Essa visão de São Paulo como o epicentro do reacionarismo é uma caricatura sem lastro na realidade. A elite local é profundamente reacionária e antipopular, mas não reflete o povo da cidade.
São Paulo tem uma importante tradição de resistência e uma história pontuada por momentos de perfilamento ao pensamento progressista.
Foi em São Paulo que ocorreu a greve geral de 1917, que é o grande marco da organização da luta operária. Também a greve dos 300 mil, contestando a estrutura sindical aparelhada do Estado Novo. E o movimento grevista de 1961, que forçou o governo a criar o 13º salário.
São Paulo elegeu 11 deputados do PCB para a ALESP em pleno governo Dutra. Foi na cidade que se organizou o núcleo inicial da Ação Libertadora Nacional e vários movimentos de oposição à ditadura militar.
Foi em São Paulo que o movimento sindical se reorganizou durante os anos 70, dando origem ao Novo Sindicalismo. Foi na cidade que foram criados o maior partido de esquerda do Brasil e a maior central sindical da América Latina. E também onde Lula se tornou uma liderança popular.
São Paulo foi sede dos maiores comícios das Diretas Já. Elegeu, ainda nos anos 80, uma mulher socialista paraibana para ser prefeita. Foi governada por Erundina, Marta Suplicy e Haddad.
Na eleição de 2022, Lula e Haddad foram os candidatos mais votados na cidade, derrotando respectivamente Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. E o deputado federal mais votado na cidade foi Guilherme Boulos.
É importante que a esquerda conheça e reivindique seu legado na maior cidade do Brasil.