Eu não sei quando foi que eu mudei. Ou o que aconteceu exatamente. Eu só cansei.
Até 2019 mais ou menos eu gostava de explicar, argumentar, ensinar libertarianismo. Eu entendia que meu trabalho era educar.
Hoje eu perdi a paciência completamente. Eu entendo que meu trabalho é salvar quem entende de quem não quer entender. E quem não quer entender que coma terra mesmo, problema dele, não meu.
Não é uma questão de se é possível explicar libertarianismo para todo mundo. Dá. Eu só não consigo mais me convencer a fazer o esforço.
Tem uns 5-10% da população que quer ouvir e que vale o esforço. O resto eu acho que eu simplesmente larguei mão, e fim.
Não é uma posição saudável. Não é o jeito que eu deveria agir. Inclusive isso me perturba muito como cristão.
Mas eu não consigo mesmo mais me convencer a sacrificar minha paz, tempo e financeiro pra ficar ensinando e detalhando pra quem decidiu que não quer saber e ponto final.
Perdi a conta de quantas vezes eu comecei a escrever uma pauta ou tweet detalhado, com boa informação, discutindo algo importante...
Parei no meio...
E pensei algo como
"Tá mas pra que"
"O que funciona é conteudo raso, isso aqui é profundo demais, deixa pra lá"
"Tem 30 leads na tua inbox querendo contratar a Settee pra sair do Brasil e você tá aqui escrevendo pra quem ainda acha que o Flávio vai ser igual o Milei, por que?"
"Mas o cara que precisa ouvir isso só vai te xingar, por que eu gasto tempo com ele?"
Isso sem falar que 90% das pautas de Brasil são irrelevantes no médio a longo prazo, ou repetidas.
E das discussões do mundo que realmente importam, o Brasil nem tá sabendo nem quer saber.
Olhando pra trás em 11 anos de trabalho, eu não gosto de pensar sobre arrependimentos. Mas eu deveria ter feito tudo em inglês, desde o dia 1. Ignorar o resto do mundo não me parece ter sido uma boa ideia. E eu planejo em breve começar a sério conteúdo libertário em inglês.
Resta que os dois únicos temas que eu acho que ainda valem a pena falar em português são:
1) O Brasil vai ficar (mais) pra trás do resto do mundo e isso não vai mudar nos próximos 10 anos no mínimo. E explicar por que, em diferentes formas.
2) Quem puder, saia. A conta vai ficar com você e você só está jogando a sua vida fora em nome do eleitor médio, que só quer seu dinheiro. Pare de ser inocente.
Não consigo me interessar por essa eleição agora. Mesmo que a direita ganhe, não vai ter reformas e corte de estado. Vai ter 4 anos do legado do Lula continuado. Contem comigo contra Lula pra evitar o pior. Mas não existe um cenário otimista. Existe o desastre e o pessimista.
Ou alguém acha que reformas estilo Milei vão acontecer?
Enquanto isso, tem dezenas de países muito interessantes agora que querem você, que entenderam o caminho certo.
É uma escolha simples.
Um dia eu vou conseguir voltar a cumprir o que hoje eu considero meu dever cristão de educar, de enfrentar essa podridão no Brasil. Hoje eu entendo que eu recebi um talento, e uma responsabilidade.
Mas hoje? Hoje eu não consigo me convencer a priorizar isso. Em 2025 eu aprendi a parar de me odiar. E isso me mudou muito.
E em 2026 eu, finalmente, comecei a cuidar de mim mesmo. E finalmente, eu estou feliz. E sim, eu me sinto culpado por isso.
Me desculpem os 10% que valem a pena conversar. Os outros 90% me convenceram que eu deveria priorizar salvar vocês deles.
Já pode considerar tradição???
Em comemoração a mais um ano de NFL no Brasil, vem aí mais um sorteio de caixa surpresa com produtos do seu time da NFL!!!
Regras:
- RT nesse tweet
- Seguir a página
Sorteio vai ser dia 08/07
Boa sorte🍀🫶🏻
@umagestora Uma dúvida sobre o financiamento.
Se eu fizer um financiamento no modelo PRICE (sei que não é o melhor no longo prazo, mas seria o que a prestação caberia no meu orçamento no momento)
Depois posso refinanciar pelo SAC?
@CafeComSardinha As pessoas que me perguntam sobre investimentos sempre esperam como resposta: o que comprar hoje? Qual a dica quente do dia?
E sempre se decepcionam quando respondo: depende.
Tolstói entendeu uma coisa sobre o amor moderno antes mesmo de existir Instagram, Tinder ou aplicativos de relacionamento.
Em Ana Karenina, o adultério não nasce simplesmente do desejo, nasce do tédio. Ana tem marido, filho, estabilidade, posição social, porém, tudo isso começa a parecer pequeno diante da promessa de uma vida “mais intensa”. Basta um baile, um olhar, um homem bonito chamado Vronski, e ela passa a acreditar que a felicidade está escondida em outro lugar.
É curioso porque o romance inteiro gira em torno dessa sensação muito contemporânea: a ideia de que paz virou sinônimo de monotonia. A vida comum parece insuficiente. Amar alguém por muitos anos parece pouco. Construir uma família parece menos emocionante do que perseguir uma paixão avassaladora.
Tolstói coloca isso diante de outro casal: Levin e Kitty. Enquanto Ana vive consumida pela necessidade de sentir algo novo o tempo inteiro, Levin aprende uma coisa muito menos cinematográfica: amar é cultivar. Tem rotina. Tem desgaste. Tem silêncio. Tem reconstrução.
E talvez seja justamente isso que o nosso imaginário desaprendeu.
A cultura moderna nos treinou para buscar intensidade emocional contínua, como se o amor verdadeiro precisasse parecer um baile eterno. Só que relações humanas não sobrevivem de dopamina. Elas sobrevivem de permanência.
Por isso Levin acaba entendendo algo que Ana nunca consegue aceitar: amar é arar a própria terra.
Você planta, cuida, perde colheitas, começa de novo. E, aos poucos, aquilo cria raízes.
Tolstói escreveu isso no século XIX. Continua parecendo um retrato do amor em 2026.