Eu não aguento mais viver momentos históricos.
“Não vai ter golpe” — teve.
“Fora Temer” — ele ficou.
“Lula Livre” — foi preso.
“Ele Não” — ele se elegeu.
“Ninguém solta a mão de ninguém” — todo mundo soltou.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém ” — provavelmente vai caber.
O homem que marcha sem ver.
Na escultura de Banksy em Waterloo Place, a cena pode parecer familiar. Mas é aí que começa o desconcerto. Um homem de terno, postura firme, peito projetado, avança como se encarnasse a segurança das instituições e a lógica ordenadora do poder moderno. Mas algo falha.
O detalhe que rompe a leitura imediata é a bandeira. Em vez de signo de identidade e visibilidade, ela cobre o rosto do personagem. Não há olhar. Não há direção consciente. O homem avança, mas está cego, e essa cegueira não é acidental, é estrutural, pois a bandeira deixa de ser um emblema e passa a operar como véu.
A escolha do lugar intensifica o gesto. Waterloo Place, concebida como um palco de celebração do poder imperial britânico, abriga monumentos que fixam a memória da vitória, da ordem e da hierarquia. Ao inserir ali uma figura contemporânea à beira da queda, Banksy não confronta diretamente esses símbolos, ele os desloca, e introduz uma dissonância que contamina o conjunto: se este corpo pode cair, que solidez resta ao contexto que o cerca?
Há, ainda, uma torção na linguagem do monumento. A escultura tradicional imobiliza o herói num gesto eterno, incontestável. O que vemos não é a glória consolidada, mas o momento anterior ao fracasso. Uma suspensão carregada de tensão. O pedestal já não garante permanência; apenas adia a queda.
E o homem de terno não é um general, nem um personagem histórico identificável. É um tipo reconhecível, ou seja, o cidadão respeitável, o agente da normalidade institucional. Banksy desloca o alvo: o poder não reside apenas nas figuras militares ou nos episódios épicos, mas na repetição cotidiana de gestos não questionados, na adesão automática a símbolos que dispensam reflexão.
A obra não é estridente. Ela insinua e pergunta, sem formular: o que acontece quando marchamos sem ver? Quando os símbolos que deveriam orientar tornam-se mecanismos de ocultação? Quando a convicção substitui o pensamento?
Talvez a força desta escultura esteja justamente no que ela não mostra: a queda. Ela permanece suspensa, iminente, inevitável, como um aviso silente, vez que o perigo não está apenas nos impérios do passado, mas na facilidade com que continuamos a marchar, de olhos cobertos, acreditando estar firmes quando, na verdade, avançamos no vazio.
@Flamengo Estará sempre presente na torcida, que tanto inspirou ao longo dos anos com seus textos incríveis e sua personalidade singular. Um verdadeiro Mestre!
O Zema, governador de MG, cortou 95% da verba de combate às enchentes nos últimos 3 anos!
- 2023: 135 milhões
- 2024: 41 milhões
- 2025: 6 MILHÕES
Enquanto isso, deu 1 BILHÃO por ano em isenção fiscal para a Localiza, de Salim Mattar. E aumentou em 300% o próprio salário!
Duas imagens.
Mesma cidade.
Mesmo país.
Mas, curiosamente...
Aí, quando alguém fala em cota racial,
Sempre aparece um especialista instantâneo em “meritocracia”.
Se você acha que todo mundo largou do mesmo ponto, ou você não conhece a história… ou finge que não conhece.
Conservadores dizem defender crianças e famílias, mas só se mobilizam por pautas fantasiosas como “kit gay” e “banheiro unissex”.
Questões REAIS como casamento infantil, relativização do estupro de vulnerável e o fim da escala 6x1, que fortaleceria os vínculos por dar mais tempo para pais e mães ficarem com os filhos, eles ignoram.
Cristãos conservadores não se escandalizaram com a pedofilia, caso com atriz pornô e os atos de corrupção de Trump;
Fingiram não ver que a Lagoinha projetou o Vorcaro e tem entre seus pastores o braço direito dele, Fabiano Zettel. Ambos pivôs do escândalo do Banco Master...
Ignoraram a corrupção de Bolsonaro e seus filhos, as 700 mil mortes na pandemia, a defesa aberta da tortura, os elogios a Ustra, a apologia das milícias, o envolvimento com milicianos...
Eles fizeram vistas grossas para Sóstenes Cavalcante movimentando milhões por meio dos seus assessores e guardando quase meio milhão, em dinheiro vivo, em casa...
Os cristãos conservadores estão indignados por serem representados, no carnaval, em latinhas de conserva.
Eu também. Melhor seriam em privadas.
Quando ele ganhou a Champions, todos se emocionaram com a trágica história da filha dele. Isso se chama empatia, justamente o que faltou a ele nesse caso.
Mas a explicação talvez seja bem simples: é dessa forma que a Europa, no geral, trata o racismo. Basta ver as atitudes e declarações e o que a UEFA NÃO faz para combater o crime. Pelo contrário, invertem a culpa e jogam na vítima. Esse é mais um exemplo cristalino.
"Ahh mas ele não é obrigado a falar..." ele é líder de um time, um dos grandes treinadores do futebol mundial e deveria falar, sim. Mas o que ele pensa é isso daí: "não é nada importante".
O combate ao racismo é uma luta travada, de verdade, aqui e em outros poucos lugares. Basicamente são ilhas isoladas em um mundo totalmente enraizado na discriminação racial.
Mas vocês queriam o quê? Empatia, consciência e antirracismo de quem, ainda em 2026, pensa como o colonizador que trazia e explorava escravos aqui? Menos, né, gente!
Diretora de filme sobre menina palestina assassinada por "israel" rejeita prêmio de "Cinema pela Paz" após cerimônia homenagear general israelense: "Paz não é um perfume a ser usado para encobrir a violência"
A cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania, diretora de "A Voz de Hind Rajab", recusou o prêmio de "Filme do Ano" no evento "Cinema pela Paz" em Berlim. A cerimônia homenageou o general israelense Noam Tibon e tinha entre os presentes a ex-secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton.
Em discurso histórico, Ben Hania afirmou que o cinema não pode ser usado para higienizar o genocídio em Gaza, apontou a presença de facilitadores do extermínio de palestinos por "israel" na cerimônia e prometeu voltar para aceitar o prêmio quando "a busca pela paz for baseada na responsabilização pelo genocídio".
"Se você fala de sociedade, você fala de política. Eu não entendi o discurso do Wenders, na verdade.
Wenders fez ‘Asas do Desejo’, sobre Berlim dividida. Não entendi o que aconteceu. Não sei como responder.
Para mim, é tão natural. Eu nunca iria para um festival e diria ‘não vou falar de política', ‘não vou falar usando consoantes’. Consoantes fazem parte do discurso, da construção das palavras.
Eu, o Wagner Moura, a gente tem falado muito sobre isso. Lembrar, no Brasil, é um ato político."
Kleber Mendonça Filho,
Ao responder Wim Wenders ao dizer no Festival de Berlim que não falaria sobre o Genocídio em Gaza 🇵🇸✊🇧🇷