O Mercado das Bruxas, em La Paz, surpreende pela diversidade de produtos, que vão de simples lembranças a itens usados em rituais tradicionais.
📸 gciganaa (ig)
A internet inteira só consegue falar sobre a "fertilidade" de Mariam Nabatanzi.
Mas essa história nunca foi sobre biologia.
Foi sobre um crime silencioso.
Aos 12 anos, ela foi vendida pelo próprio pai para um homem de 57 anos.
Ela se tornou a quinta esposa em um casamento sem amor e cheio de abusos.
"Aos 18 anos, eu já tinha 18 filhos e implorei por ajuda médica."
O médico a proibiu de usar anticoncepcionais, dizendo que a única forma de não morrer era continuar tendo bebês devido à sua condição.
Ninguém percebeu o verdadeiro absurdo.
A própria madrasta que a criou se tornou amante do seu marido e teve filhos com ele.
Em 2015, o homem vendeu a casa da família e fugiu com todo o dinheiro, deixando-a com as crianças.
"Uma de minhas filhas se formou em enfermagem, foi para a Rússia e nunca mais me deu notícias."
Hoje, ela trabalha em 5 empregos diferentes para sustentar os filhos sozinha.
Reduzir a vida de Mariam a um "caso impressionante de fertilidade" é ignorar uma sequência brutal de abandonos, abusos e falhas do sistema.
"Nunca se esqueça q basta uma crise política, econômica ou religiosa para q os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos n são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida."
Simone de Beauvoir a 77 anos atrás, vc n está segura mulher.
É simples: olhos na rua
A Zona Sul do Rio é uma das áreas mais caminháveis do Brasil. Boa Viagem é quase o oposto.
No Rio, o prédio chega até a calçada. Em Boa Viagem, ele recua atrás de um muro alto, evitando ao máximo o contato com a rua.
No Rio, o térreo tem padaria, bar, farmácia — vida. Em Recife, o único contato do prédio com a rua é a portaria. Às vezes até ela fica recuada. O condomínio literalmente vira as costas pra cidade.
As calçadas no Rio são mais largas, sombreadas e conservadas. Os quarteirões são mais curtos. Caminhar faz sentido. Em Boa Viagem, caminhar é quase um ato de resistência.
A orla resume tudo: Na Zona Sul do Rio ela é viva com bares, restaurantes, gente. Em Boa Viagem é um corredor de muros altos com vista pro mar, cujos moradores há décadas usam de lobby pra travar qualquer vida noturna na região.
Cidade segura é cidade com gente na rua. Gente na rua depende de uma cidade que as convida a caminhar. Boa Viagem escolheu o carro, o muro e o condomínio fechado em contrapartida das pessoas.
Agora uma história. Tenho uma tia avó carioca que sempre comenta que quando veio ao Recife pela primeira vez (muitas décadas atrás), uma das primeira coisas que notou foi como as pessoas andavam menos nas ruas do que ela estava acostumada no Rio de Janeiro.