Eu estou vendo mt gente apontando que o pentecostalismo está destruindo o futebol, a polícia, a política e a verdade é que esse movimento está destruindo a sociedade como um todo. Não tem UMA esfera sequer q escape.
Tá na hora de acordar.
@launfr Quando eu paro de gostar, eu só deixo de escutar e vou ouvir algo que cause identificação no momento. É doentio como essas pessoas gastam tanto de seu tempo e energia para produzir discursos de ódio.
Sobre a atuação da CIA e dos Estados Unidos para implementar o neopentecostalismo na América Latina:
Embora pareça teoria da conspiração, não é. Os Estados Unidos ativamente trabalharam, na década de 1980, para disseminar o neopentecostalismo na América Latina. O objetivo era, a princípio, barrar a Teologia da Libertação, uma corrente católica que incorpora elementos de esquerda e tem como princípio norteador diminuir as injustiças e desigualdades sociais.
O Relatório de Santa Fé (1980), produzido pelo Council for Inter-American Security, um think tank ligado à campanha do Ronald Reagan, afirmava que a política externa americana deveria "começar a contra-atacar (e não apenas reagir) a Teologia da Libertação". O documento tratava a Igreja como instrumento político e a corrente progressista como vetor de infiltração marxista na América Latina, que era disputada entre as potências bipolares da Guerra Fria.
Também é amplamente documentado o apoio de operações americanas a governos que perseguiram clero católico progressista, como a Guatemala sob Ríos Montt, El Salvador durante o assassinato de Romero e das freiras americanas, Nicarágua com o financiamento aos Contras (guerrilha armada).
Missões protestantes em solo latino-americano não foram raras. Ao contrário, se tornaram cada vez mais comuns e, por fim, começaram a influenciar a própria Igreja Católica, turbinando a já existente Renovação Carismática Católica (RCC), que incorpora elementos protestantes e neopentecostais. É na década de 1980 que começam a ganhar força os grandes movimentos da RCC no Brasil (como a Canção Nova e a Comunidade Católica Shalom), muito pela legitimação internacional que receberam (dos EUA, que impulsionavam práticas neopentecostais e queriam ocupar espaço na América Latina e, também, do Vaticano, que queria parar a Teologia da Libertação).
Aí surge uma competição entre Teologia da Libertação x Neopentecostalismo no Brasil e na AL. Quem ganharia?
Quem venceu foi a teologia da prosperidade, uma das partes importantes do neopentecostalismo.
Começa pela geografia. Um templo neopentecostal fica a três quadras, abre todo dia, e o culto acontece à noite, depois do turno. A paróquia católica fica a quarenta minutos de ônibus e celebra missa obrigatória aos domingos. O Brasil tem cerca de 1 padre para cada 10 mil católicos. A razão pastor/fiel do lado evangélico é uma ordem de grandeza menor. Onde a Igreja Católica não chega, alguém chega.
Aí, vem a hierarquia. Um homem sem escolaridade formal entra como obreiro, vira diácono, pode virar pastor. Ganha título, terno, microfone, autoridade sobre outras pessoas. Para o mesmo homem, a Igreja Católica exige seminário (3 anos de graduação em Teologia + 3 anos de graduação em Filosofia), latim e celibato obrigatórios.
Há também um efeito material que, inclusive, tá documentado por pesquisadores. A Cecília Mariz e a Elizabeth Brusco mostraram que a conversão pentecostal redireciona o salário do boteco para dentro de casa. O marido para de beber, para de bater, e a renda familiar sobe. No Brasil, em geral, mulheres convertem primeiro e trazem o marido depois.
E há, ainda, a rede de apoio. Emprego, empréstimo, creche, indicação, carona, doação de alimentos, escolinha dominical. Numa periferia onde o Estado não chega, a igreja neopentecostal chega.
A Teologia da Libertação, que era a frente católica mais próxima às perfiferias, oferecia um diagnóstico estrutural com promessa de longo prazo, mediada por organização política. As frentes católicas pediam que o pobre se reconhecesse como classe e agisse coletivamente. Numa favela dos anos 1990, entre desemprego, cocaína e milícia (que estavam em alta em toda a América Latina), venceu quem prometeu resolver hoje, não quem prometeu resolver coletivamente.
As missões neopentecostais vieram para a América Latina com o objetivo de substituir o catolicismo "marxista", mas acabaram rachando ainda mais a sociedade. Enquanto as classes econômicas mais privilegiadas continuaram católicas, as classes mais vulneráveis encontraram amparo no neopentecostalismo.
Só que aí a gente volta no ponto inicial, que eu fiz no meu primeiro post sobre isso: o catolicismo sempre foi comunitário, coletivo e, a nível individual, sempre exigiu responsabilização do indivíduo por seus erros, além de exigir a revolta com as coisas que são ruins na teologia da libertação. No catolicismo, você alcança a salvação confessando seus erros e tentando não cometê-los novamente.
A lógica neopentecostal que bebe da predestinação calvinista e de princípios arminianos é oposta a isso. Seus êxitos vêm do seu esforço (porque a teologia da prosperidade é arminiana e aceita a ascensão positiva pelo dízimo, pela fé e pelo esforço), mas suas falhas são "plano divino" (porque existem elementos de predestinação como mecanismo de cope para situações negativas). Exceto, é claro, quando a comunidade decide humilhar a pessoa: aí você fracassou porque teve pouca fé, pagou pouco dízimo e tem o demônio no corpo. Mas se você é pobre, se você perdeu o emprego, se seu marido é alcoólatra e abandona você e seus filhos... Tudo isso é plano divino, Deus já predestinou sua vida.
Sobre o futebol e a política:
A questão não é que jogador/político A ou B, lá em 1990, já usava camisa enaltecendo Jesus Cristo. O problema não é a fé individual dos jogadores.
A questão aqui é que o neopentecostalismo se dissemina social e culturalmente na América Latina e, principalmente, no Brasil. É uma maneira de pensar, uma maneira de construir imaginário coletivo e influenciar a sociedade.
O imaginário coletivo é cada vez menos responsável por suas falhas, confessa cada vez menos seus erros e se individualiza cada dia mais. Afinal, os meus êxitos ocorrem porque eu tenho muita fé em Deus; as milhas falhas ocorrem porque Deus sabia o que era melhor para mim e, assim, eu só me responsabilizo pelas coisas boas. As coisas ruins não são culpa minha, não me geram revolta, não me deixam desconfortável, não me tiram do lugar. Elas apenas são o que são.
É assim que a América Latina caminha.
@DieHardAguia Será que as religiões de outro gênero, como você a elas se referiu, estão tentando influenciar a política, tentando impor suas crenças? Estão na psicilogia, orando em vez de realizar atendimento? Mandando tomar inverctina para curar doenças causadas por vírus?
Ontem os bolsonaristas disseram que mulher não sabe votar, hoje o presidente do PL afirmou que mulheres não podem ser presidentes. E amanhã? Vão querer cassar o voto delas? O que mais? O bolsonarismo não é apenas uma posição politica, é um retrocesso civilizatório!
É triste que as pessoas sejam tão ignorantes sobre o tipo de efeito social que a religião causa nesse nível.
Historicamente, católicos e evangélicos neopentecostais diferem em muitas coisas, mas um dos principais pontos de divergência é a forma como enxergam a glória eterna e a relação entre sucesso, responsabilidade e salvação.
A glória, no catolicismo, tem um caráter comunitário. Não há glória, salvação ou sucesso desvinculados da comunhão com o outro. O individualismo é condenado e, embora a providência divina também faça parte da doutrina, a responsabilização é profundamente pessoal. Deus sabe de todas as coisas, mas o livre-arbítrio continua sendo um princípio central. Você faz escolhas diante da sua comunidade e da sociedade, e são essas escolhas que geram consequências. Se você falhou, falhou porque fez escolhas ruins, porque não fez o suficiente ou porque negligenciou seus deveres para com o coletivo.
No neopentecostalismo, a lógica tende a ser outra. A vitória é, antes de tudo, individual. Você vence porque fez a sua parte, e Deus recompensa sua fé organizando os acontecimentos conforme Sua vontade. Se você perdeu, perdeu porque lhe faltou fé ou porque Deus decidiu que aquele não era o momento. A teologia da prosperidade, que ocupa um papel central em boa parte do neopentecostalismo, reforça justamente essa leitura individualizada da relação entre fé e sucesso.
Tudo isso produz disposições morais diferentes nas pessoas e, consequentemente, nos próprios jogadores. Se você vence, foi porque Deus quis. Se perde, foi porque faltou fé ou porque Deus assim determinou. A derrota deixa de ser, em primeiro lugar, um problema de responsabilidade pessoal, de senso de comunidade ou de compromisso com o coletivo.
O discurso, inevitavelmente, tende a ser mais: 1) egoísta, porque o foco está na relação individual entre o fiel e Deus; e 2) receptivo à derrota, porque ela deixa de ser interpretada como consequência das próprias escolhas e passa a ser entendida como parte do plano divino.
Esse é o Brasil que vem sendo construído nas últimas décadas. Somos, da política ao futebol, cada vez mais egoístas, individualistas e menos responsáveis pelas consequências comunitárias de nossas ações.
tem um documentário inteiro falando como a CIA infiltrou evangélicos em comunidades pra sufocar o catolicismo da teologia da libertação no Brasil e América Latina.
O protestantismo acabou não só com o futebol, mas com todo o nosso tecido social e político.
Coisas que os crentes neopetencostais destruíram no Brasil:
- Futebol
- Novelas
- Celebração do Folclore
- Música Sertaneja
- Arquitetura
- Ludmilla
- Senso de fraternidade
- dia de Cosme e Damião
- Dia do Árvore
Próximos da lista:
- Ensino superior
- Pagode
- Funk
Galera, só não desassociem o neopentecostalismo do neoliberalismo, não é coincidência que uma doutrina religiosa que prega o individualismo, a “prosperidade” e a meritocracia tenha ganhado força durante um regime econômico que ideologicamente se baseia nisso também. Já dizia Margaret Thatcher: não existe sociedade, apenas uma soma de indivíduos
O neopentencostalismo é o principal motivo pelo declínio da sociedade brasileira. Desde a cultura à arquitetura. Desde o futebol à música.
A revolução cultural é urgente porque a gente está deixando de se reconhecer como nação de cultura diversa.
https://t.co/eIiCtRB1Y2
Uma das piores heranças que o Bolsonarismo deixou nesse país foi o ódio contra programas sociais que são de extrema importância pra milhões de brasileiros não passarem fome. Conseguiram convencer boa parte do povo que o problema do Brasil é quem recebe míseros 600 reais por mês
Nosso País é laico, mas o bolsonarismo acabou metendo religião em todo lugar. Deu nisso que tá aí, que tem até grupo criminoso de vertente evangélica. No caso deste vídeo, a Promotora age conforme a Lei, não cabe enfiar religião em evento jurídico. O Brasil não é teocrático.
55 anos de escravidão e uma “indenização” em torno de R$ 200 mil para não enriquecer ilicitamente. Esse valor dividido pelos meses em situação de escravidão equivale a cerca de R$ 303 por mês. Isso não é justiça, é a banalização de uma das mais graves violações à dignidade humana