Hoje passei em frente ao saudoso lê print, antiga casa de funk e pagode aqui de Vila Velha. Local onde aos domingos, eu e meus amigos tínhamos entrada gratuita e duas horas de open bar…já curti até show do mestre Arlindo Cruz lá, virou uma academia.
Falhamos como sociedade.
@owellingtoneves@thiagoR27 Eu bancaria o Raphinha. Preencheria mais o meio de campo com Danilo. Jogaria com uma dupla de ataque. ( Contra seleções mais fortes que o Brasil ).
Filipe Luís é um dos grandes laterais que o rico futebol brasileiro produziu. Saiu do Figueirense, lá em Santa Catarina, para, na Europa, construir uma carreira sólida e vencedora. Logo no primeiro ano de Atletico de Madrid, conquistou o Campeonato Espanhol quebrando 18 anos de jejum e freando os onipresentes Real e Barcelona. Além disso, ganhou duas vezes a Liga Europa e chegou duas vezes à final da Champions. Quando foi para o Chelsea, da Inglaterra, não saiu de mãos vazias: venceu a Premier League.
A trajetória europeia o levou a seleção brasileira, claro. Foram mais de 40 convocações, incluindo Copa do Mundo e a Copa América, que também venceu.
Depois, retornou ao Brasil para vestir a camisa do Flamengo, clube pelo qual torce e fez história: dois Brasileirões, duas Libertadores, Copa do Brasil, Supercopas, Recopa, Cariocas… isso tudo jogando o fino dentro de campo e fora também, quando, entre outras coisas, apoiava jovens talentos e os ensinava a respeitar símbolos do clube.
Aí, Filipe se aposentou, estudou e virou técnico. Começou no sub-17, foi rapidamente promovido ao sub-20 e mais uma vez promovido para o time profissional, treinando muitos atletas e até pouco tempo eram colegas de vestiário.
Pois bem. No primeiro ano comandando o time principal do Flamengo (de novo: NO PRIMEIRO ANO!!!), Filipe venceu mais uma Copa do Brasil, mais uma Supercopa, outro Carioca, está na final da Libertadores e disputa ponto a ponto o Brasileirão contra o Palmeiras, time que joga junto há cinco anos e que mais investiu em contratações este ano junto com o Botafogo.
Mas quem entende de futebol, de tática e como lidar com atletas não é Filipe Luis. Não… não mesmo. Quem entende é o Enzo, que jura que o FIFA rouba ele no modo carreira no PlayStation e o Fulanilson Underline RJ, autointitulado jornalista porque gosta de dar chilique no YouTube ou na Jovem Pan.
Não deveria, mas pode. Claro que pode. Vinicius sofreu muito no Real e na Espanha pra chegar onde chegou, melhor do mundo e referência interna, ídolo. Foi humilhado, ridicularizado e rebaixado, teve que se provar diversas vezes, mesmo estando bem, pra depois de TUDO que fez e conquistou ter que ver sua hierarquia diminuída com a contratação de Mbappe (que nunca ganhou nada pelo clube) e ainda chegar um técnico novo, escolhido a dedo pelo clube, para trata-lo como “apenas mais um”, rebaixando um status que foi conquistado com muita resiliência, talento e cabeça forte (pra aguentar tanto racismo que sofreu e ainda sofre).
Esperar um comportamento bonitinho dele agora é impossível pra mim, me soa injusto demais. Quase sempre esteve em carne viva, exposto, desprotegido, muitas vezes sozinho. Pelo excesso de gratidão, respeito e memórias afetivas talvez ele próprio não perceba isso, mas o “Real Madrid de Mbappe e Xabi Alonso” não é mais o lugar ideal pra ele. Merece mais, muito mais.
Nada que Vinicius tenha feito ou venha a fazer pelo Real Madrid será suficiente. Não é o rosto que o clube quer, nunca foi.
O Real Madrid falhou com Vinicius.