Era manhã… e o som do despertador cortou o pouco de esperança que ainda restava em mim — a esperança de te ver de novo.
Engraçado como tudo que eu tenho de você… são sonhos.
Mas não são sonhos comuns. Neles, eu sinto. Eu escuto. Eu converso.
E, de alguma forma impossível…
Porque antes de desaparecer completamente… você disse algo.
Algo que não pareceu parte de um sonho.
Algo que ecoa até agora na minha cabeça:
— Amanhã… não dorme.
Congelo.
Mais uma saudade de algo que nunca aconteceu… ou talvez tenha acontecido demais.
Levanto, sem vontade, sem energia.
Mas com uma certeza estranha crescendo dentro de mim.
— Posso… fazer uma coisa?
Minha voz falha.
Você me olha. Calmo. Presente.
— Claro. O que você quiser.
Meu coração dispara.
Eu me aproximo.
Mais perto.
Mais perto.
Mas eu não presto atenção.
Porque, aos poucos… nossas mãos se encostam.
Nossos ombros se aproximam.
Nossos risos se misturam.
E eu penso, com uma clareza assustadora:
Eu não quero acordar nunca mais.
Então eu viro pra você.
— Está tudo bem… — respondo, tentando não surtar. — O que vamos assistir?
— O Mundo do Amor. Acho que combina com a ocasião.
Sua voz muda. Mais firme. Mais próxima.
Nos sentamos. O filme começa.
— Oi, meu amor… vamos assistir algo?
Meu amor?
Meu coração simplesmente… esquece como funciona.
— Estamos no seu quarto?
— Sim… minha agenda está cheia. Desculpa não te levar pra sair.
Você parece… envergonhado.
E isso só me faz gostar ainda mais.
— Perfeito… eu já estava com vontade de massa mesmo.
E por um momento… tudo parece real demais.
Até que—
— Cloe?!
Minha gata. Lambendo meu rosto.
— Não… não… eu estava em um compromisso MUITO sério!
— Esperei você. Vamos comer juntos?
Meu coração dispara.
Eu travo. Como sempre.
Você tem 1,81, é inteligente, bonito, gentil… e eu aqui, surtando internamente tentando parecer normal.
Mas você me salva.
— Estava pensando em Kalguksu. O que acha?
Você sorri. Aquele sorriso calmo, que parece entender tudo sem precisar de explicação.
— Eu também senti sua falta. Como foi seu dia?
— Corrido… mas produtivo. E o seu? Você já comeu?
Quando termino, já é quase meia-noite.
Banho quente. Ramen simples. Algumas coisas da faculdade.
E então… cama.
E você.
— Oi… voltei. — digo, com um sorriso que nem eu sabia que ainda tinha. — Estava com saudades.
O dia passa. Finalmente.
Volto pra casa, enfrento outro ônibus lotado e, quando entro… percebo o caos.
— Desde quando minha casa ficou assim?
Suspiro.
Prendo o cabelo, levanto as mangas e começo. Limpeza, organização, tentativa de colocar ordem também dentro de mim.
No trabalho, o ritual é o mesmo: café preto, amargo — mesmo com gastrite.
Eu preciso disso pra funcionar.
No fone, NUTS toca baixinho.
E por alguns segundos… eu sinto você perto.
não foi suficiente.
Saio de casa e o frio de São Paulo me abraça sem pedir permissão.
Ônibus lotado, gente cansada, rotina automática.
Mas minha mente… não está ali.
Ela já está contando as horas pra voltar.
Pra dormir.
Pra te encontrar de novo… Kim Namjoon.