"Seu motorista viu. Seu jardineiro viu. Sua empregada doméstica viu". Lula responde Senadora que questionou que ninguém viu melhorias no país com o Lula presidente.
Um bando de esquisitões e incels dos EUA está atacando a atriz brasileira Bruna Marquezine por acharem que ela é trans.
E, pela milésima vez, tivemos a prova de que a transfobia não afeta apenas as pessoas trans.
A transfobia pode afetar qualquer pessoa diferente dos padrões estabelecidos em determinada sociedade. Especialmente as mulheres não brancas.
Nos EUA, ao verem a Bruna Marquezine, com traços que o povo de lá enxerga como traços latinos, andando ao lado de Shawn Mendes, um bando de fracassados que passa o dia na internet atacando pessoas trans decidiu que Bruna Marquezine é uma de nós, e que ela deve ser atacada por isso.
E, definitivamente, não é a primeira vez que isso acontece com uma mulher cis.
No ano passado, a brasileira Thais Matsufugi, uma mulher cis com traços japoneses, após estrelar uma campanha publicitária para o jogo Assassin's Creed, causou ira em parte da comunidade gamer mundial por acreditarem que ela era uma mulher trans.
Uma mulher trans no joguinho deles 🤯‼️
E, graças ao terrorismo e às mentiras da direita, isso já acontece no Brasil, especialmente nos banheiros.
Também no ano passado, a personal trainer e fisiculturista Kely Moraes, uma mulher cis e negra, foi impedida de usar o banheiro feminino de uma academia por um casal estridente, desesperado com a possibilidade de uma mulher, que eles achavam ser trans, usar o banheiro em paz.
É isso que a transfobia produz. Nós, pessoas trans, somos apenas algo entre 2 e 4% da população.
Mas somos tratadas, nas narrativas cruéis da extrema-direita, como as maiores ameaças da sociedade, que estamos dominando o mundo e que estaremos em qualquer banheiro que você cogite entrar (como se isso fosse um grande problema).
O resultado disso é uma paranoia, uma caça às bruxas que, na falta de uma mulher trans pra queimar, vai vitimar os alvos mais fáceis: mulheres cis negras, latinas, indígenas, asiáticas, lésbicas, com deficiência, fora do padrão de beleza, fortes demais, altas demais, com voz grossa demais, inférteis demais.
Mulheres que já foram consideradas menos mulheres, ou até mesmo não-humanas, ao longo da nossa história, serão tratadas como inimigas.
Pois a base do discurso transfóbico é a noção de que determinado grupo, com base em suas características corporais e biológicas, deve ter determinado futuro, deve exercer determinada função, deve morrer ou então viver uma vida sem direitos.
Por isso, se você, principalmente mulher cis, apoiar esse discurso, peço que raciocine por um mísero instante.
Se o plano da extrema-direita der certo, e todas nós, mulheres trans, formos exterminadas da face da terra, você acha que está a salvo de ser o próximo alvo?
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