Sinceramente, assunto controverso, mas vamos lá: ao contrário de 99% dos sionistas brasileiros, eu já estive numa guerra. Em quatro ocasiões, trabalhei como jornalista na zona de conflito russo-ucraniana.
Eu já vi (e sobrevivi a) bombardeios. Já respirei o ar quente e senti o cheiro de queimado de uma rua atingida por mísseis perto de mim. Já corri de drones suicidas que se aproximavam com seu barulho infernal. E já entrei em abrigos antibomba depois de escapar de um quase engavetamento no trânsito, causado por que freavam bruscamente enquanto mísseis ucranianos no centro da cidade russa de Belgorod.
Então, eu sei o que é uma guerra. Pelo menos um pouco. E conheço gente que sabe muito melhor do que eu. Já entrevistei pessoas que haviam acabado de perder TUDO (casa, carro, empresa) por causa de bombardeios ucranianos em áreas civis russas. Entrevistei no exato momento dos acontecimentos. Fui lá e falei com as vítimas enquanto a fumaça ainda subia. Parte disso está registrada e disponível aqui: https://t.co/iRN4FjKUl0
Da mesma forma, entrevistei civis que haviam passado por traumas no passado recente — perdendo parentes, casa, amigos, tendo seus filhos feridos, e vivendo toda sorte de desgraça. Tenho boa parte desses registros em um filme sobre meu trabalho, gravado na Rússia meses atrás, disponível com tradução aqui: https://t.co/b9SjffeCtl
Em nenhum — NENHUM — desses casos, lidei com pessoas fracas. Todas as pessoas que conheci nas zonas afetadas pelo conflito eram fortes de espírito, corajosas, resilientes, inabaláveis.
Nunca vou esquecer de um senhor que entrevistei em Belgorod (está no primeiro vídeo linkado acima), apenas alguns minutos depois de seu carro, com compras para a família dentro, ter sido atingido pela artilharia ucraniana. Era um senhor visivelmente humilde, e certamente aquele carro era seu único bem.
Na entrevista, ele não demonstrava qualquer medo. Não gaguejava, não tremia. Era véspera de eleições na Rússia, e ele dizia: "Eles [os ucranianos] querem nos impedir de votar. Mas eu vou votar. Russos não desistem. A vitória será nossa."
Ainda, durante a gravação do meu filme (segundo link), entrevistei Roma, um menino de 14 anos, e sua mãe, Natália. Roma perdeu parte da capacidade motora e tem cicatrizes no corpo inteiro devido aos incessantes bombardeios ucranianos contra seu bloco residencial. Enquanto estava sendo operado às pressas para sobreviver aos ferimentos, o hospital também foi bombardeado pela Ucrânia, e os médicos o operaram debaixo de fogo.
Natália e Roma tratam tudo com muita força, resiliência e naturalidade. Expressam confiança na vitória russa e não demonstram qualquer medo. Roma acorda todos os dias às 5h da manhã para cumprimentar os soldados que passam em sua rua em direção ao front. Nem o trauma dos ataques abalou sua fé na vitória.
Também entrevistei uma senhora do distrito de Volnovakha, nos subúrbios de Donetsk. Ela teve seu marido — também idoso e civil — assassinado a sangue frio por soldados ucranianos na porta de casa, em fevereiro de 2022. Os ucranianos não permitiram que os corpos dos civis mortos no vilarejo fossem recolhidos.
Por duas semanas, aquela senhora ficou olhando diariamente para o corpo do marido assassinado sem poder fazer nada. Só quando os russos chegaram é que as vítimas puderam ser enterradas. Naturalmente, ela desabou em lágrimas ao lembrar de tudo isso, mas demonstrava uma força profunda ao narrar os acontecimentos. Seu choro era de tristeza, não de pavor.
Tanto a história de Roma quanto a dessa senhora podem ser vistas no segundo link.
Enfim, quando olhamos para Israel, o que vemos é o contrário: uma população histérica, medrosa e apavorada simplesmente ao ouvir sirenes ou ver bombardeios a quilômetros de distância. A guerra mal começou. Os mortos não estão nem na casa das centenas (pelo menos segundo Israel), e a situação já é essa.
Toda guerra é uma tragédia. Toda guerra gera medo e pavor. Mas essa histeria coletiva não é normal. Esse medo patológico é sintoma de uma sociedade mimada, acomodada e frágil. Israel sempre esteve em conflito, desde que surgiu, mas nunca enfrentou um inimigo à altura. Sempre lutou contra republiquetas fracas ou grupos insurgentes não estatais. Isso criou uma falsa sensação de invencibilidade e segurança permanente.
Acontece que massacre de crianças famintas não é guerra. Bastou menos de uma semana de combate contra um país de verdade para que o resultado enfim surgisse. O castelo de cartas desmoronou sobre uma população que não está acostumada ao mínimo de adversidade.
O inferno enfim chegou para os sionistas. E nessas horas, não adianta se agarrar à crença de ser "o povo escolhido". A realidade dos projéteis fala mais alto. E a ausência de história nacional pesa.
Afinal, iranianos e russos podem olhar para o passado e ver exemplos de vitórias incríveis contra adversários muito mais fortes. Já Israel, surgida a partir do nada em 1948, não tem muito onde buscar inspiração...
agora que já passou o hype eu posso falar como eu ODIEI essa temporada simplesmente horrível tudo ruim o ator do colin horrível faltou química faltou tempero e foi a pioral