Escrevo porque ainda sou capaz de colocar palavras onde já não encontro respostas. Se existe alguma parte de mim que resiste, hoje ela é pequena demais para ser vista, mas ainda segue expondo a si.
21/07
Eu quero morrer. Não existe mensagem subliminar ou texto bonito. Não existe metáfora que alivie isso. Só existe um vazio que parece ocupar tudo. Eu não me lembro mais quem eu era, nem quem eu deveria ser.
Não sinto raiva, nem esperança. Só um cansaço que não passa com o sono e um vazio que não diminui com o tempo. Talvez eu ainda esteja esperando alguma coisa mudar. Talvez eu só não saiba mais o que significa continuar.
Os dias passam. Eles continuam passando com a mesma indiferença de sempre. O calendário cumpre sua função, o relógio também. Só a memória parece ignorar o tempo. Ela não pergunta quantos meses se passaram antes de trazer você de volta por alguns segundos.
Tentei convencer a mim mesmo de que existiam assuntos maiores do que a sua ausência.
E existem.
Mas isso nunca significou que eu deixei de pensar em você..
Ainda carrego o peso da minha família, das descobertas que fiz, dos erros que cometi e das pessoas que perdi. Nada disso desapareceu. Mas, pela primeira vez em muito tempo, a próxima página não começa com uma nova dose. Começa com uma decisão.
14/07
Pequeno Lapso temporal
Fui para a resenha de segunda na praia com meu pai e os amigos dele. Bebi. Ri em alguns momentos. Estranho como a vida consegue parecer normal por algumas horas, mesmo quando existe um cemitério inteiro dentro da cabeça.
Descobri uma verdade inconveniente: existe uma diferença entre sobreviver e viver. Durante muito tempo sobrevivi de consulta em consulta, de receita em receita, esperando que algum comprimido resolvesse perguntas que nunca foram químicas.