De memes com qualidade duvidosa até assuntos científicos de pequena relevância para humanidade. Ah, também tem o Corinthians (e o lolzin), agora também tem o CS
O gesto precisava de correção. A pessoa precisava de formação.
Foi uma comemoração idiota, visualmente péssima e que precisava ser tratada com seriedade. Mas existe uma distância gigantesca entre um jogador usando um objeto do mapa durante uma comemoração e atribuir intenção pedófila a ele.
Eu joguei e trabalhei com Counter-Strike profissional por muitos anos.
No Counter-Strike, jogadores atiram em corpos já eliminados, agacham em cima deles, jogam armas, fazem movimentos aleatórios e comemoram de maneiras completamente idiotas depois de rounds importantes. Nesse caso, ele tinha acabado de fazer um ace que praticamente encerrava uma série que já durava quase cinco horas.
IIsso explica o contexto. Não torna o gesto bonito, mas muda completamente o que é razoável concluir sobre a intenção do jogador.
E é justamente aí que uma organização deveria existir.
Academy não deveria significar apenas desenvolver mira, tática e valor de mercado. Deveria significar formar um profissional. Chama o jogador, mostra a gravidade da imagem, faz media training, aplica uma advertência, coloca ele para falar com honestidade e assume institucionalmente a parte que cabe ao clube.
Em vez disso, a MIBR publicou uma nota genérica sobre “valores e conduta”, desligou o elo mais fraco da cadeia e deixou um jogador de 22 anos sozinho carregando uma interpretação monstruosa que o contexto não sustenta.
Isso é fácil de chamar de compliance. Para mim, é covardia institucional.
Punir todo erro com a sanção máxima não demonstra valores. Demonstra que a organização não sabe ensinar, contextualizar ou proteger as pessoas que decidiu contratar.
A atitude merecia correção. A pessoa merecia formação.
Se uma Academy descarta o jogador justamente quando ele precisa ser desenvolvido, então ela não é uma Academy. É apenas um depósito temporário de ativos.
Na Liquid, recebíamos orientação sobre como agir como profissionais, representar marcas e entender que qualquer gesto diante de uma câmera poderia ganhar outra proporção. Isso também é treinamento. Ninguém nasce sabendo representar uma organização internacional.
E eu já vi organizações tratarem diferenças culturais, falas e situações muito mais graves com conversa, contexto e educação. A régua não pode mudar conforme o tamanho da repercussão ou o poder de quem está envolvido.
Bad PR não é automaticamente bad person.
Às vezes, é justamente o trabalho da organização impedir que uma imagem ruim se transforme numa sentença falsa sobre uma pessoa.
Não estou pedindo que passem pano. Estou pedindo algo aparentemente muito mais difícil hoje: contexto, proporcionalidade, responsabilidade e coragem para desenvolver um ser humano depois que ele erra.
Todo mundo fala de valores quando é hora de cortar alguém.Quero ver demonstrarem valores quando é hora de ensinar, proteger e assumir responsabilidade junto.