Um novo estudo ainda publicado como preprint (sem revisão por pares) (1) - mas já ganhando bastante repercussão e comentado na Science (2) - trouxe evidências de um novo fator que pode explicar por que as plantas carnívoras do gênero Nepenthes são tão efetivas em capturar suas presas: produzem um néctar atrativo que contém uma potente neurotoxina, deixando as vítimas tontas e "zoadas" e mais suscetíveis a ficarem presas nas armadilhas de jarro!
Caso confirmado, é o primeiro exemplo de um néctar agindo tanto como atrativo quanto como veneno, e não como uma recompensa para insetos e outros visitantes.
No estudo, os pesquisadores analisaram o néctar de plantas da espécie Nepenthes khasiana, e encontraram que essa secreção açucarada não exibia importantes nutrientes nitrogenados (aminoácidos, proteínas) e vitamina C - ou seja, pouco nutritivo -, mas trazia (+)-isoquinanola, um composto orgânico que interfere com a atividade da enzima acetilcolinesterase (AChE) - a qual previne o acúmulo deletério do neurotransmissor acetilcolina entre neurônios. Excesso de acetilcolina gera cãibras musculares, fraqueza, visão embaçada e paralisia.
Experimentos in vivo e in vitro mostraram que o néctar exibia forte inibição de AChE.
Além disso, os pesquisadores mostraram que formigas que haviam se afogado no fluido da N. khasiana não exibiam quase nenhuma atividade de acetilcolinesterase, em contraste com formigas no exterior da planta.
As evidências laboratoriais sugeriram, portanto, que o néctar é uma "isca tóxica" para potenciais presas.
É ainda incerto se outras espécies do gênero Nepenthes compartilham essa mesma estratégia de caça.
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