A @flaviactavares afirma aqui que o PT sempre foi democrático, que passou 20 anos vencendo eleições e que nunca tentou dar um golpe de Estado nem atacou as urnas eletrônicas.
Mas será que o PT realmente sempre foi democrático?
Ou será que Flávia prefere ignorar determinados fatos históricos, fecha os olhos para as contradições do partido e finge que nada aconteceu, simplesmente por conveniência ideológica?
Vamos conferir.
Em 1985 e 1988. O PT boicotou a eleição que encerrou a ditadura: recusou-se a votar em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral e expulsou os três deputados que votaram (Airton Soares, Bete Mendes e José Eudes).
Em setembro de 1988, 15 dos 16 deputados petistas votaram contra o texto final da Constituição, e Lula anunciou da tribuna que o partido só a assinaria como "cumprimento formal".
O guardião da Constituição votou contra a Constituição.
A cúpula histórica do partido veio da luta armada, não da luta pelo voto.
Dilma militou na VAR-Palmares, organização marxista-leninista que pegou em armas por uma revolução socialista, não por eleições.
Dirceu treinou guerrilha em Cuba. Genoino foi capturado na Guerrilha do Araguaia, projeto maoísta do PCdoB.
Democracia nunca esteve no programa daquela gente.
Mensalão, 2005. A própria Flávia admite que Lula "recorreu ao mensalão para comprar governabilidade".
Releia com calma: um presidente comprou deputados com dinheiro desviado para ter maioria.
O STF condenou a cúpula do partido na Ação Penal 470, em 2012: Dirceu, Genoino, Delúbio.
Para a jornalista, isso prova que o PT enfrentava oposição.
Prova que o PT corrompeu um Poder da República para neutralizá-la.
Petrolão.
A Petrobras lançou no balanço de 2014 uma baixa de R$ 6,2 bilhões em perdas com corrupção.
A Odebrecht confessou à Justiça dos EUA ter pago US$ 788 milhões em propina, quase metade no Brasil. Marcelo Odebrecht, João Santana e Mônica Moura contaram que dinheiro desse esquema, pago em contas no exterior, bancou as campanhas de Dilma em 2010 e 2014 por fora da contabilidade.
O relator no TSE, Herman Benjamin, votou em 2017 pela cassação da chapa; a maioria decidiu, por 4 a 3, deixar as delações fora do processo.
Dinheiro roubado de uma estatal virando horário eleitoral é o eleitor pagando, sem saber, a campanha que o enganou.
2014, a reeleição do estelionato.
Dilma venceu jurando não mexer em direitos "nem que a vaca tussa"; dois meses depois apertou seguro-desemprego e pensões e subiu juros.
Antes, maquiou as contas públicas com pedaladas e decretos de crédito sem autorização do Congresso, os crimes de responsabilidade que levaram ao impeachment, aprovado por 61 a 20 no Senado em 2016, num julgamento presidido por Ricardo Lewandowski, ministro nomeado por Lula, com rito validado pelo STF.
O PT chamou isso de "golpe" e jamais reconheceu o governo seguinte. Chamar de golpe um processo constitucional presidido por um ministro que o próprio Lula escolheu é atacar as instituições, não defender a democracia.
Março de 2016. Dilma nomeou Lula ministro da Casa Civil para lhe dar foro privilegiado e tirá-lo da jurisdição de Sergio Moro.
O áudio é público: "tô mandando o Bessias com o papel (...) só usa em caso de necessidade". Gilmar Mendes suspendeu a nomeação por desvio de finalidade.
Usar um cargo de Estado para blindar um investigado é usar o governo contra a Justiça.
"STF não majoritariamente ligado ao petismo"?
Lula nomeou oito ministros, Dilma cinco. Em 2016, oito das onze cadeiras do Supremo eram de indicados pelos dois, e Dias Toffoli foi advogado do PT antes da toga. Foi esse Supremo que em 2021 anulou as condenações de Lula por questão de competência, sem examinar o mérito, e em seguida declarou Moro suspeito.
A tese de que o PT governou "contra" o STF só convence quem não sabe contar até onze.
O PT chamou a eleição de fraude antes de ela acontecer. "Eleição sem Lula é fraude" foi palavra de ordem oficial, repetida por Gleisi Hoffmann e por Luiz Marinho ("não é eleição democrática, é fraude eleitoral") dentro e fora do país.
A Ficha Limpa que barrou Lula foi sancionada pelo próprio Lula em 2010. Em janeiro, Gleisi avisou que, para prender Lula, "vai ter que matar gente".
Na noite da derrota, Haddad não cumprimentou nem telefonou para Bolsonaro, como manda a praxe; mandou um tuíte no dia seguinte.
Depois, a coligação do PT foi ao TSE pedir a cassação da chapa eleita, para tirar do cargo quem venceu nas urnas; o tribunal rejeitou tudo em 2021 por falta de provas. Haddad resumiu no Roda Viva: "quem perdeu as eleições de 2018 foi o Brasil".
As urnas. O voto impresso que hoje é tratado como pauta golpista foi criado pela Lei 12.034, sancionada por Lula em 29 de setembro de 2009, para valer a partir de 2014.
O STF derrubou a regra em 2013. O próprio Lula assinou a auditoria em papel que o PT agora chama de ataque à democracia.
O resto da ficha. Em 2004 o governo Lula propôs um Conselho Federal de Jornalismo com poder de "orientar, disciplinar e fiscalizar" a imprensa.
Em 2009 o PNDH-3 sugeriu um ranking oficial de veículos de comunicação. Em 2014 o Decreto 8.243 tentou criar conselhos populares ao lado do Congresso, e a Câmara derrubou.
O partido fundou o Foro de São Paulo em 1990 com o Partido Comunista de Cuba e até hoje trata Havana, Caracas e Manágua como aliadas; em 2023 Lula disse que a falta de democracia na Venezuela era questão de "narrativa".
Agora, a parte que a jornalista evita: o que é golpe.
Golpe não é só tanque na avenida. Golpe é tomar o poder, ou mantê-lo, por caminhos que a Constituição não autoriza.
Comprar deputados com dinheiro desviado é sequestrar um Poder. Financiar campanha com propina de estatal é comprar o resultado da eleição com o dinheiro do próprio eleitor. Maquiar as contas públicas para vencer é fraudar a informação de que o voto depende.
Nomear o réu ministro para tirá-lo do juiz é tentar capturar a Justiça. Chamar de fraude a eleição que perdeu e de golpe o impeachment que sofreu é aceitar as regras só quando elas favorecem.
É por isso que esse é o pior tipo de golpe. O golpe de farda sai no noticiário no dia seguinte e o país sabe contra o que está lutando.
O golpe por corrupção corrói o voto por dentro, durante anos, enquanto o golpista discursa sobre democracia no horário eleitoral. O eleitor acredita que escolheu. Foi comprado, com o próprio dinheiro, para acreditar nisso.
O PT nunca precisou atacar a urna. Comprou o que entra nela: o Congresso, a campanha e, por muito pouco, a Justiça.
A Flávia cobra do bolsonarismo um padrão que nunca cobrou do partido que governou o país por 20 anos.
Isso tem nome, e não é jornalismo.
uma ministra do TSE, indicada por lula, interfere no único debate que teríamos para evitar críticas a Lula, a ponto de causar o cancelamento do debate
o outro ministro do TSE, também indicado por lula na mesma ocasião, derruba a candidatura do ex-promotor que acusou lula por corrupção
tudo em decisões monocráticas. a primeira no próprio dia do debate, a segunda na véspera da eleição, no tempo exato pra não ter perigo de serem revertidas
mas somos obrigados acreditar que esse grupo é o que está salvando a democracia. risco mesmo era a pichação de uma estátua com batom, que quase derrubou o sistema político. agora podem ficar tranquilos: a democracia vai continuar no poder, por bem ou por mal
🚨EXCLUSIVO: ARQUIVOS DE 8 DE JANEIRO
Novos arquivos vazados revelam que o Supremo Tribunal Federal brasileiro usou ilegalmente postagens de redes sociais para encarcerar manifestantes pró-Bolsonaro.
Em 8 de janeiro de 2023, centenas de apoiadores de @jairbolsonaro invadiram prédios governamentais em Brasília, em um episódio surpreendentemente semelhante ao 6 de janeiro nos EUA. Muitos eram idosos ou doentes e não cometeram atos de violência. Ainda assim, todos foram rotulados de “golpistas”, “terroristas” e “fascistas” pelo presidente do Brasil, @LulaOficial, e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Agora, os ARQUIVOS DE 8 DE JANEIRO mostram que Moraes criou uma força-tarefa de inteligência secreta e ilegal que usou postagens de redes sociais para justificar a prisão de manifestantes não violentos.
Moraes e sua força-tarefa:
— operaram através de um grupo secreto de WhatsApp que criava “certidões” de inteligência ilegais;
— mantiveram manifestantes detidos enquanto realizavam varreduras em suas redes sociais;
— usaram o discurso online como base para a prisão “preventiva”;
— negaram aos advogados o acesso às provas;
— usaram ilegalmente um banco de dados biométrico para identificar manifestantes.
Esses arquivos revelam que os processos do 8 de janeiro foram politicamente motivados e envolveram amplos abusos de poder.
Moraes, servindo aos interesses de Lula, contornou a lei para efetivamente criminalizar o discurso político. Sua repressão judicial excessiva contra os manifestantes ajudou a legitimar a narrativa de que o 8 de janeiro foi uma “tentativa de golpe” coordenada – uma narrativa central para o processo em andamento do tribunal contra Bolsonaro.
A investigação ARQUIVOS DE 8 DE JANEIRO foi liderada por @david_agape_ e @elivieira e editada por @galexybrane.
@samydana Imagino que até mesmo você conseguiria. Basta ter por trás o "financiamento" de uma nação. Comparar a BYD (e outras campeãs nacionais da PRC) com outras empresas é complicado. Mesmo as apadrinhadas por seus governos, não são braços diretos deles.
🚨Seria protagonismo, se fossem pautas do judiciário. Como ninguém é protagonista de coisa alheia e as pautas são do Legislativo, o nome disso é ativismo. Como favorece o Executivo, o nome é aliança. Como submete o Legislativo, que nos representa, o nome disso não é democracia
Guzzo é sempre preciso!! 🎯
Vitória de Trump põe Lula, professores da USP e banqueiros de ‘pegada social’ em ansiedade extrema
Por J R Guzzo
"O Brasil tem acumulado angústias, ao longo de toda a disputa eleitoral pela presidência dos Estados Unidos, diante dos riscos de que o “fascismo” volte à face da Terra. Na verdade, não é o Brasil que está preocupado com o assunto. A população brasileira tem mais bom senso que toda a sua elite somada, e sabe perfeitamente, ou intui, que não existe uma única coisa de verdade na sua vida que possa ser ameaçada pelo “fascismo”. Sabe os perigos reais do seu dia a dia, que vão de uma droga de salário até o revólver que o ladrão aponta para a sua cabeça – e tem certeza de que a extrema direita não é um deles.
Quem fica falando dia e noite disso são Lula, os professores da USP e os banqueiros com “pegada social” – e quem mais se inclui no seu mundo. Devem estar com a ansiedade em modo extremo, desde ontem, com a vitória de Donald Trump para a presidência americana. Segundo disse às vésperas eleição o presidente brasileiro, Trump vai trazer de volta para os Estados Unidos e o mundo não apenas o “faxismo”, como ele diz, mas também o “nazismo”. Espera-se, então, a breve abertura de fornos crematórios, campos de concentração e a troca do FBI pela Gestapo nos Estados Unidos.
É a soma da afirmação cretina com a hipocrisia que faz parte do DNA de Lula – ele já cumprimentou e desejou boa sorte para o homem que chamou de fascista e nazista três dias atrás. Mas nem Lula nem a esquerda precisam se incomodar com o “fascismo” nos Estados Unidos. A mercadoria está disponível aqui mesmo, para entrega imediata, e um de seus principais produtores é justamente o mais precioso dos seus aliados – o Supremo Tribunal Federal. Querem mesmo combater o fascismo? É só mandar a Polícia Federal “cumprir mandados” na nossa “suprema corte”, como diz Lula. Vai sair de lá com o camburão lotado com o que existe de mais parecido a um fascista de carteirinha nesta altura do século XXI.
Neste preciso momento, por exemplo, o ministro Flavio Dino desfila como o porta-estandarte mais embandeirado do fascismo brasileiro – o que existe no mundo das realidades, e não a versão falsificada que o governo apresenta. Mandou queimar livros, para todos os efeitos práticos. Não com “substância inflamável”, como diria o ministro Alexandre de Moraes, mas proibindo a sua circulação e leitura, o que dá exatamente na mesma. O último regime que fez isso foi a Alemanha nazista, irmã gêmea do fascismo que deixa tão assustadas as classes culturais, o governo e, vejam só, o próprio STF.
Destruir livros é um dos atos de fascismo mais explícitos que um regime pode cometer. É também algo que está expressamente proibido pela Constituição Federal, no artigo 220. Está escrito ali: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição”. Qual a dúvida que poderia haver em relação a isso? Para fechar pelos sete lados, o texto diz logo em seguida que é proibido fazer leis que possam conter qualquer “embaraço à plena liberdade de informação” e qualquer “censura de natureza política, ideológica e artística”. Isso quer dizer, muito simplesmente, que a decisão do ministro viola a Constituição.
A argumentação de Flavio Dino não tem nada do que se possa entender como “argumento”; é apenas uma miserável coleção de opiniões baratas que você pode encontrar no primeiro boteco da esquina. Os livros censurados, todos compêndios de direito, contém trechos que ele considera “homofóbicos” e ofensivos “às mulheres”. E que raios isso tem a ver com as funções de um ministro do mais alto tribunal de justiça do Brasil? Há leis que regulam o tema; se os autores e os editores cometeram infrações à regra legal, têm de ser processados, julgados e condenados, ou absolvidos, dentro do devido processo da lei. Mas censura não existe, e o ministro está praticando censura da forma mais primitiva.
É um insulto aos brasileiros dizer, como diz pela milésima vez um juiz do STF, que “a liberdade de opinião não é absoluta”. E quem está dizendo que é? Todos os delitos que podem ser cometidos através do uso da liberdade de expressão, sem nenhuma exceção, são previstos no Código Penal e em outras leis. Todos, sem exceção, são responsáveis por cada sílaba que digam em público. Têm de responder, penal e civilmente, pelo que falam ou escrevem – mas têm, sim, o direito de falar e de escrever o que queiram.
Quem não gosta do que está escrito num livro tem todo o direito de não ler, de criticar, de não ir mais à livraria onde está à venda, de não comprar mais nenhum livro da editora responsável. Mas não pode exigir que o livro seja tirado de circulação – nem ele, nem o ministro Dino e nem ninguém. Quem censura é fascista, ou comunista, que falam, falam e falam, mas querem precisamente a mesma coisa – a ditadura. O ministro já foi glorificado por Lula como “o primeiro comunista a ser nomeado para o STF”. Para não deixar dúvida nenhuma, também está agindo como um fascista de primeiro grau."
https://t.co/rfFzIgoEp0
A tribuna realmente virou palanque.
Isso é postura de ministro?
Todo santo dia, alguém do STF vai lá tirar mais um tijolo do sentimento de legitimidade que o brasileiro precisa ter para que o STF exista. Eu realmente me pergunto: até quando?
Ou será que vai ser para sempre? Todo dia uma “inovação” jurídica justificada de acordo com a vontade de suas majestades, curiosamente sempre na mesma direção: para condenar Zés Ninguém, livrar os ricos e poderosos da cadeia, e permitir que um cartel opere em praticamente todas as obras do governo federal. O J.R. Guzzo, dias atrás, disse que o STF legalizou a corrupção. Pergunto: todas as operações da Polícia Federal e do Ministério Público são mal feitas? Não é possível. É muita coincidência. A PF e o MP sempre seguem a lei para prender pobre por pixar uma estátua, mas, por algum motivo obscuro, quando vão atingir gente com nome e sobrenome, só conseguem violar a Constituição.
É o tribunal mais afetado do mundo. Os ministros ficam dando discursos, querendo aparecer para a plateia, sem nenhum decoro, nenhum comedimento; são as pessoas mais vaidosas do Brasil. É triste que estejamos entregues a essa gente. E, se a esquerda ganhar em 26, vão ser mais dois advogados do Lula (se tivermos sorte) entrando no Tribunal. Depois de 2033, só em 2042.
Não comparecerei hoje para depor na Polícia Federal e não cumprirei ordens ilegais.
Assim como não me submeti à censura imposta ao X, também não me submeterei às tentativas de intimidação promovidas pela Polícia Federal e pelo STF para explicar quaisquer das minhas opiniões, palavras e votos. A Constituição precisa ser respeitada e está ao meu lado!
O que eu acho mais incrível é que simplemente não me respondem qual lei autoriza o Alexandre de Moraes a remover perfis inteiros sem apresentar justificativas, sem direito a defesa, ou simplesmente marcar um julgamento.
O fato é que a turma lambe-botas nunca sequer pensou na possibilidade do Alexandre de Moraes não poder fazer o que faz. Quando confrontados com a realidade, só conseguem balbuciar dois ou três xingamentos, e ensaiar um grito de ordem, enquanto se recuperaram de perceber que, sim, eles são os autoritários.
Alguns, infelizmente, nunca se recuperam da falta de oxigênio causada pelo susto e se mantém nesse estado. Você pode identificá-los pela incapacidade de sequer questionar o que levou o amigo do Lula e ex-chefe do gabinete de segurança institucional a adulterar os relatórios da ABIN para esconder que ele sabia sobre uma turma chegando em Brasília e achou prudente dispensar o reforço da guarda do Palácio do Planalto. Ou por que diabos NEM A FAMÍLIA PROCESSADA CRIMINALMENTE pode ver o vídeo do Aeroporto de Roma em que Moraes diz ter sido agredido. Essa incapacidade de conseguir enxergar o que está na frente do próprio nariz, fruto da falta de oxigênio do espanto de perceber que é autoritário, pode fazê-los balbuciar coisas ainda mais incompreensíveis como "basta recorrer".
Nos últimos dias, muitos jornalistas menosprezaram a suspensão do X no Brasil. Mas esta rede social não perderá a sua relevância sem os brasileiros.
O X é, entre outras coisas, um canal de declarações oficiais de autoridades do mundo inteiro, e muitas dessas declarações não estão disponíveis fora dele.
Não faltam jornalistas brasileiros que precisam acessar esse conteúdo em seus trabalhos.
Se um analista de política internacional, por exemplo, assume o dever de escrever uma matéria sobre política francesa – um país que enfrenta um impasse na escolha do próximo primeiro-ministro – é natural que ele visite a conta de @EmmanuelMacron, o presidente francês. Há coisas que Macron só escreve no X.
@JoeBiden, por exemplo, renunciou à presidência dos Estados Unidos no X. Hoje, o mero ato de confirmar essa informação, dada em primeira mão nesta rede social, poderia gerar uma multa a um jornalista, consideravelmente maior do que o salário médio de um profissional no Brasil.
Não bastasse, se o jornalista procurasse escrever uma matéria incluindo a fonte primária da renúncia de Joe Biden – por exemplo, embedando o tuíte, graficamente – arriscaria colocar o leitor em maus lençóis com a Justiça brasileira.
Se um tuíte é a fonte primária de uma declaração, como um jornalista poderá confirmá-la para o público sem infringir uma decisão judicial?
Há uma campanha presidencial acontecendo nos Estados Unidos nesse momento. Kamala, Trump, Walz e Vance estão no X todos os dias, sustentando as suas posições. Consultá-las é ofício de quem reporta sobre esse evento tão importante. Como fazê-lo sem parecer um vendedor de drogas acessando a deep web?
E isso para não falar da abundância de fontes, especialistas, fóruns de debate, insights, produzidos exclusivamente nesta rede social sobre uma série de assuntos – cultura, sociedade, economia, esporte. Há eventos grandiosos em que o X é a melhor fonte de informação em tempo real.
Ninguém discorda que há desinformação, mas há também muita informação de qualidade no X, reportada por gente do mundo inteiro – incluindo bons jornalistas produzindo conteúdo para as suas comunidades de leitores neste espaço. Muitos desses jornalistas, vivendo fora do Brasil, continuarão no X sem medo de consequências – mas os brasileiros, graças a @alexandre, estão impedidos de consultá-los.
É por isso que a decisão de Moraes não é um ataque apenas ao X. É um ataque direto à liberdade de imprensa – e sendo assim, é também um ataque frontal à democracia.
É vergonhoso que tantos colegas jornalistas – inclusive de alguns dos maiores veículos do país, que deveriam ser implacáveis defensores da liberdade de expressão e de imprensa – minimizem cinicamente a gravidade deste episódio.
Um jornalista que menospreza tudo isso atenta contra o próprio dever do jornalismo. No fim, age como uma galinha que protesta em defesa do KFC.
Last night, Alexandre de Moraes threatened our legal representative in Brazil with arrest if we do not comply with his censorship orders. He did so in a secret order, which we share here to expose his actions.
Despite our numerous appeals to the Supreme Court not being heard, the Brazilian public not being informed about these orders and our Brazilian staff having no responsibility or control over whether content is blocked on our platform, Moraes has chosen to threaten our staff in Brazil rather than respect the law or due process.
As a result, to protect the safety of our staff, we have made the decision to close our operation in Brazil, effective immediately.
The X service remains available to the people of Brazil.
We are deeply saddened that we have been forced to make this decision. The responsibility lies solely with Alexandre de Moraes.
His actions are incompatible with democratic government. The people of Brazil have a choice to make - democracy, or Alexandre de Moraes.
—
Noite passada, Alexandre de Moraes ameaçou nosso representante legal no Brasil com prisão se não cumprirmos suas ordens de censura. Ele fez isso em uma ordem secreta, que compartilhamos aqui para expor suas ações.
Apesar de nossos inúmeros recursos ao Supremo Tribunal Federal não terem sido ouvidos, de o público brasileiro não ter sido informado sobre essas ordens e de nossa equipe brasileira não ter responsabilidade ou controle sobre o bloqueio de conteúdo em nossa plataforma, Moraes optou por ameaçar nossa equipe no Brasil em vez de respeitar a lei ou o devido processo legal.
Como resultado, para proteger a segurança de nossa equipe, tomamos a decisão de encerrar nossas operações no Brasil, com efeito imediato.
O serviço X continua disponível para a população do Brasil.
Estamos profundamente tristes por termos sido forçados a tomar essa decisão. A responsabilidade é exclusivamente de Alexandre de Moraes.
Suas ações são incompatíveis com um governo democrático. O povo brasileiro tem uma escolha a fazer - democracia ou Alexandre de Moraes.
Um país pode ter três leis?
Depois de corromper até presidentes, Joesley Batista saiu pela porta da frente da cadeia. Para o juiz que o soltou, seis meses de prisão preventiva sem julgamento eram um flagrante constrangimento ilegal.
Há dois anos, o traficante Ednaldo Freire Ferreira, o Dadá, foi liberado para cumprir pena em regime domiciliar. O juiz acolheu o argumento de que seu filho autista precisava da sua presença. Dadá foi recapturado ano passado à 900Km da sua casa enquanto dirigia um carro de luxo. Não, seu filho autista não estava com ele.
A cabelereira Débora dos Santos foi presa por participar do quebra-quebra promovido em 8/1. Diferente dos manifestantes que, em 2017, contra o governo Temer, tocaram fogo no Ministério da Agricultura e do Planejamento (não precisa confiar em mim, faça sua pesquisa), a conduta de Débora foi pixar com um batom a frase “perdeu, mané” na estátua estacionada em frente ao Supremo.
Por esse “crime”, Débora está na cadeia sem ter sido julgada a 482 dias; mais que o dobro do tempo que o comprador de presidentes Joesley Batista.
O fato dela ter dois filhos menores de dez anos parece irrelevante, a despeito do próprio STF já ter decidido que mães de filhos menores de doze anos devem aguardar o seu julgamento em liberdade vigiada. De fato, foi por este motivo, que a então esposa do ex-governador carioca Sérgio Cabral, condenada por lavar o dinheiro ilícito dos esquemas do seu marido, também saiu pela porta da frente da cadeia.
O que eu peço para Débora e seus filhos não é nada além da lei que foi aplicada ao corrupto confesso Joesley Batista, ao traficante Dadá, e para a ex-mulher lavadora de dinheiro do Sérgio Cabral. Ou ela só vale para corruptos e traficantes?