A história de Ikaro Stone começa muito antes de ele abrir a porta de um estúdio de tatuagem em Chicago. Começa numa casa onde nunca existiram gritos suficientes para justificar o silêncio.
Os pais de Ikaro nunca foram pessoas cruéis. Esse era justamente o problema. Eram frios. Seu pai era engenheiro estrutural, um homem que acreditava que qualquer problema podia ser resolvido com lógica, disciplina e repetição. Sua mãe era professora universitária de História, extremamente inteligente, mas emocionalmente distante. Ambos enxergavam o filho como um projeto que precisava dar certo. Nunca faltou comida, uma boa escola ou livros. Mas nunca houve alguém que perguntasse como ele realmente estava.
Desde pequeno, Ikaro desenhava em qualquer superfície possível. Mesas, cadernos, caixas de papelão e até as paredes do quarto. Enquanto outras crianças desenhavam super-heróis, ele desenhava pessoas. Rostos. Mãos. Olhos. Sempre olhos. Quando mostrava seus desenhos ao pai, recebia comentários técnicos sobre perspectiva. Quando mostrava à mãe, ela dizia que aquele talento seria útil na arquitetura. Nenhum dos dois dizia que era bonito. Nenhum dizia que tinha orgulho. Com o tempo, Ikaro simplesmente parou de mostrar.
A única pessoa que realmente o enxergava era sua tia, Eleanor Stone. Irmã mais velha de seu pai, Eleanor passava boa parte do ano na Holanda trabalhando com restauração de obras de arte. Ela acreditava que arte não existia para decorar paredes, mas para impedir pessoas de morrerem por dentro. Sempre que visitava Chicago, levava o sobrinho a museus, mas nunca explicava os quadros. Em vez disso, perguntava: “O que você acha que essa pessoa estava sentindo quando pintou isso?” Foi a primeira vez que alguém se interessou pelo que Ikaro sentia, e não apenas pelo que ele sabia.
Aos dezesseis anos, depois de anos trabalhando em cafeterias, entregando encomendas de bicicleta e economizando praticamente cada dólar que ganhava, Ikaro decidiu partir. Eleanor conseguiu ajudá-lo a entrar em uma universidade de artes em Amsterdã. O pai apenas disse que, quando descobrisse que arte não pagava as contas, poderia voltar. A mãe lhe deu um abraço educado. Ele nunca esqueceu aquele abraço.
Amsterdã foi a primeira vez que Ikaro respirou de verdade. Os canais, as bicicletas, os prédios antigos e as galerias escondidas pareciam existir para provar que o mundo podia ser imperfeito e ainda assim bonito. Estudou pintura, escultura, fotografia, design, história da arte e restauração. Sua técnica impressionava, mas o que chamava atenção dos professores era outra coisa: Ikaro enxergava pessoas. Reparava na maneira como alguém segurava uma xícara, escondia uma cicatriz ou desviava o olhar. Um professor resumiu aquilo dizendo que ele não desenhava rostos; desenhava memórias.
Mesmo sonhando em viver exclusivamente de sua arte, acabou seguindo o conselho dos professores e aceitou uma vaga como consultor de arte em um importante museu holandês. Era excelente no trabalho. Colecionadores buscavam sua opinião, curadores respeitados ouviam suas análises e seu nome começava a ganhar espaço naquele meio. Ainda assim, toda manhã vestia um terno que parecia pertencer a outra pessoa. Passava os dias falando sobre liberdade artística enquanto se sentia preso.
@LifeSnapRP Sou tatuador, e apaixonado por artes. Gosto de música, estou aprendendo cada vez mais sobre esportes por ser um novo hobby. Só quero boas amizades.
Quando comecei aqui no twitter, um monte de gente me chamava por conta de tap em turno.
Eu começava e essas porras nunca continuavam.
Vai se foder. Um turno enorme e elaborado pra ser ignorado.
Que ódio.