O homem que usa a religião para conquistar o mundo, desperdiçará sua fé em troca do mundo, pois assim como Judas tornou-se religioso para ter o mundo, também vendeu a religião e o seu Senhor para o mundo (O peregrino - John Bunyan, pg.192)
Como se eu caminhasse pausadamente, descendo a montanha, e imaginasse que a estava subindo. Segundo a opinião pública, eu subia a montanha, e na mesma medida a vida saía de mim... (A morte de Ivan Ilitch - Tolstoi)
Debaixo das camadas mais superficiais de sua fragilidade, os homens querem ser bons e querem ser amados. Na verdade, a maioria dos seus vícios são tentativas de encontrar um atalho para o amor.
Só temos uma história. Todos os romances, toda a poesia, são construídos com base na interminável batalha entre nós mesmos e o mal. E ocorre-me que o mal precisa constantemente se recriar, enquanto o bem e a virtude são imortais.
Em toda a história os homens foram ensinados que matar outro homem é uma coisa má e um grande pecado. Mas pegamos um soldado e colocamos o assassinato em suas mãos e dissemos: “Use-o com sabedoria e mate tantos dos seus irmãos” (John Steinbeck - A leste do Éden, 1952, pg.69)
A guerra é considerada justa quando se trava para defender o território, mas os príncipes rapidamente encontram pretextos para chamá-la de justa quando desejam ampliar seus domínios. (Thomas More - A utopia, 1516)
Que vantagem há em um príncipe adquirir novos domínios, se não é capaz de manter em ordem aqueles que já possui?
Eles não pensam em tornar felizes os povos que governam, mas em aumentar seus territórios, ainda que isso traga miséria tanto aos vencidos quanto aos vencedores.
[…] O mal pode se tornar banal quando os seres humanos deixam de pensar […] Quando ninguém mais pensa, ninguém mais julga. E, sem julgamento, o mal se torna possível […] A ausência de pensamento é o que permite que o mal floresça (Hannah Arendt - Eichmann em Jerusalém, 1963)
“Muitos que vivem merecem a morte. E alguns que morrem merecem viver. Você pode dar-lhes a vida? Então não seja tão ávido para julgar e condenar alguém à morte. Pois mesmo os muito sábios não conseguem ver os dois lados” (JRR Tolkien - The lord of the rings, 1955)
[…] nem tudo o que é humano merece que se lhe dê muita importância; e o que poderá acudir-nos mais rapidamente é entravado pelo desgosto. (A república - Platão, 400ac, pág.304)
o que há de mais belo é conservar a calma o mais possível nas desgraças e não se indignar, uma vez que não se sabe o mal e o bem que há em tais acontecimentos, nem se adianta nada, positivamente, em os suportar com dificuldade […]
O povo tem sempre o costume de pôr uma pessoa qualquer à sua frente, fomentando o desenvolvimento da sua grandeza, e é evidente que, quando a tirania se origina, é da semente deste protetor, que ela germina, bem como o começo da transformação do protetor em tirano.
É natural, portanto, que a tirania não se estabeleça a partir de nenhuma outra forma de governo que não seja a democracia, e, julgo eu, que do cúmulo da liberdade é que surge a mais completa e mais selvagem das escravaturas. (A república - Platão, 561ac, pg.261)
Porventura não é a ambição daquilo que a democracia assinala como o bem supremo (liberdade) a causa da sua dissolução?
A liberdade em excesso, portanto, não conduz a mais nada que não seja escravatura em excesso, quer para o indivíduo, quer para o
Estado (A república - Platão)