@lichtungdaseins@Loufschter Nem me importo com revisionismo, mas essa carta do Goering não é um argumento bom contra isso não, Raul Hilberg só acreditava que a solução final foi bem depois da carta. Enfim.
Solução Final era sobre estender a emigração judaica da Alemanha pra todo território ocupado pela Alemanha no ocidente, isso que a carta de goering pro heydrich fala. O próprio Hilberg (historiador mais importante da área) acredita que o holocausto só foi anunciado em Outubro de 41 numa reunião de Hitler, não nessa carta do Goering que é bem anterior. Tem argumentos melhores pro holocausto mesmo, esses aí não são lá muito bons (como o discurso de Posen), enfim, tem argumentos melhores.
Mas onde eu neguei isso? Himmler era anti eslavo, a questão é que para concluir isso é muito mais interessante ver as fontes primárias que a biografia. E essa visão de expansionismo nazista é muito superficial, eles desejaram sim colonizar o oriente, mas é muito mais complexo que isso, as opiniões sobre a questão eslava variava muito também (Rosenberg e Koch sobre os ucranianos) etc., nada é preto no branco assim. E sim, eu li o Segundo Livro do AH, li suas questões sobre as relações internacionais etc., apenas vejo que nada é tão simples assim. As próprias questões do conceito de raça nazista era MUITO vaga e debatida, sobre o nível em que eslavos eram realmente “asiáticos” etc. Nada era simples.
@lichtungdaseins@Loufschter Sobre o pathos de distância, acho que mesmo sobre um conceito pouco mencionado, a ideia dele é algo que ele sempre abordou, que é o sentimento de desprezo de quem é “forte” por quem é “fraco”. Um exemplo no Nietzsche médio:
Eugenia não é um termo que ele usa porque é um termo que não era comum na Alemanha, era mais associados aos biólogos ingleses que o próprio detestava, até os nazistas não usavam, a questão é sobre o significado de eugenia; sobre valorizar nascimento de certos tipos etc, questão de população etc. Nem falo do “Lamarckismo” de Nietzsche, e sim sobre questões de nascimento, um exemplo é até no Nietzsche médio que fala sobre eutanásia de bebês (73 de GC), ou uma visão mais radicalizada disso no “Moral para médicos” em CDI.
@lichtungdaseins@Loufschter Mas Hitler não defendia como algo universal, mas contextual por exemplo entre europeus (ele mesmo era da “raça alpina” e sua esposa da “raça nórdica”.
Na SS não tinha negros, eram só europeus mesmos.
@lichtungdaseins@Loufschter Mas eu literalmente falei disso, que ambos falaram sobre isso, meu ponto é não pegar uma opinião convergente pra falar de influência teórica. Até o maior crítico da miscigenação falou disso (Gobineau). Eu não tô falando que ambos são iguais, tô criticando esse reducionismo.
Hitler bebia água, logo quem bebia água antes dele. Wow.
Puro reducionismo, eugenia (que o próprio Nietzsche defendia, não algo exclusivo de sua irmã, que nunca vi ela falar sobre aliás) e antissemitismo era algo comum em toda a Europa, isso não vai definir “nazismo”, o próprio Hitler foi o maior crítico do antissemitismo pré nazista. Isso é muito raso. E mesmo assim, onde, no WzM tem uma ÚNICA, única, apologia ao antissemitismo?
Mas cristianismo volkisch era algo que os nazistas não eram a favor. Para eles isso era um antônimo, sendo c cristianismo estrangeiro/judeu. Toda elite do partido era neopaga, ateísta ou de uma nova “fé germânica” (se declaravam apenas crentes em deus “Gottgläubig”, mas num novo sentido ).
DNVP é longe de ser proto nazista, era apenas um partido nacionalista alemão como outros vários (bem posterior ao WzM), era só um partido crítico do tratado de versalhes, o próprio antissemitismo dele era algo bem mais faccionado, diferente do DAP por exemplo. Tanto que certos membros tentaram apoiar a tentativa de assassinato do próprio AH. É tipo falar que Trostky era stalinista por ser um bolchevique.
@lichtungdaseins@Loufschter Mas eu disse desde a primeira reply que não era, apenas não creio que era uma manipulação pra transformar ele num nazista ou algo assim.
@Loufschter@lichtungdaseins não é difícil, de entender, vc sabe disso. mas sem firula agora, Elisabeth tinha uma bola de cristal pra, ao publicar o WzM, com o pequeno Hitler de 12 anos, em em 1900, pra pensar num partido que surgiu 20 anos depois?
O próprio Nietzsche era muito menos abordado como influência do Reich, ele teve uma influência pequena, apenas mencionado brevemente por fontes de segunda mão que relatam conversas privadas dele, ele provavelmente leu ele muito pouco, diferente de Schopenhauer, e mesmo assim historicamente o nacionalismo alemão nazista pouco importou ideias dele por seus ideologias, diferente de por exemplo Fichte. Fichte foi sim uma influência real no pensamento nazista.
Wow, uma foto 30 anos depois da publicação do WzM! Btw, o “prestígio social” que Elisabeth recebeu é simplesmente por: ela é um parente direto de um autor alemão que nacionalistas alemães valorizavam. Algo simples de entender. Da mesma forma que se o Shopenhauer, Hegel ou Kant tivessem algum irmão vivo(a) no período eles seriam reverenciados. Não porque Elisabeth tinha alguma afinidade, mas porque os nazistas tinha um sentimento de apreço pelo Nietzsche por ele ser alemão, independente do quanto ele tenha detestado o nacionalismo em si. Fora que o próprio Nietzsche era extremamente secundário na formação filosófica do Reich, comentada apenas por Baumler e Rosenberg, e a única coisa que o segundo (que teve uma importância relevante diferente do primeiro) abordou de Nietzsche foi sobre o apolineo e o dionisíaco, conceitos do Nietzsche jovem totalmente fora do escopo do WzM.
Mas foi manipulado, até Losurdo disse isso, a questão nunca foi sobre ser ou não ser um livro de Nietzsche cara. A questão é que qualquer um que compare a publicação do KSA com o WzM não conseguiu encontrar um único exemplo em que Elisabeth modificou um texto para o Nietzsche virar antissemita ou algo assim.
@Loufschter@lichtungdaseins Onde eu neguei que Foster era antissemita? Meu ponto não é sobre ela ou ele ser antissemita. Foi sobre ela ter transformado ele num proto-nazista no WzM. Em algum momento disse que a relação entre eles era “boa” ou fiz algum juízo a respeito da vida de Elisabeth em si?
Mas as cartas do Nietzsche foram de manipuladas pela irmã, não a WzM, justamente pra não expor a sua situação tardia e mascarar as más relações entre ele e a irmã. Nunca vi um único exemplo sequer, comparando a WzM com a KSA, de Elisabeth manipulando algo pra deixar seu irmão parecer um proto-nazista.
Mas o cristianismo e o “antissemitismo” (que era muito mais do seu cônjuge do que da Elisabeth em si) não fez ela em momento algum manipular os fragmentos para ele parecer um “proto-nazista”, pois nada era próximo do nacional socialismo em si na alemã do início do século XX. No mínimo engraçado, pra não dizer surpreendente, uma obra usada pra promover antissemitismo chamar antissemitismo de movimento de malogrados.