Talvez um dia a correnteza leve embora essa aflição,
Talvez o sol rompa as sombras e aqueça meu coração.
Por ora, apenas existo, entre a dor e a esperança,
Pois mesmo sem enxergar motivos, persiste em mim uma dança.
A vida virou-se ao avesso, sem aviso, sem clemência,
Perdi o chão, perdi pessoas, perdi a mim na turbulência.
Olhei ao redor, só ecos vazios, ninguém aqui, ninguém ali.
A solidão me abraça fria, e eu não sei para onde ir.
Mas ainda estou aqui, mesmo sem saber por quê,
Como uma rocha no leito do tempo, resistindo sem querer.
O vento corta, o fogo arde, a dor pesa sem piedade,
Mas sigo, mesmo sem forças, na busca por uma verdade.