ENCHENTE | Guaíba tem cinco rios contribuintes: Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. A condição de cada um deles ,em conjunto, conta a história de uma cheia do Guaíba.
Os dois enormes contribuintes são o Taquari e o Jacuí. O Taquari tem hoje cheia média a grande e atingiu 24,8 metros em Lajeado, o que é bastante. Já o Jacuí, o principal em vazão, subiu sem atingir marcas até agora extremas. Dona Francisca está perto de cota de inundação e Cachoeira do Sul está perto de inundação.
Nos três menores contribuintes, o Caí tem cheia e atingiu 11,4 metros em São Sebastião do Caí (1,4 metro acima da cota de inundação), o que por valores históricos não é uma cheia grande.
O Sinos tem cheia, mas não é grande. Taquara, no começo da bacia, está levemente acima de cota de inundação e não tem muito mais água por chegar nas próximas 72 horas. O Gravataí subiu, mas sem cotas muito expressivas.
Com o Jacuí sem cheia maior até o momento, Taquari com cheia média a grande, Caí com cheia pequena a média, e o Sinos e o Gravataí sem cheias expressivas, o conjunto indica cheia no Guaíba nas próximas 72 horas, mas sem cotas perigosas como 2023 e 2024 que motivem alarme.
Prever o Guaíba é tão, mas tão complexo e difícil, com variáveis diferentes de prever o nível de um rio apenas, que não é apenas vazão dos rios (hidrologia) que desaguam que determina o seu nível.
Tem também a variável do vento (meteorológica). Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos. Se venta forte do quadrante Sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 50 cm a 70 cm com vento Sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas.
A subida de 30 cm na última noite teve em parte componente de vento Sul. Nos próximos dias, o vento vai soprar de direções variáveis sem indicativo de vento Sul forte.
É por considerar tudo isso, ausência de vento Sul forte e vazão sem extremos na maioria dos rios, que estamos informando que o Guaíba estará alto nesta sexta e no fim de semana, com risco para as ilhas, mas sem indicativo de cheia muito grande como as de setembro e novembro 2023, e muito menos catastrófica como 2024, cujo risco de repetição é zero nas próximas 72 horas.