Carta aberta ao presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins.
Será apagada em alguns dias, assim como todos os meus tweets.
Prezado presidente,
Escrevo apenas como mais um torcedor apaixonado, mas peço que leia com carinho.
Durante muitas décadas, o Botafogo foi gerido por presidentes amadores. Não escrevo "amadores" como demérito, mas como termo literal, pois essa é a regra dos clubes. Foram sempre presidentes sem remuneração, que montavam equipes gestoras normalmente também sem salários. Como consequência, isso gerou panelas internas entre os sócio-proprietários que revezavam o poder entre si, fechados em bolhas de amizades e escolhas para tocar o clube baseadas em "amor ao Botafogo", não em critérios profissionais e técnicos de gestão.
O resultado disso foi devastador. O que a torcida viu foi um show de horrores que transformou a história do Botafogo em algo assustador a partir de 1996. Foram 3 rebaixamentos e nenhum título relevante ao longo de muitos anos. O endividamento explodiu, o clube afundou e parecia que o único futuro seria a falência.
Até que veio o projeto SAF e o Botafogo passou a ser gerido de outra forma. E é aqui que eu peço a máxima atenção, com humildade e respeito.
Não tenho qualquer intenção de defender John Textor neste texto. Hoje vejo que várias de suas ações financeiras no Botafogo foram extremamente equivocadas. Se crimes foram cometidos, torço para que pague por cada um deles. Eu acreditei, em 2024, que tínhamos encontrado o caminho. Porém, de fato, o preço dos títulos não pode ser a ruína.
Só que o Botafogo de 2024 fez muita coisa certa. Um time espetacular foi montado, um dos melhores do século no país, e os 2 títulos mais importantes foram conquistados. E, ao contrário do que dizem por aí, o ano NÃO deu prejuízo, muito pelo contrário, deu lucro. Também é mentira que o elenco do ano foi montado à base de dívida impagável e de loucura financeira. Não fossem as decisões totalmente absurdas tomadas ainda naquele ano e no seguinte, os custos de 2024 teriam sido pagos integralmente e teria sobrado dinheiro. Ou seja, existe um caminho.
E por que será que o Botafogo, em apenas 2 anos, saiu de massa falida para campeão de tudo?
Na minha análise e na de muitos que entendem mais do que eu, a principal mudança que alavancou o Botafogo foi a mudança de mentalidade da gestão.
O clube deixou de ser gerido por um presidente amador, cercado por seus amigos fiéis ao Botafogo, para ser administrado por um empresário e por vários diretores executivos capacitados. Não foi simplesmente o dinheiro. Se fosse assim, outros clubes teriam alcançado o mesmo êxito, pois investiram tanto quanto ou mais.
O grande acerto de John Textor, a meu ver, foi chegar ao Brasil e focar-se inteiramente na contratação dos melhores executivos, diretores, operários e trabalhadores disponíveis, montando um departamento de futebol capaz de competir com qualquer outro clube do país, principalmente no scouting. Claro, nem todos foram perfeitos, alguns decepcionaram, mas foi esse grupo de profissionais que nos levou aos títulos. Não foi apenas o dinheiro.
E por que eu repito que não foi apenas o dinheiro?
Porque sinto que você, presidente, acredita no contrário. Acredita que o dinheiro foi o fator decisivo. E que você, João Paulo, é capaz de repetir os feitos, desde que o Gabriel de Alba entregue o dinheiro às suas mãos para gerir o Botafogo.
E, ao meu ver, esse é o caminho da ruína.
João Paulo, com todo carinho e humildade, a minha opinião, e a de muitas pessoas, é: você não pode ser a pessoa responsável por conduzir o futebol do Botafogo.
Isso não tem nada a ver com você como pessoa. Não é o João Paulo que não pode conduzir, é qualquer integrante amador do clube social do Botafogo. Ontem, hoje, amanhã e sempre.
O motivo é muito simples: ainda que você se provasse a grande exceção e fizesse um trabalho magistral, em 2 anos você estará fora e outro amador do social assumirá seu lugar.
Quem será? Um dentista, um dono de ONG, um contador, um aposentado? Ninguém sabe. E, de tantos em tantos anos, o Botafogo estará novamente à mercê de um novo gestor amador.
Esse ciclo já havia sido finalizado e o Botafogo chegou à glória, mas agora você tenta trazê-lo de volta. Por qual motivo? Sobra apenas o ego. A vontade de entrar pra história, de deixar seu nome no legado alvinegro. Exatamente o mesmo motivo que levou TODOS os presidentes amadores a assumir o Botafogo. A tentação é colossal. Você sabe que conquistou a confiança do Gabriel de Alba e pode assumir todo o poder de uma vez, como já está fazendo.
Porém, se você ama verdadeiramente o Botafogo, essa é a hora de dar um passo atrás e admitir: o Botafogo precisa de uma gestão 100% profissional, completamente blindada de qualquer influência do social, que só deve ter a função de fiscalizar e exigir o cumprimento dos contratos, algo que não fez na gestão Textor.
Essa é a sua chance de entrar pra história, JP, fazendo exatamente isso. Esse será seu legado: o presidente que blindou o futebol e impediu que o social tomasse o clube de novo.
Caso contrário, talvez você entre pra história como o homem que fez o Botafogo voltar ao passado, acreditando que o social é, sim, competente para gerir, desde que tenha um bilionário por trás.
Não é.
Não é, e isso ficou cristalino na sua primeira decisão executiva como gestor de pessoas, quando você decidiu que, para montar uma equipe permanente de futebol, os critérios deveriam ser “identificação com o Botafogo, ser sujeito homem e não perguntar salário”, além, é claro, de ter algum histórico de relação com a sua pessoa.
Na primeira decisão extremamente séria como gestor, você contratou o preparador físico do Araruama-RJ para ser o preparador permanente do Botafogo de Futebol e Regatas, além de um sujeito que estava há 4 anos desempregado para ser o Coordenador de Futebol.
Na segunda decisão, colocou o melhor treinador do Sub-20 do clube nos últimos anos em uma situação extremamente complicada, para não dizer impossível, que claramente exige um profissional experiente. E nem sequer iniciou o processo de busca por um novo técnico.
É exatamente assim que gestores do social comandam e tomam decisões. Eles querem se cercar “dos seus”, dos amigos, dos fiéis, dos que amam o Botafogo. E realmente acreditam que estão no caminho certo e que isso trará resultados. Mas o mundo corporativo não funciona dessa forma. Uma das maiores entidades esportivas do Brasil não pode ser conduzida com esse nível de atraso.
Por tudo isso e muita coisa que não caberia neste texto, eu imploro: presidente, exija do Gabriel de Alba a montagem de uma equipe de gestão profissional da SAF e blinde essa equipe de qualquer interferência do social, a menos que falhem nos critérios exigidos pela fiscalização.
Essa equipe já deveria ter sido a prioridade absoluta do novo dono desde o primeiro momento em que decidiu assumir o clube. E é extremamente preocupante que esse processo sequer tenha sido iniciado.
A meu ver, esse é o único caminho para o Botafogo retomar a estrada dos louros.
E se eu estiver errado, estou aberto a ouvir, aprender e mudar de opinião. A única coisa que importa para mim, para você e para quem chegou até o fim deste texto, é o Botafogo de Futebol e Regatas. Nada mais importa (por favor, não pense no complemento do funk).
Forte abraço e saudações alvinegras,
Felipe.
Vcs precisam ENTENDER que no meio sertanejo nunca mais vai existir uma Marília Mendonça que foi PUBLICAMENTE contra Bolsonaro no ano em que ele esteve mais popular e ainda foi eleito. Ana Castela é só um produto financiado pela direita! Como uma Marília faz FALTA!
e esse é um dos milhares de motivos pelo qual admiro tanto ele!!! algo simples e que deveria ser o básico pra qualquer pessoa que tem papel de influencia na vida de outras pessoas que infelizmente é raro
O povo desesperado querendo cancelar a Ana Castela e ela rindo na cara deles hahahahahahahha quando você tem talento e um fandom imenso, não precisa se preocupar com lacração.
Dito isso é Flávio 🇧🇷 22 ✅