A maior derrota da Seleção não vem de hoje nem do Euro 2024 ou da eliminação com Marrocos.
A maior derrota vem duma Federação q conseguiu banalizar completamente a existência da Seleção para a grande maioria dos portugueses.
Portugal conseguiu capitalizar uma energia espetacular em 2004 depois do carisma de Scolari contagiar todos os portugueses, até aqueles q nunca ligaram ou gostaram de futebol. As bandeiras nas janelas, a união em torno da equipa, a paixão das pessoas. Havia pessoas q nem sabiam como se jogava futebol e sabiam + de uma dezena de nomes na convocatória desse Europeu. Mesmo c/ o desaire grego, isso não afastou as pessoas, pelo contrário, o próprio Mundial de 2006 foi muito bom, ficou sempre na retina q se podia chegar mais longe no futuro. O Euro 2016 foi a confirmação mas já se notava algum declínio no q toca à relação dos portugueses com a equipa, mas foi um bom boost na paixão pela equipa em si. Portugal chegou a ter, naqueles anos durante e após 2004, uma cultura de Seleção ao nível de Países como o Brasil, a Inglaterra, os Países Baixos… Hoje nem parece que o futebol é o principal desporto nacional. Foi tudo desperdiçado e deitado ao lixo.
A Seleção chegou a ser um Oásis, de certa forma, na vida portuguesa. Havia paixão, competência e fervor. Hoje a equipa nacional é a imagem de todos os males e vícios na sociedade portuguesa. O compadrio, os interesses de empresários e outros, lobbies, a eterna história da gratidão, o tachismo evidente (quantas pessoas foram na comitiva que precisavam realmente de ir, e qual a experiência e profissionalismo de antigos nomes como JVP, Ricardo ou Ricardo Carvalho, que inclusive é um mau exemplo porque desertou da seleção), todos os fait-divers recorrentes e aceitação de banalidade e mediocridade (ninguém tem orgulho em ser eliminado).
A maior derrota vem do facto de, ao dia de hoje, quase ninguém se rever nesta Seleção. Não há uma identidade definida. Não há uma ideia coletiva clara. São muitos jogadores com talento individual do melhor que há mas muito longe de serem uma equipa. Há quantos anos não vemos Portugal jogar futebol de forma regular e consistente em fases finais? Desde 2004, que prestações foram positivas na ótica do que é a realidade portuguesa? 2004, 2006, 2012, 2016… com 2 Ligas das Nações à mistura para “enganar a fome”. Há 20 anos que Portugal não tem uma prestação minimamente digna em mundiais, há tanto tempo quanto os Italianos, sendo que estes últimos falharam as últimas 3 qualificações ainda por cima.
Olhamos para as outras seleções deste mundial e vemos uns EUA que decidiram investir num treinador para aproveitar o crescimento do desporto por lá, a Inglaterra já se deixou de brincar aos treinadores também e contratou um Tuchel que deixou vacas sagradas e vícios para trás, Marrocos cresce de Mundial para Mundial e qualquer dia são candidatos, a Noruega está a aproveitar uma das suas melhores gerações de sempre, Espanha mantém-se fiel a si mesma com os seus princípios de jogo bem definidos e assentes no futebol de posse e apoiado, fórmula que apresenta há 2 décadas pelo menos e com resultados, França tem a sua melhor geração de sempre e o próprio Deschamps conseguiu motivar as estrelas da frente a perceberem que estão muito mais próximos de ganhar se jogarem uns para os outros e deixarem os egos de parte, a própria Argentina de Scaloni mantém a sua identidade dos últimos 5 anos.
Portugal não tem nada disto, nem de perto nem de longe. E depois não se percebe a falta de humildade dos dirigentes e pessoas ligadas à Seleção a falar quase duma obrigação de ser Campeão do mundo. Um País que só tem 9 presenças em Mundiais, só se estreou em 1966, 36 anos depois da 1.ª edição, ficou 20+16 anos sem lá meter os pés, e o melhor que tem é um 3.º lugar e 2 meias finais, zero finais sequer. De onde vem esta ideia que de repente temos mais história que um Uruguai? Pés assentes na terra nunca fizeram mal a ninguém. O favoritismo conquista-se.
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O Japonês Kubo é o primeiro jogador com nome de uma forma geométrica a disputar 3 mundiais.
Superou Redondo e Cuadrado, ambos apenas com duas participações.