Revisto Brasil 1–2 Noruega. Admiro quem consegue apenas desligar e continuar. Em jogos assim, preciso ver uma, duas vezes, para organizar as ideias e opiniões. Deixo as minhas em sequência.
Estratégia do Brasil: Ao contrário do que foi o segundo tempo contra o Japão, o foco era chegar por baixo. Enviar bolas para a área seria inviável. A ideia era que a Noruega fornecesse campo aberto para enfrentamentos. No arranque e na velocidade, ganharíamos. O que Carlo Ancelotti talvez não esperasse era que a Noruega não subiria o bloco como de costume. O próprio Davide falou sobre isso no intervalo, esperando que o Brasil aumentasse a agressividade.
Estratégia da Noruega: Aqui, é aplaudir Stale Solbakken. Sabendo que o ponto forte brasileiro era o campo aberto, escolheram uma posse propositalmente morta. Quebrar o ritmo, não dar "bolas vivas". O controle do jogo e a alta posse foram consequência. O método era diminuir os segundos e causar tédio, digamos assim. Patrick Berg e Martin Odegaard foram os destaques por causa disso. Soberanos.
Primeiro pênalti: Rayan recupera a posse e Bruno Guimarães se permite usar a esquerda de novo. A janela lateral-zagueiro, ponto fraco norueguês, estava larga. Gabriel Martinelli a atacou e achou Matheus Cunha. Até a batida, espera e conversas. Claramente havia um responsável pré-determinado, que era Guimarães. Mas pergunto: por qual motivo?
Histórico: Na coletiva, Carlo Ancelotti se apoiou nos treinamentos e nos números para priorizar Bruno Guimarães. É justo e entendível. Mas existe o outro lado. Guimarães tem histórico de se abalar mentalmente com erros. Não é um padrão, nem sempre acontece, mas acontece. Consideraram que ele poderia perder o pênalti e, por consequência, o foco? Por sorte, aconteceu o contrário. Mérito de Bruno.
Treinos: Não existe regra nem manual no futebol. Nunca haverá. Pode-se converter 20 de 20 batidas em um campo silencioso, sem pressão nem adversário. A vida real sempre vai te engolir. Nos últimos seis pênaltis de Bruno Guimarães, cinco foram em altura média-baixa. Como era nos treinos? Pergunto de novo: por que ele?
O pênalti: Sobre o lance em si, responsabilidade dividida. Por parte de Bruno Guimarães, uma batida muito, muito ruim, na altura em que está mais acostumado. Por parte de Orjan Nyland, mérito por ter permanecido até o último passo. Guimarães escondeu o pé até o último segundo, mas a mecânica do corpo o entregou. Por ter esperado na linha, Nyland levou vantagem.
Quem cobraria: Já que Carlo Ancelotti quis se apoiar em números, fomos (DataESPN) atrás deles. Desde julho de 2025, entre os que estavam em campo, Rayan foi quem teve o melhor desempenho em pênaltis (4 de 4 ou 100%). Seguido por Vini Jr (5 de 7 ou 71,4%) e, então, Bruno Guimarães (2 de 3 ou 66,7%). Para mim, nesses casos, precisa haver hierarquia, mas com permissão para priorizar quem assume a responsabilidade. Pênalti é mais emocional do que qualquer outra coisa, além do estudo prévio. Para mim, Vinicius deveria ter tomado a iniciativa. Respeito quem assume e erra, mas não quem se diminui.
Contundência: Fato é que o Brasil produziu para vencer. Não foi o jogo perfeito, mas foi um jogo para ganhar. No primeiro tempo, teve dois lances de campo aberto. No segundo, o principal, de Endrick. Não pode perder. É assim que se chama o adversário e se perdem partidas. Tudo conspirou contra, infelizmente. Prova disso é o cruzamento de Casemiro nos últimos minutos. Fosse por baixo, e não pelo alto, chegaria no pé de Neymar, apenas para completar. Paciência. Mais uma Copa do "se".
Erling Haaland: Foi depois do primeiro hydration break que tudo mudou. Não havia tocado na bola desde então. Após a pausa, passou a entrar no jogo (incomodar os zagueiros e simular arranques). Não necessariamente para ser buscado, mas para gerar caos e deixar a linha insegura. Conseguiu.
Gabriel Magalhães: O zagueiro era a principal referência. Marquinhos ajudou na cobertura, mas a responsabilidade era sua. Estava bem até os 47 minutos. Perdeu o primeiro duelo no corpo e foi salvo por Alisson. Dali em diante, não o vimos mais.
Controle: No segundo tempo, Stale Solbakken assumiu que o jogo seria assim. E, se fosse para quebrar o ritmo, que colocasse dois jogadores que melhor se associassem (Andreas Schjelderup e Oscar Bobb). Erling Haaland passou a ser efetivamente procurado, sempre no ponto futuro para arrancar.
Neymar: Técnica e diretamente, não teve culpa de absolutamente nada. Fez o que estava ao seu alcance. Quem convocou um atleta longe da plenitude é que precisa ser responsabilizado. Fato é que, com a entrada, o coletivo desmoronou. Acabou toda e qualquer competitividade defensiva. No 4-5-1, Endrick e Vini Jr passaram a defender o corredor. Ali, tudo mudou.
Primeiro gol da Noruega: Do primeiro toque até o cabeceio, foram cinco minutos de passividade e nenhum senso de urgência. A bola rodou, entrou, saiu, voltou e ninguém saltou para recuperá-la. Nem mesmo para fazer falta. Foram dados 51 passes. Para atingir essa mesma quantidade, o Brasil precisou de 19 minutos no primeiro tempo.
O lance: Houve três responsáveis pelo gol. Primeiro, Endrick, que deveria ter acompanhado David Wolfe e deixado Danilo com Andreas Schjelderup, mas, por não estar acostumado a esse papel, não leu corretamente. O segundo, Éderson, que entrou frio e sem foco algum. Saiu de sua zona para falar com os companheiros e chegou atrasado para cobrir Endrick ou ajudar Danilo. O terceiro, Gabriel Magalhães. Erling Haaland cansou de ganhar (no jogo e na carreira) duelos assim contra ele, mas continua sem saber as respostas.
Segundo gol da Noruega: Mais uma vez, erro de Éderson. Ao invés de grudar em Haaland, que estava sozinho, preferiu cobrir Marquinhos em um duelo já controlado. O resultado foi liberdade e bola limpa no pé de quem não deveria ter tempo para pensar.
Postura: A média de posse da Noruega foi de 42,9 segundos. Das 122 sequências engatadas, 58 (ou 48%) tiveram 9+ passes. Lembrando que estou falando da Noruega contra o Brasil, e não o contrário. Se acham normal que essa abordagem contracultural esteja sendo praticada desde a chegada do técnico, eu não acho. A má notícia é que vai continuar assim. Recomendo que assistam ao Everton e às últimas duas temporadas do Real Madrid sob sua gestão.
Entrevista: Marquinhos, capitão, falou. Ainda no gramado, também entregaram a responsabilidade para Davide Ancelotti, que expressou não ter entendido, mas que estava cumprindo ordens. Davide, recordo, está de malas prontas para ser técnico do Lille. Aqui, é bem simples: se o técnico não quis falar antes da coletiva já agendada, que não enviasse ninguém da comissão. É ele ou ninguém mais. Para um conhecido gestor de alto escalão, faltou sensibilidade. Fosse pela Itália, talvez o cuidado seria outro.
@fla_infos putz, isso me faz lembrar q mesmo agora fora da seleção ainda vamos ver noticias dele jogando nesse negocio ai de kings league por um bom tempo..
Workout of the Day
Tuesday 260707
Front squat 3-3-3-3-3 reps
Compare to 260120.
Post heaviest load to comments.
📍Level 2 Seminar at CrossFit Marrickville in Marrickville, Australia
#CrossFit#WorkoutoftheDay
Rapaz, análise perfeita do Gian Oddi detonando o Carlo Ancelotti: “No melhor momento da partida ele matou o time para colocar o Neymar, que dava aquelas corridas cenográficas.”