Chamam de "litigância predatória". Vamos aos números, então.
O maior estudo já feito sobre o assunto, encomendado pelo próprio CNJ à ABJ em 2025, mostrou que só 0,3% das sentenças do TJSP em 2024 confirmaram litigância abusiva. Zero vírgula três por cento. E mesmo a conta da FEBRABAN, feita por quem lucra com a narrativa, parou em 6,8%. Traduzindo: mais de 9 em cada 10 ações são legítimas.
Agora vira a mesa e olha o outro lado do balcão.
Operação Sem Desconto: R$ 6,3 bilhões sugados de aposentados em descontos que ninguém autorizou. 97% das vítimas nunca assinaram nada.
Itaú: confessou ter cobrado por 14 ANOS um serviço que o cliente nunca pediu. Vai devolver sem juros e sem correção, e só pra quem teve fôlego de reclamar no canal certo até dezembro. Devolve menos do que tirou, pra menos gente do que lesou. E ainda sai por cima.
Por que eles continuam? Porque compensa. Os 7 maiores bancos guardam R$ 80 bilhões provisionados pra processo. Os 3 maiores privados lucraram R$ 113 bilhões só em 2024. Condenação ali não é susto, é linha de planilha. Despesa prevista.
Aí entra a parte que ninguém quer dizer em voz alta: quando o juiz arbitra dano moral de padaria, ignorando o tamanho do réu e a reincidência, ele entra nessa conta. Indenização que não dói não educa banco nenhum. Vira o preço de seguir descontando.
Não existe ação em massa caída do céu. Existe porque tem descumprimento de direito em massa antes dela. Quem provisiona R$ 80 bi não é vítima da litigância. É a causa dela.
Inverteram tudo. Quem foi roubado virou vilão e quem roubou virou coitado processado demais.
Advocacia é uma profissão que exige muito da mente.
Prazos, responsabilidade, conflitos, pressão emocional, problemas dos outros.
Por muito tempo negligenciei isso.
Hoje vejo que cuidar da saúde mental também é uma forma de cuidar da própria advocacia.
Yo no me molesto porque un amigo o familiar vaya a otro abogado. A estas alturas casi que lo agradezco.
Lo que me molesta es que, posteriormente, vengan a preguntarme si el otro lo está haciendo bien.