6 - A lembrança é “reconhecimento e reconstrução” coletiva. Reconhecimento por um “sentimento do já visto”. Reconstrução por, não ser linear, mas sim ressignificada a partir de quest��es do tempo presente. É um processo coletivo, ocorre entre grupos de referências, entre pessoas.
5 - A memória seria um “trabalho de reconhecimento e reconstrução que atualiza os quadros sociais nos quais as lembranças podem permanecer, e então, articular-se entre si”. A memória tem, portanto, “uma natureza coletiva”. Os grupos constroem memórias.
6 - Queria assistir à história de quem termina graduação, mestrado e doutorado em universidades públicas via cotas. Não é mais possível brincar com imaginários como se fossem ingênuos; eles produzem sentidos com força de verdade.
Assistir a novelas nos últimos anos tem me deixado muito ansiosa e depressiva. Para mim, a novela "Vale Tudo" foi muito adoecedora, principalmente por exportar uma ideia sobre corrupção cotidiana e por desumanizar mulheres fenotípicamente negras +
5 - Exportar essas imagens significa reforçar violências. Já sofremos muito racismo em dimensões simbólicas, políticas e econômicas. Construir e reforçar estereótipos racistas é adoecedor. Eu queria exportar a imagem da garota negra periférica que venceu. +
4 - O mais triste é que a autora tinha agência para escrever diferente, mas reproduziu preconceitos enraizados. Pensei na minha irmã, que mora em Portugal, e na maioria das garotas racializadas do nosso país, que possuem um fenótipo tão específico. +
3 - Mulheres negras são as mais afetadas pelas violências simbólicas de um país que foi o último a abolir a escravidão. Chorei muito com essa narrativa; estava voltando do exterior e isso me afetou profundamente por motivos muito particulares. +
2 - A realidade da década de 1980 não corresponde mais aos imaginários contemporâneos. Não somos o país das corrupções cotidianas e não devemos ensinar às novas gerações que vencemos assim. Me adoeceu muito ver mulheres negras colocadas em condições de puro interesse. +
1 - Novelas produzem imaginários e têm o poder de reforçar estereótipos, racismos e ideias sobre a realidade social. Escrever uma obra sobre "corrupções cotidianas" para ser exibida em países como Portugal é um grande desserviço cultural. +