CAOS NOS TRENS PRIVATIZADOS
FALTA DE ÁGUA NA SABESP PRIVATIZADA
CORRUPÇÃO NA SEGURANÇA E NA SECRETARIA DA FAZENDA
ESCOLA PÚBLICA SUCATEADA
FEMINICÍDIO EM ALTA
PARABÉNS, TARCÍSIO
Breno Bidon é muito fraco, jogador comum. Espero, de verdade, que ele nunca pise no futebol europeu. Fica na bosta do Corinthians para sempre, é melhor.
🇦🇷 Abaixo-assinado argentino pedindo a anulação da final da Copa do Mundo já reúne mais de 67 mil assinaturas.
A petição critica o árbitro Slavko Vincic e sua atuação no jogo de domingo, que marcou o título da Espanha.
A autora do abaixo-assinado pede a revisão do jogo e alega que a arbitragem influenciou no resultado. A torcedora afirma haver provas em vídeo de que Vincic teria sido comprado, mas sem apresentá-las.
A petição repercutiu na Espanha. O jornal Mundo Deportivo, por exemplo, destacou que petições como essa não têm validade.
🗞️ UOL
📸 AFA/Seleção Argentina
pqp odiei q agr separaram os tuítes e os retuítes eles não sabem q a minha detalhada curadoria é pensada pra oferecer um mix sensorial de conteúdo autoral e externo ao caro leitor que me acessa nesta funesta rede
Foi nesta crônica abaixo que Nelson Rodrigues, pela primeira vez, chamou Pelé de Rei, poucos meses antes da conquista da Copa do Mundo de 1958.
O texto foi publicado na revista Manchete Esportiva em 8 de março de 1958, poucos dias após a vitória do Santos por 5 a 3 sobre o América-RJ, em 25 de fevereiro, no Maracanã, pela então tradicional edição do Torneio Rio-São Paulo.
Naquele dia, Pelé tinha apenas 17 anos e 8 meses e deu um espetáculo: marcou quatro gols e encantou o cronista Nelson Rodrigues, que escreveu "A Realeza de Pelé". A crônica, reproduzida a seguir na íntegra, registra o momento em que surgiu, pela primeira vez na imprensa, o título que acompanharia Edson Arantes do Nascimento para sempre: Rei do Futebol.
A Realeza de Pelé
Por Nelson Rodrigues
Depois do jogo América x Santos, seria um crime não fazer de Pelé o meu personagem da semana. Grande figura, que o meu confrade [Albert] Laurence chama de “o Domingos da Guia do ataque”. Examino a ficha de Pelé e tomo um susto: — dezessete anos! Há certas idades que são aberrantes, inverossímeis. Uma delas é a de Pelé. Eu, com mais de quarenta, custo a crer que alguém possa ter dezessete anos, jamais. Pois bem: — verdadeiro garoto, o meu personagem anda em campo com uma dessas autoridades irresistíveis e fatais. Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: — ponham-no em qualquer rancho e a sua majestade dinástica há de ofuscar toda a corte em derredor.
O que nós chamamos de realeza é, acima de tudo, um estado de alma. E Pelé leva sobre os demais jogadores uma vantagem considerável: — a de se sentir rei, da cabeça aos pés. Quando ele apanha a bola e dribla um adversário, é como quem enxota, quem escorraça um plebeu ignaro e piolhento. E o meu personagem tem uma tal sensação de superioridade que não faz cerimônias. Já lhe perguntaram: — “Quem é o maior meia do mundo?” Ele respondeu, com a ênfase das certezas eternas: — “Eu.” Insistiram: — “Qual é o maior ponta do mundo?” E Pelé: — “Eu.” Em outro qualquer, esse desplante faria rir ou sorrir. Mas o fabuloso craque põe no que diz uma tal carga de convicção que ninguém reage, e todos passam a admitir que ele seja, realmente, o maior de todas as posições. Nas pontas, nas meias e no centro, há de ser o mesmo, isto é, o incomparável Pelé.
Vejam o que ele fez, outro dia, no já referido América x Santos. Enfiou, e quase sempre pelo esforço pessoal, quatro gols em Pompeia. Sozinho, liquidou a partida, liquidou o América, monopolizou o placar. Ao meu lado, um americano doente estrebuchava: — “Vá jogar bem assim no diabo que o carregue!” De certa feita, foi até desmoralizante. Ainda no primeiro tempo, ele recebe o couro no meio do campo. Outro qualquer teria despachado. Pelé, não. Olha para a frente, e o caminho até o gol está entupido de adversários. Mas o homem resolve fazer tudo sozinho. Dribla o primeiro e o segundo. Vem-lhe, ao encalço, ferozmente, o terceiro, que Pelé corta sensacionalmente. Numa palavra: — sem passar a ninguém e sem ajuda de ninguém, ele promoveu a destruição minuciosa e sádica da defesa rubra. Até que chegou um momento em que não havia mais ninguém para driblar. Não existia uma defesa. Ou por outra: — a defesa estava indefesa. E, então, livre na área inimiga, Pelé achou que era demais driblar Pompeia e encaçapou de maneira genial e inapelável.
Ora, para fazer um gol assim não basta apenas o simples e puro futebol. É preciso algo mais, ou seja, essa plenitude de confiança, de certeza, de otimismo que faz de Pelé o craque imbatível. Quero crer que a sua maior virtude é, justamente, a imodéstia absoluta. Põe-se por cima de tudo e de todos. E acaba intimidando a própria bola, que vem aos seus pés com uma lambida docilidade de cadelinha. Hoje, até uma cambaxirra sabe que Pelé é imprescindível na formação de qualquer escrete. Na Suécia, ele não tremerá de ninguém. Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e, mesmo, insolente, que precisamos.
Sim, amigos: — aposto minha cabeça como Pelé vai achar todos os nossos adversários uns pernas de pau. Por que perdemos, na Suíça, para a Hungria? Examinem a Fotografia de um e outro time entrando em campo. Enquanto os húngaros erguem o rosto, olham duro, empinam o peito, nós baixamos a cabeça e quase babamos de humildade. Esse flagrante, por si só, antecipa e elucida a derrota. Com Pelé no time, e outros como ele, ninguém irá para a Suécia com a alma dos vira-latas. Os outros é que tremerão diante de nós.