No início dos anos 60, quando eu tinha de 4 pra 5 anos, apareceu uma pequena ferida em meu nariz. Vendo que ela demorava a sarar, minha família começou a se preocupar pois poderia ser “ferrada de bruxa”. Coitadas das mariposas, as chamadas "bruxas", inofensivas borboletas vestidas de marrom, minha cor preferida, não tinham culpa daquela grave doença, a leishmaniose, que era trazida por outro transmissor. Mas o problema é que o diagnóstico estava correto e eu poderia ser mais um daqueles tristes casos que cheguei a conhecer, no seringal, de pessoas com seus rostos deformados pela doença.
Então meu pai saiu às 4 da madrugada, rumo à sede do seringal, em busca de remédio. Caminhou onze horas pelo varadouro enlameado e comprou as ampolas para injeções, depois caminhou outras onze horas de volta. Chegou à noite, exausto e coberto de lama, deitou-se no chão da casa com os braços acima da cabeça e os pés ainda na escada. Disse pra minha mãe ferver a água com o aparelho de aplicar injeções e esperou no chão, na mesma posição. Depois, com o aparelho na mão, tentou me tranquilizar, dizendo que não ia doer muito, ia ser como se fosse uma picada de "caba", ou marimbondo.
Durante 45 dias me aplicou as tais injeções. Mais tarde descobri que elas tiveram fortes efeitos colaterais, pois eram uma versão mais barata do remédio, contendo antimônio, que se usava em populações pobres da África e da Amazônia, como era minha família. De todo modo, curou-me a leishmaniose, da qual restou apenas um sinal no nariz. Hoje sempre penso que a cura daquela enfermidade deu-se por um ato de imenso amor de meu pai. E esta foi apenas uma das inúmeras demonstrações de seu zelo, dedicação e enorme senso de responsabilidade.
Meu pai era assim, vivia em estado de permanente cuidado por tudo e por todos, principalmente pela sua família. No Dia dos Pais, sei que meu irmão e minhas irmãs estão com o pensamento nele e lembram de histórias como esta, de sua vida dedicada às nossas vidas. No fundo do coração faço uma prece: Deus, pai de toda a humanidade, inspire-nos ao amor e abençoe todos os papais acolhendo seus filhos do sangue ou do coração.
@fabiano_msft @rafaelmagu Faz sentido para mim, mas não tenho exemplos para dar, pois meus sobrinhos moram longe… no entanto, na parte de uso do celular, vejo a molecada na academia realmente fazendo tudo por lá, o que explica o desconhecimento do funcionamento de um computador.
@FelicioRamuth@tarcisiogdf Rapaz!!! E não é que a obra que você fez aqui em São José dos Campos não evitou o alagamento na frente do DCTA e da avenida “Fundo do Vale”?!?! Se for privatizar com a mesma qualidade, deixa como está!!!