E eu imaginava o que seria
Que criança não trabalha,
Mas a infância foi trabalho
E que o paraíso de Adão e Eva
Ficou por trás das muretas
Enquanto Abel já estava morto
Sentia o sol de meio dia
Dinâmica, cidade moderna
Com o rosto da inocência,
Ela falava sobre a morte
Das bonecas de pano
Para o pano de chão
Do mundinho caindo
Nessas ruas e becos
E dos seus quarenta anos
Falava ela, garotinha
Dissertava sobre a fome
Sobre pecados capitais
Ela falava sobre a guerra
Da batalha de quarta-feira
Do sangue sujando a sala
E as memórias de domingo
E eu pensava nos jogos
Nos livros pra dormir
Nos sonhos de verão
Na fina película da paz
eu acho que eu vou ter uma relação muito tóxico-admiradora do meu trabalho porque eu vou me enfiar nos buracos mais sujos das big techs pra empurrar a burguesia buraco abaixo