@futebol_info Então limita o número de idade média e não de estrangeiros. Não adianta limitar o estrangeiro e ter 8 medalhões com mais de 32 anos no time titular.
@PortaldoLeao A ideia é boa, mas o fato de repetir 2 confrontos que já se enfrentaram na fase de grupos dá uma acaba tornando pior que o formato atual.
Se você quiser exemplo da infantilização da cobertura de negócios no esporte, aqui está. Uma comparação toda equivocada sobre valores de ingressos em Copas com 32 anos de diferença. Que vai repercutir mais do que qualquer explicação porque, bem, essa turma vive de "engajamento".
Vejamos.
1. Os preços da Copa de 1994 foram anunciados em 4 de fevereiro de 1993. O ingresso mais barato para jogos da fase de grupos custava 25 dólares. O mais caro, no melhor assento da final, 475 dólares. O preço médio era de 58 dólares por ingresso. Qualquer um encontra esses valores em pesquisa, eu vi no Los Angeles Times;
2. No momento em que os ingressos foram colocados à venda, a moeda brasileira era o cruzeiro. Você até pode fazer a conversão, mas ela não vai servir pra nada — 25 dólares, o ingresso mais barato, equivaliam a 415 mil em fevereiro de 1993. Se trocarmos o dia da conversão para outro, o valor muda radicalmente;
3. O Plano Real foi inaugurado em 1º de julho de 1994. A cotação da moeda brasileira em relação ao dólar mudou de 2.612 em 30 de junho para 1 (um!) em 1º de julho. A Copa já tinha começado e ainda faltavam duas semanas para terminar. Faz mesmo sentido tentar simplificar o preço num valor único?
4. Dois fatores econômicos precisam ser considerados para fazer cálculos básicos. A inflação brasileira, que corroeu o poder de compra do real entre 1994 e 2026, e o câmbio para a moeda americana, que passou de "um pra um" na estreia do Plano Real, no meio daquela Copa, para "um pra cinco" no momento atual;
5. A inflação corrói o dólar em ritmo muito, muito inferior ao real, mas também existe: ela faz com que 1 dólar em 1994 equivalha a 2,23 dólares em 2026. Quem quiser fazer uma comparação econômica precisa levar em consideração o impacto inflacionário também na moeda de lá, caso contrário o cálculo estará errado;
6. O modelo de precificação dos ingressos mudou. Em 1994, fazia-se uma tabela fixa de valores e se levava a mercado para a comercialização. Para a Copa de 2026, a Fifa estreou o sistema de precificação dinâmica — como as passagens de avião, cujo preço muda de acordo com oferta e demanda, em tempo real;
7. O "produto" Copa mudou em 32 anos. A experiência de assistir a um jogo de futebol é outra em termos de conforto, segurança, lotação. Isso altera o custo de manutenção do estádio, a quantidade de funcionários, enfim, uma série de variáveis que ajudam a contextualizar "por que ficou mais caro".
Em suma, números estão errados, a ciência econômica foi ignorada, conceitos de marketing foram jogados fora. É uma peça que não serve para rigorosamente nada, além de confundir o torcedor e alimentar crenças descabidas sobre o Brasil, a Copa e a Fifa. Você vai ver um zilhão delas até o fim de julho.
Mas repercute que é uma beleza.