Eu nem posso imaginar a dor que é perder um dedo trabalhando. Nós, filhos da classe trabalhadora, sabemos bem o que é sentir dor no corpo, nos braços, nos ombros, nas pernas e na cabeça após um longo dia de trabalho.
Só quem trabalha sabe o que é isso.
Trabalhador merece respeito, dignidade e direitos!
Aos 17 anos, perdi um dedo trabalhando à noite, quando ainda era menor de idade e precisava trabalhar para não passar fome.
A minha história é a realidade de milhões de brasileiros que enfrentam jornadas exaustivas, acidentes de trabalho e condições precárias, colocando a própria saúde e a própria vida em risco para garantir o sustento de suas famílias.
Transformar uma marca dessa trajetória em motivo de ofensa é desrespeitar não apenas a minha história, mas a luta, a dignidade e a resistência de milhões de trabalhadores e trabalhadoras deste país.
Minha cicatriz não é motivo de vergonha. É a marca de uma realidade que o Brasil precisa enfrentar. Trabalhador não pode ser alvo de deboche por carregar no próprio corpo as consequências de uma vida inteira de luta.
Oxaguian nos ensina que nem toda batalha é vencida permanecendo no mesmo lugar. Às vezes, a maior demonstração de coragem é reconhecer que precisamos mudar a rota, abandonar o que nos enfraquece e ter humildade para começar outra vez.