Talvez o mais grave não seja o que estamos assistindo. É a sensação de que, ao final, nada acontecerá. Acusações, escândalos, silêncio. E tudo será esquecido. Uma República começa a se perder quando seus cidadãos deixam de acreditar que ainda existem limites.
Quem se incomoda com o sucesso alheio, geralmente, está diante de um espelho incômodo: o da própria frustração.
Criticar quem venceu é fácil. Difícil é encarar a própria mediocridade.
A polêmica com a filha do Roberto Justus revela uma das maiores doenças do brasileiro: a repulsa ao sucesso.
Chamam de ostentação o que, na verdade, é apenas alguém usufruindo do que tem - com o próprio dinheiro.
Não é a filha do Justus que ameaça o país — são os que desviam verbas, superfaturam contratos e viajam com dinheiro público enquanto hospitais e escolas desabam.
O verdadeiro escândalo não é quem gasta com luxo, mas quem usa dinheiro público para isso.
Quem toma as dores de movimento terrorista não defende direitos humanos.
Quem milita por governo teocrático não pode cobrar laicismo de ninguém.
Quem apoia ditadura não é democrata.
Quem acredita num suposto direito cultural à violência contra a mulher não é humanista.
Quem acredita num suposto direito cultural à violência contra LGBTs não é progressista.
Quem é antissemita não é antirracista.
Quem apoia o Estado da Palestina, mas se opõe às bandeiras de Taiwan, Xinjiang, Tibete, Ucrânia e Hong Kong, não tem compromisso com a autodeterminação dos povos.
Numa era em que a incoerência move os discursos políticos, dizer o óbvio é um ato revolucionário.
Em matéria política, você não é aquilo que diz que é: você é aquilo que defende. E quem é apologista de violência não é moderado – é extremista.