Não há como não haver dor,
mas que a dor não seja o arpão
Que aflige o peito, obscurece a alma
Inunda, afoga, desconsola o coração.
Que a dor seja a chuva por um dia inteiro
O céu nublado de nuvens pesadas
O temporal que parte a noite ao meio,
mas pela manhã inevitavelmente acaba
Talvez você preferisse que eu dissesse
Que você foi o meu sol poente
Laranja vivo desmanchando no horizonte
Mas quem eu quero enganar
Você foi minha noite, meu medo
O céu negro, profundo, silencioso
O caos, a urgência em encontrar.
Me fugiram todas as palavras
se foram junto com aquele amor,
sou agora poeta sem rima, sem nada
se foram os motivos, o silêncio ficou.
Quem poderá prever se ainda haverá,
uma dor bem maior depois?
Calo meu peito agora, basta essa
Quero amar por um, não sofrer por dois
Atravessei oceanos de solidão
Me perdi nos desertos da minha alma
O tempo passa por minhas mãos
Como uma sede desejando água.
Desenhei rostos nas dunas de areia
E eles foram a minha única companhia
As noites duram uma vida inteira
Quando você está sozinha.
Eu encarei os olhos da solidão
as quatro da tarde de um domingo
Espalhei memórias minhas pelo chão
e mergulhei no meu próprio abismo.
Meus demônios são minha companhia
Eles ficaram quando o amor foi embora
Que a morte venha mais gentil que vida
e que sutilmemte me leve de volta.
Estive no tempo errado
A minha vida toda
Longe demais dos caminhos
De cada uma das pessoas
Que eu mais amei na vida.
Se o tempo é a lei que rege o mundo
Por que me fez assim tão atrasado,
Longe demais do futuro
Perto demais do passado.
Um completo estranho a deriva.
Nos encontraremos lá na frente
Uma outra vez
Seremos felizes
Uma outra vez
Riremos juntos
uma última vez.
Até eu me lembrar
Que quando eu chorei
Não foi você que eu encontrei.
Não foram em teus dedos
que eu me aninhei,
Não foi sob as tuas asas
Que eu me curei.
As crianças que não choram
são as que não recebem amor
Eu deveria ter chorado mais
mesmo sem sentir dor
Por que agora eu choro
pela dor da falta de amor.
eu colei os pedaços
para você não ver,
apaguei o rastro
de cada lágrima
que ameaçou descer.
não vou dizer que passou
não vou dizer que mudei,
não há beleza na dor,
mas eu me acostumei.
As minhas infelicidades
não me tornaram forte
me tornaram terrivelmente infeliz,
já me cansei de esperar o acaso
o destino ou a sorte,
intercederem por mim.
Era o fim e eu nem notei,
só agora sinto o sabor da despedida
no último beijo que me deu.
Ficou o sentimento feio,
a magoa remoida,
a saudade mal contida
do que era você e eu.
Talvez seja o destino
esse nosso desencontro,
por que te procuro por toda parte
mas nunca te encontro.
Talvez você seja o remédio
que vai curar o meu ser,
ou você pode ser a dor
que vai me partir de vez.