Somente uma pessoa na arquibancada aplaudiu a decisão do árbitro de parar a partida por conta da conduta racista do atleta do Benfica contra Vinicius Júnior. Não é coincidência, é entender a dor do outro. Talvez isso explique por que Kompany concedeu uma entrevista de 12 minutos falando sobre o caso, enquanto Filipe Luís, Luis Enrique e outros treinadores preferiram se isentar da polêmica.
Filipe Luís, talvez até sem querer, tratou o caso de Vinicius como algo isolado. O 18º caso “isolado”. Um problema que já aconteceu na Espanha, em Portugal, na Inglaterra e também na América do Sul, inclusive na Argentina.
Recentemente, uma turista foi presa no Rio por fazer gestos racistas contra um garçom, e ainda assim surgem justificativas, como se a vítima tivesse provocado de alguma forma. É sempre a mesma narrativa.
Não dá para normalizar. Como muitos dizem, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista. Se esquivar do debate está longe de combater um mal que ainda corrói o planeta.
O futebol fica em segundo plano quando a violência toma conta. Violência por ser quem é. Violência repetida, recorrente. Violência quando a vítima é alvo, violência quando a vítima reage e denuncia a injustiça.
As cenas chocam e entristecem. Choca mais ainda saber que não é a primeira vez e que tão pouco tem sido feito para combater e impedir que isso se repita.
Dizer que racismo é crime é o óbvio. É preciso denunciar a violência que se repete e se intensifica. É preciso tomar atitudes concretas para combatê-lo no dia a dia.
@vinijr, estamos sempre com você. Milhões de rubro-negros, milhões de brasileiros, milhões de pessoas que se indignam quando alguém é vítima de violência.
Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhois que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país de racistas. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui.