Caminar sin podcast. Comer sin teléfono. Esperar el café sin scrollear. Ahí es donde aparecen las únicas ideas que después vas a reconocer como tuyas. Aburrirse a propósito es de los actos creativos más raros que quedan.
É muito importante q vc tome uma surra de um livro e n consiga concatenar as ideias expostas ali. Não apenas porque é uma lição de humildade e de reconhecer os próprios limites, mas pq nos mostra uma dimensão da vida e do conhecimento ainda impenetrável e por isso msm fascinante.
Isso não acontece porque os jogos estão piores e play1 ou play2 eram muito mais legais. Não. Isso acontece porque você cresceu e não quer admitir que não se diverte mais com as mesmas coisas. Você quer espremer um limão que já foi espremido. Você precisa admitir que acabou. Você precisa seguir em frente. Acabou o quê? O período onde você poderia ser tudo ao mesmo tempo, o infinito horizonte de possibilidades para você.
De fato, você pode fazer toda coisa que quiser, mas não pode fazer todas. Terá que escolher definitivamente uma ou duas ou três, destruindo definitivamente a possibilidade de todas as outras. E isso é difícil: você é isso, e não aquilo, em definitivo. E se você se arrepender lá na frente, percebendo que escolheu errado? É por isso que você não quer admitir que acabou: você está com medo de escolher, e talvez ter que admitir a culpa da própria infelicidade.
E o que tem a ver essa questão com não conseguir mais se divertir com videogame mesmo tentando? Quando você madrugava jogando em tempos de outrora, qual o problema de não pensar mais em nada ou de acordar duas da tarde no outro dia? Primeiro que você ainda podia ser tudo, supostamente com muito tempo pela frente. Segundo que o seu foco era experiência extrínseca, ou seja, viver aventuras, ver como são as coisas.
Mas naturalmente surgem essas constatações: 1) não podemos ser tudo. Temos que escolher. 2) não temos muito tempo. Aos 30 você pensa que a distância para os seus 10 anos de idade é a mesma para os 50. 3) seu foco agora é conhecimento intrínseco, não extrínseco. Você quer descobrir o que você é.
O mais engraçado é que depois dessa crise superada, videogame volta a ser divertido (mas de vez em quando).
Meu pai é médico e sempre me falou:
- Não se vira pediatra sem aceitar que vai ter que acordar de madrugada com frequência
- Não se vira oftalmo sem aceitar que vai passar boa parte do dia numa sala escura
- Não se vira oncologista sem estar ok com o fato de que vai lidar com a morte com frequência
Aí tem a questão do dinheiro também: algumas das especialidades mais buscadas são dermato, oftalmo e otorrino. Não porque as pessoas são apaixonadas pela pele, olhos ou ouvidos, mas porque as consultas são rápidas, o preço por consulta é o mesmo, e tem muitos procedimentos que dá pra fazer que pagam mas que a consulta.
Minha mãe é dermato. Ela não escolheu por dinheiro (na época dela não tinha tantos procedimentos), mas porque ela odiava hospital.
Conheço médicos que viraram anestesiologistas, radiologistas ou médicos nucleares porque são mas introspectivos e não queriam falar com pacientes o dia inteiro.
O mesmo vale no empreendedorismo.
Você não deveria abrir uma padaria sem estar disposto a acordar antes do sol nascer, uma pizzaria sem querer trabalhar nos finais de semana ou uma imobiliária sem ter talento para fazer networking pro resto da vida.
O pai de um amigo meu é empresário do ramo de restaurantes. Já teve de todo tipo. Quando ficou mas velho, fechou sua churrascaria (que dava dinheiro) e foi pro ramo de restaurantes a quilo.
A operação de um restaurante a quilo é muito mais gentil para quem é mais velho: dá pra trabalhar só durante a semana e para o almoço. Preserva suas noites e finais de semana. O fluxo de clientes é estável, e a operação também.
O cara jovem e imaturo olha apenas pra ROI quando vai abrir um negócio.
O cara mais maduro faz uma pergunta mais profunda e, na minha opinião, mais sábia:
“Eu estou disposto a lidar com o tipo de bucha que esse negócio vai me gerar?”