No terceiro aniversário da morte de um amigo que era podre de rico, meu telefone tocou.
Era o número dele.
Fiquei olhando para a tela até a ligação cair. Depois, chegou uma mensagem:
“Pode atender. Sou eu.”
Achei que fosse golpe. Alguém tinha conseguido o número antigo e encontrado minhas fotos com ele.
Respondi:
“Vai procurar outra pessoa pra atormentar.”
Os dois risquinhos ficaram azuis.
“Você ainda guarda o relógio que pegou de mim?”
Senti o rosto esquentar.
Eu tinha pegado aquele relógio numa viagem, vinte anos antes, ao invés de pegar o meu. Ele me viu usando no dia seguinte e caiu na gargalhada. Disse que eu podia ficar com ele, mas que ia me chamar de ladrão pelo resto da vida.
Nunca contamos isso a ninguém.
O telefone tocou outra vez.
Atendi.
Antes de qualquer palavra, ouvi aquela risada curta, meio sem ar.
— Demorou, ladrão.
Sentei no chão da cozinha.
Eu tinha carregado o caixão dele.
— Isso não é possível.
— Eu sei. Preciso que você me escute até o fim.
A voz falhava um pouco. Havia um chiado no fundo.
— Amanhã vão te procurar para vender minha casa. Não assina nada antes de ir até lá.
Fazia três anos que eu tentava vender aquela casa. Ele tinha deixado o imóvel para mim, junto com uma conta suficiente para pagar as despesas. Era a única parte da herança que não tinha ficado com a família.
— Quem está falando?
— Vai até a casa. Abre a gaveta de baixo da minha mesa. A chave está dentro do relógio.
Olhei para o meu pulso.
— Como assim, dentro?
Mas a ligação caiu.
Passei a madrugada tentando retornar.
Número inexistente.
Às oito e quinze da manhã, o advogado dele me ligou.
Havia um comprador para a casa.
Disse que pagaria o dobro do valor, à vista, desde que eu assinasse naquele dia.
Falei que precisava pensar.
Depois peguei uma faca de ponta fina e abri a tampa traseira do relógio.
A chave caiu na mesa.
Dirigi quase três horas sem ligar o rádio.
Na casa, encontrei a gaveta trancada. Dentro havia um celular conectado a um carregador, um envelope e uma fotografia nossa, ainda adolescentes.
O celular tinha uma única conversa.
Comigo.
As mensagens da noite anterior estavam ali.
Abri o envelope. Era a letra dele:
"Pesquisa no Google: Bolsonaro mandou matar Lula?"
o Vasco da Gama é aquele amigo sem local q pede tua casa emprestado p comer gente e dps q vc libera ele te conta q n rolou (broxou e tentou empurrar mole)
50 IMÓVEIS NÃO SÃO 50 CASAS.
50 IMÓVEIS NÃO SÃO 50 CASAS.
50 IMÓVEIS NÃO SÃO 50 CASAS.
50 IMÓVEIS NÃO SÃO 50 CASAS.
50 IMÓVEIS NÃO SÃO 50 CASAS.
50 IMÓVEIS NÃO SÃO 50 CASAS.
São inúmeros prédios em áreas de milícia, 40 apartamentos por prédio.
ELEIÇÕES | Lula anuncia ofício ao TSE abrindo sigilos dele e de 5 filhos e exigindo o mesmo de Flávio Bolsonaro → https://t.co/VwCqsKzZOR
Presidente afirmou que documento será enviado ao presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, nesta terça-feira
comida de rabo histórica, o velho tava um leão em 2022 e com uma equipe de preparação bizarra de boa.
Cadê ele assim ontem puxando ipsis litteris as falas do Flávio na Alerj defendendo a milícia? Os números da Kopenhagen, dos vários imóveis, etc.?
Uma hora dessas em 2022 a gente já estava com a mandíbula doendo de tanto rir.
O nível de entretenimento que Lula e Bolsonaro entregaram naquele ano foi surreal