Se fosse honesto, tinha aberto o sigilo. Se fosse honesto, não fugia. Eu falei e repito: Flávio queria ser eleito para não ser preso, não para governar o Brasil.
⚠️ ATENÇÃO!
PAREM de engajar Renan Santos e a turminha do MBL / Missão!
As pesquisas de 2º turno mostram que Renan foi o candidato que MENOS transferiu votos pra Lula! Não ajudaram em nada! ZEMA transferiu mais votos (proporcionalmente)!
E não se iludam com esse verniz de direita democrática. Só estão adotando essa postura porque ficaram com 2% nas urnas e perceberam que só falam entre eles mesmos.
Foi o Missão / MBL que criou a extrema-direita no Brasil. NÃO SE ESQUEÇAM! Eles que, junto a Rede Globo, Lava Jato, Aécio Neves, Eduardo Cunha, elite brasileira e possível financiamento externo, criaram e espalharam o ódio anti-PT, golpearam Dilma e fizeram crescer as raízes do bolsonarismo! Essa gente toda tem que ser EXECRADA!
Quer conversar com a direita que não está no governo Lula? Vai conversar com Henrique Meirelles, Elena Landau, Persio Arida, Cristovam Buarque, João Amoedo, etc. Desses eu discordo em quase tudo, mas ao menos não jogaram o Brasil no caos da imbecilidade bolsonarista como fizeram Renan Santos e sua turminha.
🚨 AGORA: Flávio Bolsonaro acaba de se tornar o primeiro candidato à presidência na história do Brasil a PERDER um segundo turno após vencer o primeiro.
Roteiro do golpe
O bolsonarismo usou seu poder econômico para criar caos na eleição e impedir o direito ao voto. Agora começa uma onda de perfis bolsonaristas falando em “golpe”. As Big Techs vão estimular os posts bolsonaristas e vão fortalecer um clima de violência nas ruas. Se confirmada a derrota de Flávio Bolsonaro, os Estados Unidos não reconhecem o resultado e falam em fraude.
Não foi atoa que o Pablo Marçal mandou o povo ir votar cedo. Certeza que eles já sabiam o que o Kassio Nunes ia fazer com os prefeitos aliados do Flávio.
Fim de ciclo não é fácil. Fim de lenda também não é.
Viver uma campanha por dentro, sentindo na pele a adrenalina e o cansaço de cada dia, faz a gente enxergar o tempo de outro jeito. Assistir ao envelhecimento de figuras que moldaram a nossa época, enquanto nós mesmos amadurecemos e mudamos de visão, carrega um peso emocional que aperta o peito.
Mas se você acha que o que escrevo aqui é amor cego pelo Lula, já adianto: não é. Eu era leitor assíduo da Veja. Fui tucano de carteirinha, mesmo sentado na carteira de uma escola pública. Mais tarde, em 2008, vibrei com a chegada da Dilma; depois, na onda da Lava Jato, fui contra ela. Em 2018, fui contra os Bolsonaro, meu pai votou no Bolsonaro e depois se arrependeu. Nunca tive medo de recalibrar a rota quando achei que o país precisava.
Em 2022, estive nos bastidores da campanha. Muita gente não sabe o que eu fiz ali; alguns sabem. E está tudo bem, porque bastidor é isso mesmo: a gente não aparece na foto, mas ajuda a escrever a história. E nós estivemos nela. Fui convidado pra participar do governo, não quis. Conectamos gente, construímos pontes, conheci pessoas que levo comigo para a vida. Agora, na eleição mais importante da nossa história, decidi que não dava para ficar só olhando: eu me joguei de corpo e alma, em muita coisa que como já disse levarei comigo.
Justamente por ter andado por tantos lados, sei reconhecer os erros e os acertos do Lula, e também do Luiz, o homem de carne e osso por trás do mito. Mas, dentro de casa, não é exatamente assim? A gente não concorda com tudo o que o nosso pai fala, nem com tudo o que a nossa mãe faz. A democracia começa ali, na mesa da cozinha, e lá em casa, pelo menos isso, sempre existiu. Minha esposa, por exemplo, não é fã da minha militância. Ela prefere ficar longe dos holofotes; a família dela pensa diferente de mim e nem sempre votamos igual. Eu respeito. Sempre respeitei. Na política deveria ser assim: a capacidade de discordar sem destruir quem senta à mesa com a gente.
Só que, mesmo com todas as discordâncias, existem histórias que simplesmente não se apagam. Não dá para ignorar o menino que saiu do sertão de Pernambuco num pau de arara. O operário que deixou um dedo numa prensa de fábrica. O líder que olhou para o povo mais sofrido como quem olha para a própria família e teimou que todo brasileiro tinha o direito sagrado de tomar café, almoçar e jantar. O Estado precisa, sim, estar presente na vida de quem mais precisa. Tem que estar na merenda da escola, no posto de saúde, na primeira lâmpada acesa lá no sítio, no filho do pedreiro que conseguiu virar doutor.
Eu defendo isso sem nunca ter utilizado nenhum benefício social. Graças a Deus, consegui estudar, trabalhei duro para pagar a minha faculdade, virei advogado e fiz a minha pós-graduação na FGV. Mas ter conquistado o meu espaço não me fechou os olhos para o mundo; pelo contrário, eu entendi a importância do social porque sei que a vida não é justa e que o ponto de partida não é igual para todos. O fato de eu não ter precisado nunca me impediu de enxergar que tem muita gente que precisa dessa mão estendida para simplesmente ter uma chance.
Meus filhos foram entendendo tudo isso aos poucos e perceberam de que lado da história nós estamos. Hoje, são fãs dele. Ontem, quando escutaram o miliciano chamar o Lula de “nove dedos” em tom de deboche, acharam um absurdo. Criança tem o coração limpo e entende rápido: aquele dedo que falta não é piada. É a cicatriz de quem trabalhou.
Existem lendas, e o Lula é uma delas. Aquela inteligência emocional veio de um lugar que nenhum diploma ou livro de ciência política consegue explicar. Ele é um dos Pelés da política. Um estadista, assim como outros grandes que tivemos, de outras cores e partidos, e o tucano que eu já fui sabe muito bem reconhecer um estadista quando vê. Essa é a nossa dança democrática, e ela só é bonita porque tem mais de um par e estamos dançando juntos.
Mas o tempo passa até para as lendas. Quando eu vejo o Lula com os seus 80 anos, eu vejo um pouco do meu pai, e isso me emociona de um jeito difícil de explicar. A gente cresce vendo o nosso pai como uma fortaleza, alguém que parece que nunca vai cansar. Só que os anos passam, e quando começamos a notar o passo mais lento e o peso do tempo chegando, bate um nó na garganta que mistura gratidão, respeito pelas cicatrizes da vida e uma vontade enorme de proteger.
Enxergar isso tira a política do palanque e a coloca no lugar mais humano que existe: o coração de um filho. Ele já não é mais o mesmo. A barba, que um dia foi preta e cerrada nas assembleias do ABC, hoje é toda branca. O peso dos anos chegou, como chega para todo pai. Hoje ele tem a voz embargada, o tom emocional à flor da pele, o choro mais fácil de quem se emociona, chora junto e, justamente por essa vulnerabilidade tão humana, ainda conecta como ninguém e eu me conecto.
E mesmo assim, aos 80 anos, com todas as dificuldades da idade, ele subiu no palanque mais uma vez. Subiu feito aquele pai guerreiro e teimoso, que não larga a luta pela família e insiste em carregar a sacola mais pesada da feira, mesmo com as costas reclamando de dor. É nessa hora, vendo a humanidade de quem já deu tudo de si e ainda teima em continuar de pé, que a gente entende o tamanho do fardo que eles carregaram por nós. O que eu sinto hoje não é idolatria. É amor de filho, aquele amor maduro, que enxerga os defeitos, a teimosia e o cansaço, mas permanece ao lado.
Olhar para esse cansaço, porém, desperta uma inquietação inevitável. Quando o fim de um ciclo se aproxima, bate a dúvida na cabeça de muita gente: “E agora? Quem vai carregar essa sacola?”
Vou confessar uma coisa que guardo comigo há muito tempo. Quando eu tinha 18 anos, eu sonhava em ser prefeito da minha cidade, e, naquela ousadia boa que só a juventude tem, sonhava até em ser presidente. Parece pura utopia, eu sei. A vida adulta faz a gente engavetar esses sonhos. Mas, olhando para essa história toda hoje, eu me pergunto: se o menino pobre que saiu do sertão conseguiu chegar lá e mudar o destino de milhões, será que é utopia mesmo? Ou será que chegou a hora de nós ocuparmos esses espaços?
Olho ao redor e vejo a política sendo tomada por pessoas vazias, gente de discurso raso, que busca o palco pela vaidade e não sente a dor do outro. Essa é a reflexão que não sai da minha cabeça. Talvez a lição deste fim de ciclo seja a de que já não basta atuar apenas nos bastidores. Quando o nosso pai começa a cansar, é dever do filho tomar a sacola das mãos dele e seguir o caminho. Talvez seja a hora de sair dos bastidores e ir para a ação.
Fim de ciclo não é fácil. Fim de lenda também não é. Mas lenda não acaba: lenda vira semente e vira história. Uma história que a gente conta para os nossos filhos na mesa da cozinha, antes de levantar da cadeira, arregaçar as mangas e colocar a mão na massa. Porque, daqui para frente, depende de nós.