Os burocratas positivistas querem te tirar a magia do esporte (gol) e te fazerem acreditar no fácil argumento "é a tecnologia, nao podemos questionar". Como se a tecnologia fosse um deus solucionador de todos os problemas. Futebol, cada dia menos humano.
Fernando Velasco: o VAR é fruto do moralismo racionalista ocidental
«Senão vejamos: tudo se passa como se o VAR fixasse a verdade, como se permitisse o conhecimento do ser de cada lance, como se proporcionasse acesso ao “em si” de cada jogada. Por efeito de um simples preconceito lógico, uma cultura que valoriza de modo absoluto o que considera “verdadeiro” associa inversamente às demais interpretações da realidade – da realidade de uma partida de futebol, mas não apenas – valores que sua própria convenção declara negativos. E assim as intervenções do VAR confessam suas bases eminentemente morais. A operação fundamental do VAR é a operação moral por excelência: a oposição de valores. Recorrer ao VAR significa, no fundo, apelar à verdade contra a aparência, ao conhecimento contra o erro e, em última instância, ao bem contra o mal. É o grande tema do subsolo moral comum à metafísica, à religião, à ciência – e agora também ao futebol contemporâneo, submisso aos arbítrios de um irmão mundano do ser, um filho insólito de Deus, um neto bizarro do velho moralismo ocidental.»
— Fernando Velasco, Nietzsche contra VAR ou a arte trágica de Maradona
@lbertozzi Inclusive muito me entristece a apatia do jornalismo, que deveria ser crítico, decidir apenas aceitar e nao abrir discussão sobre esse tema. Ao tratar a ferramenta como magia, não apenas emburrece o debate esportivo, mas normaliza a aceitação cega da tecnologia.
@lbertozzi Não existe conspiracionismo nisso, você segue uma linha dogmática e deposita uma fé cega na infalibilidade de um sistema opaco, esquecendo que toda tecnologia possui margem de erro, latência e dependência humana. Tecnologia nao é neutra.
OPINIÃO! 🚨 Uma das premissas básicas de Michel Foucault em "Vigiar e Punir" é fazer a gente entender que A TECNOLOGIA NÃO É NEUTRA.
Ela busca a neutralidade, mas a neutralidade é sempre impossível. Pelo contrário, o que a tecnologia faz é desengajar os sujeitos de suas escolhas, sejam elas boas ou más.
No fundo, com o acúmulo da tecnologia, Foucault concluía que ela cumpriu sua missão de fabricar “indivíduos úteis e dóceis” para produzir e não questionar.
E o que isso tem a ver com o jogo de ontem? ABSOLUTAMENTE TUDO!!!!!
É a primeira vez que temos um lance, em um momento capital do jogo, em que NINGUÉM viu um desvio da bola. Ninguém, ninguém. Porque talvez tem tenha mesmo.
Nem o juiz, nem o bandeira, nem o quarto árbitro. Nem os jogadores estavam muito certos. Nem ninguém na cabine do VAR olhando as câmeras. NEM MESMO AS CÂMERAS.
Porém, existia uma mini-tecnologia de um chip na bola que mede um abalo sísmico da passagem da bola pelo jogador.
E pra essa tecnologia desse chip em específico isso se configura toque e, por conseguinte, pra toda a humanidade, a gente conclui que isso é toque também.
Você entende que o assunto agora é: temos que discutir o conceito de toque na bola e desvio na bola porque eles não são neutros?
Porque tocar na bola pra gente e pra um chip têm dimensões completamente diferentes? Porque pra um chip e pro ser humano o TOQUE não é uma coisa que se mede por abalo sísmico a nível microscópico?
Só que, no fim das contas, esse toque elimina a Croácia de uma Copa do Mundo. E eles aceitam. E saem de campo. Fair play bonito. E estão certos, claro. Veja bem, não quero revolta.
Mas será uma boa mesmo entregar nas mãos desse tipo minucioso de tecnologia as escolhas do futebol?
Será que o VAR precisa ser tão específico? Tão fundo? Tão microscópico? Será que um ou outro erro de juiz não fazem parte do papo de boteco do dia seguinte?
Ou nossa vida futebolística daqui para frente vai ser assim? Um scanner de eletrocardiograma?
@DoFora89372@mathslnunes@vitorsergio E serei a favor. Anular um gol por causa de um toque irrelevante, cego a olho nu, e tirar a catarse do esporte é injusto.
@lbertozzi irregular por absolutamente nada e tira a caterse do jogo. É a robotização do futebol. A tecnologia nesse lance torna-se totalmente irrelevante. O que um toque quântico de cabelo tem a ver com suposto desvio da bola.
@lbertozzi Eu nao sou contra o impedimento e acho que ele funciona. A minha questão é essa busca burocrática pela perfeição ancorada na tecnologia. Não é possível padronizar todas as decisões pois todo lance é singular a ele mesmo. Um lance que deveria ser interpretavio e pró gol, se torna+
@lbertozzi Nao cria um novo lance? São situações e situações que não podem se ancorar na tecnologia como solução. O cardiograma induz o árbitro a anular o gol e a nao desenvolver uma interpretação neutra.
@lbertozzi Mas nao há desvio ou movimento. Nao causa situação de vantagem ou desvantagem. Por quê nao substitui o juiz então por um supercomputador, já que todo lance deve ser objetivo? E essa suposta objetividade é ilógica. Por que esse mísero toque anula o gol mas o toque de portugal +
@vitorsergio Ele pode simplesmente ter sentido o ar e achado que foi a bola. E pouco importa o que sentiu ou nao, tirar um gol baseado num toque de cabelo que nao muda a direção é perder a essencia do futebol. Voce está tirando o tem mais de humano no esporte. Coloca logo IAs pra jogarem.
@lbertozzi Futebol se mantem em alta a partir de polêmicas. Sem elas nao existiria nem o jornalismo esportivo. E esse lance dá polêmica por justamente ser injusto e tirar um gol legal da partida. A tecnologia pode servir para auxiliar mas nunca ser vista como solução.