A internet brasileira passou a semana inteira debatendo OVNIs por causa de luzes de camping.
Em 31 de maio, o influenciador Mayk Leão, morador de uma chácara isolada em Campo Largo, no Paraná, publicou vídeos nos stories do Instagram mostrando um conjunto de luzes coloridas no horizonte e declarou ter visto uma nave alienígena de proporções gigantescas sobrevolar sua propriedade. O perfil saltou de 40 mil para mais de 2 milhões de seguidores em dias, a Força Aérea Brasileira emitiu nota oficial e ufólogos de todo o país começaram a planejar expedições ao local. O caso foi apelidado nas redes de “Caso Varginha 2.0” — comparação que, ironicamente, acabou sendo mais precisa do que os entusiastas gostariam, já que o incidente de 1996 também nunca teve suas alegações comprovadas.
O desfecho chegou numa live noturna. Os donos da Chácara Paraíso, um camping com estrutura de iluminação instalada há pelo menos cinco anos, mostraram em tempo real as luzes visíveis da região de Mayk. O dono passou o celular à esposa e foi desligando os interruptores um a um. As luzes foram apagando sequencialmente — exatamente como no vídeo original. Ligaram. Desligaram. Repetiram o processo para eliminar qualquer dúvida. “É a luz do camping, né? Tá desvendado então”, disseram ao final da transmissão. A FAB já havia informado que nenhum objeto apareceu nos radares naquela noite.
O que o caso revela, no entanto, é mais interessante do que a conclusão em si. Três quilômetros de mata fechada, zoom máximo de um iPhone 15 numa noite escura e uma narrativa construída em stories transformaram iluminação de fazenda em fenômeno nacional. Não há razão para acusar Mayk de má-fé — é perfeitamente plausível que ele tenha acreditado genuinamente no que viu. Mas a velocidade com que milhões de pessoas abraçaram a explicação sobrenatural, ignorando as mais elementares hipóteses terrestres, diz mais sobre o estado do consumo de informação nas redes do que sobre a existência de vida extraterrestre.
Nova imagem do set de "Superman: Homem do Amanhã" em Atlanta mostra David Corenswet e Nicholas Hoult lado a lado entre as tomadas do filme.
O detalhe que chama atenção é a escala da armadura: imponente, com acabamento metálico em verde e roxo, e 100% prática — sem efeitos digitais, conforme confirmado por James Gunn. O uniforme de Superman também já apresenta os ajustes notáveis em relação ao primeiro filme: símbolo do “S” maior e traje mais ajustado ao corpo.
"Superman: Homem do Amanhã" estreia em 9 de julho de 2027.
O romance mais discreto da temporada
Yamada e Tayama são a mesma pessoa — e Sasaki cuida das duas com a mesma dedicação silenciosa. É exatamente esse detalhe que torna "Smoking Behind the Supermarket with You" um dos romances mais bem construídos da temporada.
O anime, baseado no mangá de Jinushi premiado com o Next Manga Award de 2022, estreou na Crunchyroll com 12 mini-episódios antecipados antes mesmo da temporada de verão começar oficialmente em julho.
A série acompanha Sasaki, um CLT exausto que encontra refazer seus dias nos momentos furtivos de cigarro nos fundos do supermercado. A animação é produzida pelo estúdio Asahi Production.
@expeditopaz@DalenogareW vi quase todos para fazer comparação. Não vi nenhum outro ter opinião diferente. A não ser que acharam bem cheio de piadas a todo instante e ter vergonha do material fonte.
Mestres do Universo: voltei ao cinema e o filme é ainda mais problemático do que parecia
Fui ao cinema de novo ver Mestres do Universo. Às vezes uma segunda sessão muda a perspectiva — você relaxa das expectativas, entra no ritmo do filme e encontra coisas que passou batido na primeira vez. Com Mestres do Universo, aconteceu o contrário. O que na estreia parecia um blockbuster divertido com alguns problemas pontuais, na segunda sessão revelou ser um filme profundamente inseguro consigo mesmo — e essa insegurança contamina tudo.
O problema central não está nos efeitos visuais, que continuam impressionantes, nem no elenco, que faz o que pode com o material. O problema está no roteiro, que em nenhum momento tem coragem de bancar o que Mestres do Universo sempre foi: uma fantasia épica, cafona, exagerada e completamente assumida nesse exagero. Em vez disso, o filme passa duas horas fazendo piada de si mesmo antes que qualquer outra pessoa possa fazer — como se os roteiristas tivessem vergonha do material de origem e precisassem sinalizar ao público que eles também acham tudo aquilo ridículo.
O resultado é aquele efeito que ficou conhecido como a pior herança do modelo Marvel: sempre que uma cena começa a ganhar peso dramático real, uma piada aparece para esvaziar a tensão. Os heróis saem da cadeia em uma pose que imita os bonecos clássicos — um momento que poderia ser glorioso — e imediatamente começam a engasgar com a própria poeira. A cena se autodestrói antes de ter a chance de funcionar. Isso acontece repetidamente ao longo do filme, e na segunda sessão o padrão fica dolorosamente óbvio.
A questão dos nomes é outro sintoma da mesma doença. O roteiro inventa uma justificativa para explicar por que os personagens têm nomes como Fisto, Mandíbula e Mecaneck: foi o Adam quem os inventou quando criança, sem saber os nomes reais. É uma solução que tenta ser esperta mas entrega exatamente o oposto — revela que os roteiristas tinham vergonha dos nomes originais e precisaram criar uma desculpa narrativa em vez de simplesmente abraçá-los.
Nicholas Galitzine é um ponto de discussão que ficou mais claro para mim na revisita. A primeira transformação de Adam em He-Man é visualmente muito bem executada — musculatura, iluminação, o momento em si funciona. O problema é que a transformação é só física. A atitude não muda. He-Man continua sendo o mesmo paspalho inseguro do início, e em uma cena que me incomodou muito mais na segunda vez, ele tenta resolver um confronto com o exército de Mandíbula através de diálogo corporativo — justificando que trabalhou no RH na Terra. Um homem que viveu 15 anos sabendo que Esqueleto destruiu seu mundo e atacou seu pai, e a resposta dele ao reencontrar os vilões é propor uma conversa de mediação de conflitos. É difícil torcer por um protagonista que o próprio filme não leva a sério.
O Esqueleto de Jared Leto sofre de um problema parecido. Ele tem os discursos teatrais, tem as risadas clássicas — mas o filme imediatamente corta para os próprios capangas dele virando os olhos de tédio. A ameaça é construída e desmontada pelo roteiro antes que o espectador possa senti-la. E a Maligna, que no desenho original era uma segunda em comando genuinamente perigosa, aqui passa o filme inteiro achando o Esqueleto um panaca e não serve para praticamente nada na trama. Dois vilões desperdiçados no mesmo filme é um feito e tanto.
Os furos de roteiro, que na primeira sessão eu relevei pelo ritmo, ficam mais visíveis com a distância. O Esqueleto dominou Eternia por 15 anos e deixou um núcleo de resistência intocado numa caverna — mas assim que a nave de Teela passa pelo local, ele a encontra instantaneamente. A Feiticeira diz que a Espada do Poder é o caminho de Adam de volta para casa, mas o filme revela depois que o poder real sempre esteve dentro dele e que a espada não servia para nada. O clímax final com o Esqueleto é resolvido com socos em câmera lenta e caretas. Para um filme com 170 a 200 milhões de dólares de orçamento, o confronto final é desconcertantemente preguiçoso.
O contraponto positivo que fica intacto na revisita é Camila Mendes como Teela. Ela é durona, focada, carrega senso de responsabilidade e age exatamente como o protagonista deveria agir — é ela quem sustenta a credibilidade dramática do filme nos momentos em que o Adam não consegue. Idris Elba como Mentor também entrega, dentro do espaço que o roteiro dá a ele. E o começo do filme em Eternia ainda é visualmente bonito, com efeitos e ambientação superiores ao que os trailers preparavam.
Mas a comparação que me ficou mais forte saindo da segunda sessão foi com Mortal Kombat 2, que está em cartaz no mesmo período. Os dois são filmes baseados em propriedades nostálgicas dos anos 80 e 90, com roteiros simples e tom assumidamente popular. A diferença é que Mortal Kombat 2 abraça suas raízes sem sentir vergonha — funciona porque acredita no que é. Mestres do Universo passa o filme inteiro tentando se distanciar ironicamente do próprio material, e paga o preço narrativo por isso.
A nota continua a mesma. Mas a segunda sessão tirou qualquer dúvida que ainda havia sobre o filme.
Nota: 5/10
Esses pôsteres de "Homem-Aranha: Um Novo Dia" têm exatamente a mesma energia das propagandas de brinquedos do Homem-Aranha dos anos 80 e 90 — e isso não é acidental.
A campanha visual do filme, dirigido por Destin Daniel Cretton e estrelado por Tom Holland, aposta em um design que evoca nostalgia sem abrir mão do tom mais sombrio que a produção promete. O segundo pôster já antecipa um dos confrontos centrais: Peter Parker frente a frente com o Tentáculo — e com o Justiceiro já confirmado nas prévias, o filme ainda adaptará o arco O Outro, que marca uma das transformações mais radicais da história do personagem nos quadrinhos.
"Homem-Aranha: Um Novo Dia" estreia em 30 de julho de 2026 nos cinemas brasileiros. 🕷️
Thales, O Ultra, obrigado por defender o espaço com a seriedade que ele merece — e a Paty também tem razão no ponto dela: no fundo, é exatamente isso que está acontecendo aqui, visões diferentes sobre o mesmo filme, e isso é completamente saudável. Thales, sei que você curtiu Mestres do Universo, e fico feliz que a obra tenha te dado isso — a sua leitura é tão válida quanto a minha. Acabei de rever o filme, amanhã coloco aqui, e gostaria da sua nova opinião sobre esse novo texto.
Qual primeira frase, especificamente? Porque “errou” sem apontar o erro é exatamente o tipo de argumento vago que não leva a lugar nenhum.
Aponta a frase, mostra onde está o erro, e debatemos com prazer — esse é o espaço certo para isso. Do jeito que veio, é só uma afirmação jogada no ar.
@thethales Tranquilo, Ultra! Acompanho MdM a quase 20 anos! Puxa tempo voo não!? Lembro até hoje dos primeiros programas lá no 2007. Vi seu review. Respeito sua opinião também . 😃
Galera, obrigado a todos que comentaram — de verdade! É exatamente esse calor que faz o Action e Comics valer a pena. Mestres do Universo claramente tocou em algo real para muita gente, e a alegria de quem saiu do cinema satisfeito é completamente legítima — nenhuma crítica do mundo vai ou deve tirar isso de ninguém.
A experiência de cada um com uma obra é sua, e ponto final. O que faço aqui é olhar para o filme como produto cinematográfico, analisar suas escolhas narrativas e técnicas — e nesse campo, mantenho os argumentos do texto. Mas se o filme te divertiu, te emocionou, te levou de volta à infância, isso tem um valor que nenhuma nota consegue medir.
Continuem debatendo, continuem discordando — é isso que mantém o grupo Action e Comics vivo!
Olha, vou ser direto: acusar um texto de ser gerado por IA sem apresentar um único elemento concreto que justifique essa conclusão não é argumento — é chute.Olha, vou ser direto: acusar um texto de ser gerado por IA sem apresentar um único elemento concreto que justifique essa conclusão não é argumento — é chute.
Se há algo no texto que soa artificial, aponte qual parágrafo, qual construção, qual análise parece vazia ou genérica. Isso sim seria uma crítica à crítica. Chegou aqui com "provável prompt" e "informações soltas" sem demonstrar absolutamente nada.
Comentários sem substância como esse não acrescentam nada ao debate e, a partir de agora, esse tipo de resposta resulta em bloqueio direto. O espaço aqui é para quem quer debater de verdade.
Mestres do Universo Tem Medo de Ser Exatamente o Que Deveria Ser
Há algo profundamente irônico em um filme sobre o herói mais musculoso e grandioso da história dos brinquedos chegar às telas com tanto medo do próprio ridículo. Mestres do Universo, que estreia hoje nos cinemas brasileiros pela Sony Pictures, é o resultado de quase duas décadas de um projeto que passou por Warner Bros., Columbia Pictures, quase virou filme na Netflix — onde 30 milhões de dólares foram gastos antes do cancelamento em 2023 — até pousar finalmente nas mãos da Amazon MGM e da Mattel. Com 170 milhões de dólares de orçamento e a pressão de justificar uma franquia inteira de brinquedos para uma nova geração, o filme dirigido por Travis Knight chega ao mundo já traído pelo próprio roteiro.
O Príncipe Adam, interpretado por Nicholas Galitzine, é encontrado trabalhando no setor de Recursos Humanos, na Terra, após perder sua Espada do Poder ainda criança. A ideia tem um charme genuíno — o homem mais poderoso do universo resolvendo conflitos com empatia e diálogo, incapaz de levantar uma espada mágica que o abandonou. O filme tenta construir uma tese sobre masculinidade que se distancia dos músculos oitentistas da animação original, apostando numa versão de He-Man que acredita na paz antes da pancada. Seria corajoso, se o roteiro tivesse a convicção de sustentá-lo. A cada dez minutos, porém, essa premissa é sabotada pela própria história, que no fim resolve tudo no confronto físico de sempre. O filme prega uma coisa e pratica outra, e essa hipocrisia estrutural corrói qualquer identificação com a jornada de Adam.
O problema central de Mestres do Universo é a fobia do próprio material. A estratégia narrativa é a autodepreciação permanente — piadas, sarcasmo e piscadas constantes para a câmera que dizem o tempo todo: "sabemos que isso é brega, riam com a gente". Já vi essa abordagem em Thor: Amor e Trovão, e aqui ela faz o mesmo estrago. Quando os próprios heróis não levam Eternia a sério, o espectador também não consegue. As ameaças perdem peso, o universo perde escala, e o que poderia ser épico vira esquete. A ironia como escudo funciona em doses — como recurso dramático, destruída na quantidade que esse roteiro emprega, ela esvazia tudo.
Galitzine tem presença e carisma físico para o papel, mas o roteiro não lhe dá espaço para transitar com naturalidade entre a comédia e a ação. Nos momentos em que o filme pede leveza, ele convence; quando o peso dramático aparece, a transição trava. É uma limitação que o roteiro agrava ao não permitir que nenhuma cena respire — há uma fobia do silêncio que faz o filme encaixar uma piada a cada minuto, inclusive nos momentos em que um segundo de gravidade mudaria tudo.
Idris Elba como Duncan, o Mentor, é o desperdício mais doloroso. O personagem tem um arco de mentor decadente com potencial dramático real, e o que o roteiro faz com isso é transformá-lo em alívio cômico. Elba faz o que pode com o que tem, e o que tem é pouco. Camila Mendes como Teela sofre do mesmo mal: sua personagem tem urgência e determinação na primeira cena, e vai sendo suavizada pelas exigências de leveza do roteiro até perder qualquer aresta interessante. O resultado é que os personagens mais promissores da história existem apenas para preencher o espaço entre as piadas do protagonista.
E então há Jared Leto. Admito que cheguei ao filme com pouca tolerância para o ator nos últimos anos — uma sequência de escolhas questionáveis que foi testando a paciência de quem acompanha sua carreira. Esqueleto muda esse quadro. Leto capturou com precisão o tom desajustado, espalhafatoso e genuinamente ameaçador do vilão, criando uma voz completamente própria, distante do tom caricato que o personagem carregava na animação original. Cada cena com Esqueleto tem energia, tem ritmo, tem perigo — e o filme perde visivelmente quando ele sai de quadro. É a atuação que o longa merecia ter como centro, e fica nas margens.
Travis Knight, que entregou um trabalho sensível em Bumblebee, aqui perde o controle do material que tem nas mãos. As sequências de ação são genéricas, cheias de cortes rápidos que aniquilam o impacto dos combates — numa história sobre o homem mais forte do universo, nenhuma pancada parece doer de verdade. A direção de arte tem momentos de acerto no figurino e nos detalhes físicos de Eternia, mas os fundos em computação gráfica criam um contraste incômodo com tudo que está na frente da câmera, produzindo cenários que parecem decoração e não mundo. A montagem, dividida entre o núcleo terrestre de Adam e o núcleo de Eternia, nunca encontra uma coesão de tom ou escala — são dois filmes com personalidades diferentes colados numa edição que não sabe qual dos dois quer ser.
O único elemento que funciona sem ressalvas é a trilha sonora de Daniel Pemberton em colaboração com Brian May. Ela tem grandiosidade, tem espírito dos anos 1980 de verdade, e entra em conflito direto com o que o roteiro está fazendo — a música tenta construir épico enquanto o texto tenta construir paródia. É quase uma declaração involuntária do problema do filme inteiro.
O que fica, ao final, é a sensação de que Mestres do Universo é um produto de 170 milhões de dólares que não tem coragem de ser nenhuma das duas coisas que tentou ser: nem a aventura épica que a trilha sonora promete, nem a desconstrução inteligente que a premissa do RH sugeria. Para quem cresceu com He-Man, há referências, há personagens clássicos, há o Hafþór Björnsson — o Montanha de Game of Thrones — como Homem Cabra, há momentos que ativam a memória afetiva. Se isso for suficiente, o filme entretém. Para quem não carrega esse peso nostálgico, duvido que haja aqui argumento suficiente para criar um novo fã — e sem novos fãs, a franquia que a Amazon e a Mattel tanto querem construir vai depender de uma bilheteria que as projeções já indicam ser preocupante.
Nota: 5/10