumos políticos do país. O cuidado com a técnica jornalística em toda a reportagem é visível e salta aos olhos. Fizeram história. Viva o jornalismo independente!
Vale lembrar que o Daniel Vorcaro arranjou dinheiro para pagar o filme do Bolsonaro lesando:
1️⃣ aposentados que, por meio de institutos de previdência, investiram a aposentadoria em letras do Master
2️⃣ quebrando o BRB e, por consequência, o Distrito Federal
3️⃣ o sistema financeiro, que precisou torrar o FGC para cobrir taxas absurdas prometidas pelo Master
4️⃣ a República brasileira, com indícios claros de ter comprado todo tipo de poderosos para dar continuidade às fraudes
Logo, me parece difícil de sustentar a narrativa de um patrocínio privado lícito à cultura