Renan Santos descobriu que, no Brasil progressista, existe um crime mais grave do que roubar dinheiro público: ter sido jovem sem autorização da comissão de bons costumes.
Hoje, Malu Gaspar resolveu transformar viagem, paquera e conversa de homem solteiro em “turismo sexual”. Maria Cristina Fernandes acompanhou a procissão. Ontem, Renata Vasconcellos já havia tentado empurrá-lo para o confessionário da misoginia. Na semana passada, Natuza Nery e Andréia Sadi ensaiaram a mesma liturgia.
É curioso porque o ritual só começa depois que acaba a política. Renan discute segurança, economia, reforma do Estado, facções, relações internacionais. Responde, argumenta, suporta interrupções e ainda trata as entrevistadoras com uma educação quase irritante.
Aí acaba o Estado brasileiro e começa a investigação da alma.
Com quantas mulheres saiu? O que disse aos vinte e poucos anos? Fez piada? Achou uma loira bonita? Meu Deus, chamem a Polícia Federal.
Essa elite progressista, que passou décadas zombando do moralismo religioso, conseguiu realizar uma proeza histórica: inventou um moralismo ainda mais chato. Trocou o padre pelo colunista, o pecado pelo “comportamento problemático” e o confessionário pelo estúdio de televisão.
E não se iluda: a direita identitária faz exatamente a mesma coisa. Também procura pecado, heresia, frase proibida, comportamento impuro. Ambos os lados descobriram que é muito mais fácil declarar o adversário moralmente indigno do que derrotar sua ideia.
É uma arrogância extraordinária. E profundamente desumana.
Porque ninguém atravessa juventude, desejo, vaidade, sexo, raiva, humor e estupidez saindo com ficha moral de santo. Só os hipócritas conseguem apresentar uma biografia sem manchas — geralmente depois de editá-la.
Discordar de Renan exige discutir suas ideias.
Desmoralizá-lo exige apenas procurar uma frase antiga.
E assim a política brasileira vai ficando cada vez mais religiosa.
A diferença é que agora todas as igrejas são ateias e cada tribo trouxe sua própria fogueira.
Não vou tentar contra argumentar, nem falar nada contra a thrend do cidadão aí, só vou falar algo pesado:
Nunca vou conseguir acreditar, e provavelmente nunca acreditarei, que quem apoia essas merdas acontecendo com o Discord, e ainda prestes a acontecer com outras plataformas, se importa com criança de verdade. por mim, nunca se importaram. Só está se importando agora porque a causa veio embalada, com foto, com nome, com manchete e com a chance de parecer pessoa boa sem ter que fazer o trabalho sujo de verdade. Censurar ferramenta muito é fácil, baratinho e rende aplauso dos iludidos que acham que o governo se importa mesmo. Por isso a causa explodiu agora e não antes. Não foi a criança que mudou. Foi o palco.
Se a preocupação fosse real, a primeira pergunta não seria “como a gente restringe o Discord”. Seria “onde estavam os pais, onde estava a supervisão, por que a criança de treze anos estava sozinha numa live com gente que a coagiu, e por que o mesmo Estado que agora se veste de protetor continua falhando em prender, punir e impedir o criminoso de migrar”. Mas essa pergunta não dá like. Essa pergunta devolve a culpa pra casa. E casa é o último lugar que essa gente quer olhar.
É muito cômodo descobrir o amor pelas crianças exatamente na hora em que dá pra apontar o dedo pra plataforma, pra empresa, pra ANPD, pra “falha estrutural”. Cômodo porque tira o peso de quem realmente tinha o dever de cuidado, transforma negligência em cruzada e ainda permite que o apoiador se sinta moralmente superior sem ter que abrir mão de nada concreto na própria vida.
A prova está no padrão, não no discurso. A mesma pessoa que hoje fala em “segurança infantil não é negociável” não sustentava essa urgência quando o crime acontecia em silêncio, em grupo fechado, sem holofote. Não sustentava quando era dark web, Telegram, Instagram, WhatsApp ou qualquer lugar que não estivesse na tendência da semana. A indignação aparece quando tem microfone. Some quando a pauta esfria. Isso não é cuidado. É performance.
E tem um detalhe ainda mais feio. Usar a morte de uma criança como argumento moral automático é a forma mais eficiente de calar os outros. Quem discorda vira monstro. Quem aponta seletividade vira cúmplice. Quem fala em responsabilidade dos pais vira insensível. No Fundo, muitos que apoiam isso pensa assim: ou você aplaude a restrição, ou você não ama as crianças. Essa é a lógica de quem precisa da virtude alheia mais do que da proteção real.
Proteção real seria prender o criminoso, punir de verdade, exigir que a plataforma coopere com investigação sem transformar milhão de usuário comum em dano colateral, e admitir o que ninguém quer admitir: muita criança entra nesse tipo de ambiente porque tem dois ou mais idiotas na casa que não impede. São idiotas porque não entendem que existem filtro, controle parental, bloqueio, supervisão. Quem quer usar, usa. Quem não usa e depois grita contra o aplicativo está tentando terceirizar a culpa nos outros sendo que a culpa principal é deles e não de plataformas.
Com isso, A plataforma vira bode expiatório. O Estado vira salvador. O apoiador vira santinho. E a criança, no fim, continua desprotegida no único lugar que realmente importava: a própria casa.
Então sim. Por mim, quem apoia isso ta pouco se fudendo pra criança. Nunca ligou. Só está ligando agora porque ficou bonito ligar, deu pra postar e pra parecer decente e porque deu pra jogar a responsabilidade em cima de todo mundo, menos de quem tinha o dever mais básico do mundo que é cuidar do próprio filho. É fácil comprar a imagem de protetor barato, com a dor de alguém que não volta mais.
E eu vou dizer uma coisa: se houve negligência dos pais naquele caso da criança de morreu, espero que eles nunca fujam da responsabilidade que tiveram nisso. É muito fácil transformar uma plataforma no grande culpado depois da tragédia, mas é muito mais difícil é encarar a possibilidade de que quem tinha o dever mais básico de proteger aquela criança também falhou, e falhou gravemente.
@wellingt0nbobo Acho que a gente que ta com cérebro derretido demais, se tu pegar aqueles filme de velho oeste de 50 anos atrás é papo de 2 minutos do cara sentado na cadeira com som do vento de fundo e estática. A gente que desaprendeu a aproveitar o silêncio mesmo
@meupcideal@PhoenixBR Repo, Pizza Tower, Oxygen not included e etc, se der uma visitada na steam tu acha centenas. Não é nenhum triple A, mas triple A nunca foi o carro chefe da Steam, povo quer a qualidade e acessibilidade dos jogos da steam e o conforto do console.
@meupcideal@PhoenixBR Ué pô, se exclusivo são os jogos que só tem em uma plataforma então a Steam vai ser a maior biblioteca de exclusivos de todos já que entre todos os consoles (Sony, Xbox e switch) os jogos de Pc só vão rodar na Steam