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Muita gente me perguntou o que eu penso sobre a Marie Claire ter eleito Érika Hilton como Mulher do Ano.
Como feminista, vejo essa escolha como um marco importante, não apenas para Érika, mas para o próprio debate feminista no Brasil.
A Marie Claire é uma revista tradicionalmente voltada às pautas das mulheres, e quando uma instituição desse porte reconhece uma mulher trans, negra e periférica como uma das figuras femininas mais influentes do ano, isso diz muito sobre o momento que estamos vivendo.
Diz que o feminismo está em movimento.
Diz que nossos entendimentos sobre mulheridade estão se ampliando.
Diz que não é mais possível ignorar quem sempre foi empurrada para fora da conversa.
A escolha da Érika não é um gesto simbólico vazio. Ela tem atuação política concreta, enfrenta diariamente violência institucional e ataques transfóbicos, e ainda assim segue ocupando espaços que muitas tentaram impedir que ela chegasse.
A Marie Claire reconhecer isso é reconhecer que o feminismo real precisa ser inclusivo, interseccional e atento às desigualdades que atravessam nossos corpos.
Para mim, esse prêmio envia um recado claro, que
não vamos voltar para o feminismo excludente, que define quem é mulher pela régua do patriarcado.
Quando uma revista feminina afirma publicamente que uma mulher trans é Mulher do Ano, ela ajuda a deslocar o centro do debate para onde deveria estar, na proteção da vida, na ampliação de direitos e na luta contra todas as formas de violência de gênero.
Se a conquista de Érika incomoda tanto alguns setores, isso só reforça o quanto ainda precisamos avançar.
Eu, pessoalmente, celebro, porque vejo nessa escolha um avanço político, cultural e feminista.
É esse o feminismo que eu defendo! Um feminismo que não exclui, que não retrocede e que reconhece a força de todas as mulheres.
Segue a lista completa:
✔️Érika Hilton – política, direitos humanos
✔️Djamila Ribeiro – filosofia, pensamento antirracista
✔️Alessandra Orofino – inovação democrática e políticas públicas
✔️Maria Rita Kehl – psicanálise e debate público
✔️Joênia Wapichana – liderança indígena e atuação jurídica
✔️Maria da Penha – referência histórica no combate à violência doméstica
a mulher 1km abaixo e conseguiram resgatar o corpo mas juraram que era muito difícil o resgate quando ela tava ainda só há 150/300m e foi deixada pra morrer. que ódio, cara.