O BRICS realizou nesta segunda-feira, 8 de setembro, uma cúpula extraordinária, convocada por Lula da Silva, que reuniu Vladimir Putin e Xi Jinping em um encontro de 90 minutos. A reunião ocorreu a portas fechadas, sem declaração final e sem transparência pública - ditaduras e regimes autoritários estão se articulando cada vez mais como um eixo de resistência às potências ocidentais.
O presidente do Irã propôs a criação de um mecanismo dentro do BRICS para enfrentar as sanções impostas pelos EUA e União Europeia. Na prática, uma espécie de “imunidade financeira” para blindar regimes sob cerco internacional. Nenhum país endossou oficialmente a proposta, mas o silêncio dos demais soou mais como cálculo estratégico do que rejeição.
Longe da diplomacia, Brasil, Rússia, China e Irã ditam o tom de confronto e arrastam outros membros para sua órbita. O Brasil, ao assumir o papel de anfitrião, acabou servindo de plataforma para uma agenda que coloca o bloco em rota direta de colisão com Washington - e, pior, em companhia de ditaduras que não escondem seu desprezo pela democracia.
Lula acusou os EUA de praticarem “chantagem tarifária” e criticou a presença militar americana no Caribe. Xi Jinping, condenou o “hegemonismo e protecionismo” de Washington, mas aproveitou para reforçar sua iniciativa da Nova Rota da Seda - um projeto de dependência e controle social.
O BRICS não é mais apenas um fórum econômico, mas um consórcio de regimes autoritários que busca erguer um sistema paralelo - seja no comércio, seja nas finanças - para desafiar a ordem internacional baseada no dólar.
A história já nos mostrou esse enredo nos anos 1930, e o resultado foi a escalada para a Segunda Guerra Mundial. Hoje, mais uma vez, vemos autocracias articulando blocos de poder para desafiar valores de liberdade, democracia e soberania nacional.
O sinal está sendo dado, a união dos tiranos nunca constrói a paz, apenas antecipa o confronto inevitável.
Muitas pessoas ainda ignoram a gravidade da situação atual do país. Existe uma tendência em minimizar certos efeitos e certas ações, como se fossem irrelevantes.
O Brasil vive uma dinâmica peculiar: leis em excesso, o famoso “jeitinho brasileiro” e uma forma própria de resolver conflitos que muitas vezes relativiza o peso das normas. Se mesmo uma fração dessas leis fosse aplicada integralmente, os efeitos seriam profundos.
O cenário internacional, porém, não funciona dessa forma. Quando outros países enxergam o Brasil como um regime de exceção, suas medidas tendem a ser lentas, mas firmes. A ausência de um embaixador de Israel e a aplicação da Magnitsky Act são exemplos. Muitos ainda acreditam que a Magnitsky tem níveis “suaves” ou que é facilmente revogável, mas trata-se de uma lei séria, assim como as sanções previstas na Seção 301 dos EUA, fruto de processos longos e consistentes.
Compreender essa seriedade ajuda a enxergar o momento presente: os EUA enviam sinais claros ao Brasil. O país terá de se posicionar. Ou se alinhará de forma estável com o eixo ocidental democrático, ou poderá ser tratado como um parceiro pouco confiável, com consequências difíceis de prever — basta observar como outros países classificados como adversários foram tratados no passado.
Esse desfecho não depende apenas das elites políticas, mas também da percepção popular. Se houver distanciamento entre governantes e sociedade, a pressão externa recairá sobre poucos atores específicos. Se, por outro lado, houver indiferença coletiva aos sinais enviados, os impactos poderão atingir toda a população. Não se trata de beneficiar ou não determinada liderança política, mas de compreender que a questão envolve todos.
Por isso, é importante que liberais, conservadores, libertários, progressistas ou qualquer corrente comprometida com o país entendam a gravidade do momento.
E qual o próximo ato? É convocar maciçamente para o 7 de setembro, numa manifestação chamada Acorda Brasil, em que clamaremos pela anistia ampla geral e irrestrita e pela liberdade de expressão e associação plenas.
Conto com o apoio de cada um de vocês. Fizemos um site com a missão de ajudar a cobrar os deputados, senadores e governadores que estará disponível amanhã, mas vocês podem começar por seguir o twitter desse site: @APrimaveraBR.
Carro popular: R$ 100 mil
Imóvel de 60m²: R$ 700 mil
Celular de 3 anos atrás: R$ 5 mil
Salário acima da média: R$ 4 mil
Essa é a pior época das últimas décadas pra ser um adulto!