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A cada nova despedida, o brilho dos olhos muda de posição. Muda de ângulo, de direção. Nenhum olhar é o mesmo após uma despedida.
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Trecho de ‘tudo ecoa no vazio’
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Amor da minha vida tenta ser uma comédia romântica moderna e até entrega muito bem a fórmula americana que a gente adora. Mas ao fim e ao cabo, é puro reforço dos padrões de beleza e comportamento. A decisão sempre cabe ao homem e à mulher cabe chorar por horas no chão da sala.
O discurso da falta pode até parecer demagógico sob o pano de fundo da ideologia do sucesso. Mas falhar, ser mediano/irregular é essencial em qualquer caminhada. Sucesso initerrupto quase sempre (a)ruína. Ostentar uma vida só de conquistas é fácil. A parte difícil é sustentar.
Um dia pra ficar na cama, maratonar cem anos de solidão, comer, dormir, estudar, dormir, comer, não querer guerra com ninguém. E eu começo a gostar dos domingos…
Só num país com memória de escassez, população vulnerabilizada, autoestima no lixo, direitos trabalhistas fragilizados, e precarização intensa da vida cotidiana, empresas divulgam vagas com uma caralhada de pré-requisito e não tem a decência de informar a remuneração.
Crescer é suportar ver e administrar o infantil de nossas demandas antes de fantasiá-las de reivindicações legítimas e justas. E isso faz TODA diferença para a relação com os outros. Quem não reconhece o próprio infantil, vive a vida como criança mimada fantasiada de adulto.
O sintoma nos convida a falar em nome próprio, mas o mercado nos empurra para a vala do diagnóstico. Como se a identificação a um nome genérico pudesse calar a angústia. Pelo visto não funciona, afinal, o passo seguinte é sempre a medicalização e o silenciamento abrupto da dor.
Eu detesto essa apologia da felicidade das trends. Puro suco de negacionismo neoliberal. A felicidade não existe. Só existe a alegria, um modo criativo de lidar com a tristeza. Ficar triste é dar dignidade ao nosso modo de sentir e viver o desamparo, a miséria humana, a finitude.
Frustrar a demanda do outro opera milagres de alívio em subjetividades atadas à demanda. Quanto mais atendemos à demanda do outro, mais escravos ficamos à sua promessa de amor. Ledo engano. O que fica é o resto de insatisfação que sempre pede mais e mais. A demanda é um parasita.
A decisão de investir no inglês me levou a Walter Paim/Soweto English. Quando saí do Brasil, I could talk with autonomy. Hoje apresentei um texto de Patrícia H Collins sobre Black Women Epistemologies. A Soweto é muito mais que uma language school, this is a real abre-caminhos.
Uma história pode ser contada de muitos modos. Ainda estou aqui é modo Cinema de contar História. Transmite dor sem cena explícita de tortura. Transmite a impotência do não-dito. Transmite na delicadeza do cotidiano e nos faz penetrar no tempo melancólico da perda. Isso é Cinema.
A tragédia de uma criança que caiu no Bueiro. A humilhação de ter que buscá-la no esgoto. Famílias e casas soterradas na Saramandaia. Vidas perdidas. Mortes evitáveis. Não são vítimas da chuva, são alvo do racismo ambiental. No Corredor da Vitória ninguém morre em dias chuvosos.
A coletiva de imprensa com os ministros me deu muita vergonha dos meus colegas jornalistas. Ajem como capachos do “mercado”, não fazem uma pergunta inteligente, não dialogam com o povo, não conseguem sair do tom lacrador por não ter nenhuma densidade de pesquisa ou reflexão.