Não serei nada mais do que uma memória fugaz que invade a tua mente na calada da noite - um pensamento passivo que relembras daqui a anos.
Talvez com tristeza
Espero que com um sorriso
Talvez o que mais me destrua seja saber que amanhã provavelmente vou levantar-me outra vez, vestir-me, falar com pessoas, responder a mensagens e fingir normalidade. E ninguém vai perceber o quão perto estive de simplesmente deixar cair tudo.
a minha mãe precisa de mim aqui, o meu pai precisa de mim aqui, a minha namorada precisa de mim aqui, a minha avó precisa de mim aqui
portanto, terei que cá continuar, por eles
Quis ser forte para ti. Quis ser abrigo. Quis ser chão firme. Mas estava a desmoronar por dentro e continuei a sorrir.
Peço-te perdão não por te amar, mas por ter fingido que conseguia carregar tudo sozinho.
E tu…
amor meu,
não fui fraco por não aguentar.
Fui fraco por tentar esconder tudo para não te assustar.
Amar-te enquanto me estava a afogar foi a coisa mais bonita e mais cruel que já vivi.
Porque tu vias um “eu” que eu já não conseguia reconhecer.
Não te escrevo por coragem.
Escrevo por cansaço.
Cansei de fingir que estava inteiro,
de disfarçar a exaustão com sorrisos curtos,
de responder “está tudo bem” quando por dentro tudo desabava em silêncio.
Queria ter sido mais leve. Mais fácil. Mais simples de amar.
Mas havia dias em que respirar doía. E mesmo assim, eu levantava. Sorria. Funcionei no automático enquanto me desfazia por dentro.
Levo comigo tudo o que não consegui dizer, tudo o que senti sozinho e tudo o que escondi para não te preocupar.
Se um dia deres por mim, não é saudade… é só o eco de alguém que te amou mais do que soube existir.
É aqui que termino, não como quem desiste, mas como quem finalmente aceita que já não há estrada à frente, apenas um vazio tranquilo, frio, onde o peso se dissolve e tudo deixa, enfim, de importar.
Cheguei ao ponto em que as palavras já não aquecem, e o silêncio parece mais honesto do que qualquer promessa. O mundo perdeu o contorno, e já não há luz suficiente para distinguir o que é sonho e o que é ruína.
Carrego o cansaço nos ossos e uma ausência no peito que nenhuma lembrança consegue preencher. As vozes, mesmo as mais próximas, soam distantes, como se falassem através de água gelada.